{"id":103096,"date":"2019-02-25T17:03:27","date_gmt":"2019-02-25T20:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=103096"},"modified":"2019-02-25T19:09:08","modified_gmt":"2019-02-25T22:09:08","slug":"precisa-se-oposicao-nacao-sob-poderes-nacionais-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=103096","title":{"rendered":"PRECISA-SE OPOSI\u00c7\u00c3O  |  Na\u00e7\u00e3o sob Poderes Nacionais Estrangeiros"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00e3o sob Poderes Nacionais Estrangeiros | parte 2 de 3<\/p>\n<p><strong>Por Pedro Augusto Pinho*, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sob o Poder Nacional Estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>Palmares foi o grande movimento de oposi\u00e7\u00e3o dos primeiros tr\u00eas s\u00e9culos que o Estado Col\u00f4nia enfrentou. O Brasil do s\u00e9culo XIX j\u00e1 ser\u00e1 pa\u00eds associado ao colonizador \u2013 Reino Unido ao de Portugal e Algarve \u2013 e, formalmente, independente. Precisaremos, portanto, entender o Poder dominador, seus objetivos e m\u00e9todos, para identificar a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jess\u00e9 Souza, no Cap\u00edtulo 3 (Como o senso comum e a \u201cbrasilidade\u201d se tornam ci\u00eancia conservadora?) de <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/jesse-souza\/a-rale-brasileira-quem-e-e-como-vive\/2672448961\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cA Ral\u00e9 Brasileira\u201d<\/strong><\/a> (Contracorrente, SP, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2018), escreve:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Desde o s\u00e9culo 19, mas especialmente no s\u00e9culo XX, passa a existir uma polariza\u00e7\u00e3o evidente entre defensores do Estado, como inst\u00e2ncia propulsora do desenvolvimento social de uma sociedade atrasada em todas as dimens\u00f5es da vida, e dos defensores da livre a\u00e7\u00e3o do mercado para concretizar os mesmos fins.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ocorre, como tamb\u00e9m explicita este investigador soci\u00f3logo brasileiro, que houve uma intelig\u00eancia do Poder dominante para usar <em>\u201cum vocabul\u00e1rio que todos entendam e n\u00e3o importa que essa leitura n\u00e3o descreva a realidade de modo confi\u00e1vel\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Um ponto fulcral est\u00e1 em compreender a distin\u00e7\u00e3o entre Poder e Governo.<\/p>\n<p>Poder \u00e9 quem det\u00e9m o mando, o controle. Governo \u00e9 quem aplica as decis\u00f5es do Poder. Por mais charmoso que seja afirmar: todo poder emana do povo, a na\u00e7\u00e3o, onde 80% de sua popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o destitu\u00eddos das condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia e de capacidade de vocalizar suas afli\u00e7\u00f5es, s\u00f3 com muito cinismo pode apresentar este Povo como Poder.<\/p>\n<p>Entendemos que, desde o Imp\u00e9rio e por toda Rep\u00fablica, nosso Estado foi tomado e aparelhado por interesses n\u00e3o nacionais. E isto contou com apoio de \u00ednfima parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Este Estado, s\u00f3 quando dominado pela oposi\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo que por breves per\u00edodos \u2013, corresponder\u00e1 \u00e0quela inst\u00e2ncia propulsora a qual Jess\u00e9 Souza refere-se.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 uma economia dependente, exportadora de produtos prim\u00e1rios. Isto \u00e9, com um mercado dirigido e orientado por economia externa, este s\u00f3 empreender\u00e1 refor\u00e7os para manter esta situa\u00e7\u00e3o, e dirigir\u00e1 toda repress\u00e3o a qualquer tentativa de mudan\u00e7a do <em>status quo<\/em>.<\/p>\n<p>Como se conclui, o ide\u00e1rio da oposi\u00e7\u00e3o brasileira, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX at\u00e9 esta segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, tem as mesmas reivindica\u00e7\u00f5es, por ordem de prioridade:<br \/>\na) constituir um Estado Nacional Soberano;<br \/>\nb) libertar todo povo das diversas formas de escravid\u00e3o;<br \/>\nc) construir a cidadania brasileira;<br \/>\nd) garantir seguran\u00e7a e justi\u00e7a para toda popula\u00e7\u00e3o; e<br \/>\ne) buscar os ideais de paz, de desenvolvimento e de justi\u00e7a como valores para sociedade.