{"id":104263,"date":"2019-04-30T03:58:24","date_gmt":"2019-04-30T06:58:24","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104263"},"modified":"2019-04-30T03:58:24","modified_gmt":"2019-04-30T06:58:24","slug":"utopia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104263","title":{"rendered":"Utopia Brasileira"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Pedro Augusto Pinho*, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o fez revolu\u00e7\u00e3o alguma, jamais. N\u00e3o se revoltou para conquistar a independ\u00eancia pol\u00edtica. Nem para tirar da escravid\u00e3o cerca de metade da sua popula\u00e7\u00e3o. Nem para implantar a industrializa\u00e7\u00e3o burguesa. \u00c9 incr\u00edvel que algu\u00e9m tenha medo da revolu\u00e7\u00e3o socialista. \u00c9 ir\u00f4nico, mas constitui uma das trag\u00e9dias brasileiras: inimigos inexistentes.<\/p>\n<p>O acordo das elites invadiu a sociedade, por todas camadas sociais. \u00c9, efetivamente, o pensamento dominante no Brasil.<br \/>\nNossa literatura, pelos mais consagrados autores, retrata esta forma de solu\u00e7\u00e3o dos conflitos: o acordo, a desist\u00eancia da luta. Quem mais ic\u00f4nico do que Machado de Assis para nos expor esta caracter\u00edstica domesticada, com Bentinho, com Br\u00e1s Cubas!<\/p>\n<p>Vivemos neste momento, com a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, o tr\u00edplice ataque ao Pa\u00eds. O ataque ao Estado Nacional, um objetivo perseguido pelo sistema financeiro internacional, a banca. O ataque \u00e0 economia nacional, pelos Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis colocados nas \u00e1reas econ\u00f4micas, financeiras, na Petrobras e outras estatais, com objetivo de privatizar tudo, alienar o patrim\u00f4nio nacional, seja o natural ou seja o constru\u00eddo com nosso esfor\u00e7o e saber. E com o controle da justi\u00e7a e da repress\u00e3o &#8211; al\u00e9m dos incentivos aos \u00f3dios de g\u00eanero, de ra\u00e7a, riqueza ou saber, n\u00e3o dando oportunidade de sa\u00edda &#8211; extinguir a paz social.<br \/>\nE a\u00ed poder\u00edamos estar construindo uma instigante novidade: a revolu\u00e7\u00e3o brasileira. Provavelmente sem o prop\u00f3sito de criar um Estado Nacional Soberano e Cidad\u00e3o, mas para fugir de uma terra arrasada, um territ\u00f3rio despovoado, um pa\u00eds de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Leiamos o que nos escreveu o g\u00eanio Darcy Ribeiro, na obra que elaborou ao longo de 30 anos e editou em 1995: &#8220;O Povo Brasileiro &#8211; a forma\u00e7\u00e3o e o sentido do Brasil&#8221; (Companhia das Letras, SP).<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s, brasileiros somos um povo em ser, impedido de s\u00ea-lo. Um povo mesti\u00e7o na carne e no esp\u00edrito, j\u00e1 que a mesti\u00e7agem jamais foi um crime ou pecado. Um povo at\u00e9 hoje na dura busca de seu destino. Estamos abertos \u00e9 para o futuro&#8221;.<br \/>\n&#8220;Na\u00e7\u00f5es h\u00e1 no Novo Mundo &#8211; Estados Unidos, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia &#8211; que s\u00e3o meros transplantes da Europa para amplos espa\u00e7os de al\u00e9m-mar. N\u00e3o apresentam novidade alguma neste mundo. S\u00e3o excedentes que n\u00e3o cabiam mais no Velho Mundo e aqui vieram repetir a Europa. S\u00e3o, a rigor, o oposto de n\u00f3s.<\/p><\/blockquote>\n<p>E, plagiados e plagiadores, na \u00e2nsia de manter a conquista do que, a cada dia, na economia e na guerra, se lhes esvai, apelam para a mentira, para constru\u00e7\u00e3o de um mundo t\u00e3o real quanto o comunismo olaviano no Brasil.<\/p>\n<p>Na sempre competente tradu\u00e7\u00e3o da Vila Mandinga, tomo conhecimento das novas derrotas dos ingleses e seus clones estadunidenses no Oriente M\u00e9dio alargado. O artigo do professor de Literatura Inglesa e Orientalismo, na Universidade de Teer\u00e3, Said Mohammad Marandi, &#8221; Ir\u00e3 inspira medo irracional ao ocidente: desastre \u00e0 vista&#8221; (Middle East Eye, 22\/04\/2019), mostra, confirma que Ir\u00e3, S\u00edria, I\u00eamen, Turquia e mesmo o atual Iraque imp\u00f5em derrotas \u00e0 domina\u00e7\u00e3o ocidental e israelense.<\/p>\n<p>A economia neoliberal naufraga em constantes d\u00e9ficits, n\u00e3o mais cobertos com os tributos sobre trabalhadores europeus &#8211; que se revoltam &#8211; e pelo mundo, onde a mis\u00e9ria \u00e9 a mais forte componente das insufici\u00eancias fiscais.<br \/>\nA for\u00e7a militar da R\u00fassia \u00e9 inconteste, como demonstra o recuo em bravatas dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) diante da Venezuela.<\/p>\n<p>O texto do professor Marandi trouxe-nos tamb\u00e9m um dos fundadores do romantismo ingl\u00eas, William Wordsworth (1770-1850). Permitam-me, em tradu\u00e7\u00e3o livre, ampliar a cita\u00e7\u00e3o, concluindo este artigo, sem antes deixar de lembrar, aos mais esquecidos, que o traidor Silv\u00e9rio dos Reis, festejado pelas elites, foi casado com a tia do Duque de Caxias.<\/p>\n<blockquote><p>Foram chamados a exercer suas habilidades,<br \/>\nN\u00e3o na Utopia, campos subterr\u00e2neos,<br \/>\nOu alguma ilha secreta, sabe o c\u00e9u onde!<br \/>\nMas no mundo mesmo, que \u00e9 o mundo<br \/>\nDe todos n\u00f3s &#8211; o lugar onde ao fim<br \/>\nEncontramos nossa felicidade, ou n\u00e3o, para todos.<\/p><\/blockquote>\n<p>(<em>Were called upon to exercise their skill, Not in Utopia, subterranean fields, Or some secret island, heavens know where! But in the very world, which is the world Of all of us &#8211; the place where in the end We find our happiness, or not at all, em William Wordsworth, The Major Works, Oxford University Press, Oxford, 1984<\/em>).<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>*Pedro Augusto Pinho, av\u00f4, administrador aposentado<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o fez revolu\u00e7\u00e3o alguma, jamais. N\u00e3o se revoltou para conquistar a independ\u00eancia pol\u00edtica. Nem para tirar da escravid\u00e3o cerca de metade da sua popula\u00e7\u00e3o. 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