<\/p>\n<p>Detalhemos, brevemente, os t\u00f3picos principais deste elenco oposicionista.<\/p>\n<p><strong>Soberania<\/strong> significa o total controle da produ\u00e7\u00e3o, dos usos e da apropria\u00e7\u00e3o das rendas oriundas dos recursos naturais brasileiros. Para tanto o Brasil deve dispor de tecnologias e parque industrial, al\u00e9m de for\u00e7as armadas, que garantam a independ\u00eancia nacional.<\/p>\n<p><strong>Cidadania<\/strong> \u00e9 ter todos brasileiros como par, como iguais. Para isso, o Estado garantiria as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia, em todas circunst\u00e2ncias e sem exce\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie: sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e transporte urbano. Tamb\u00e9m promoveria a consci\u00eancia de si mesmo e do outro e a efetiva possibilidade de se fazer ouvir, pelos pares e pelas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a<\/strong> e <strong>justi\u00e7a<\/strong> s\u00e3o garantidas pelo Estado, e s\u00f3 por ele, quer do ponto de vista pessoal e patrimonial quanto dos direitos (inclusive ao trabalho), \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao respeito humano.<\/p>\n<p>Ter\u00edamos, deste modo, a possibilidade do <strong>povo ser Poder<\/strong> e ter-se uma democracia efetiva em nosso Pa\u00eds. Estado e mercado n\u00e3o seriam, como de fato n\u00e3o s\u00e3o, antag\u00f4nicos, mas complementares na garantia de soberania e cidadania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sob o Poder Ingl\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/20-artigo-2008\/1913-html-capa-263\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vinda da corte portuguesa para o Brasil<\/a>, sob a prote\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Ingl\u00eas, j\u00e1 seria suficiente para revelar quem, efetivamente, seria o Poder em nosso Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas como existe, e \u00e9 sempre do interesse de todos os poderes que haja a confus\u00e3o entre Poder e Governo, a grande maioria das revoltas se d\u00e1 contra os governantes e n\u00e3o contra os detentores do Poder.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817<sup>[DE1]<\/sup> \u00e9 bem um exemplo deste tiro fora do alvo. Se de um lado pretendia implantar a Rep\u00fablica, de outro mantinha a escravid\u00e3o. Ou seja, removia-se o Governo e era mantido o sistema de interesse do Poder: a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e mineral para exporta\u00e7\u00e3o a baix\u00edssimo custo.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cabanagem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revolta dos Cabanos<\/a>, entre 1835 e 1840, foi o verdadeiro movimento oposicionista, ocorrido no Gr\u00e3o-Par\u00e1. Unidade administrativa do Imp\u00e9rio que correspondia a toda Regi\u00e3o Norte do Brasil, sem o Estado de Tocantins, ou seja, Par\u00e1, Amazonas, Amap\u00e1, Roraima, Rond\u00f4nia e Acre.<\/p>\n<p>Cabanos eram pessoas da classe pobre que viviam \u00e0s margens de rios, em habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. Sandra da Costa Santos (\u201cCabanagem: crise pol\u00edtica e situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d, tese de mestrado, in \u201cRevoltas Populares no Brasil\u201d, fasc\u00edculo 8, Editora Caros Amigos) entende que a marca deste movimento foi a luta pela cidadania.<\/p>\n<p>Efetivamente, a Cabanagem foi formando-se com o tempo, unindo \u00edndios (Mura, Munduruku e Sater\u00e9-Maw\u00e9 \u2013 estes \u00faltimos inventores da bebida guaran\u00e1<sup>[DE2]<\/sup>), negros, religiosos, comerciantes, intelectuais, jornalistas, empregados, profissionais liberais e militares, ou seja, pessoas de todas as classes e fortunas que buscavam a liberdade. Fosse ela pol\u00edtica, social, econ\u00f4mica ou ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O \u00faltimo presidente Cabano, <a href=\"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/classicos-da-politica-latino-americana\/eduardo-nogueira-angelim-(aracati-6-de-julho-de-1814---20-de-julho-de-1882)--m%C3%A1rtir-cabano,8e92e2d404e66c81b93013578bfbf60b+01.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Angelim<\/a>, ap\u00f3s uma vitoriosa batalha, assim proclamou:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Meus amados patr\u00edcios! Eu vos afiancei que o infame e opressor jugo estrangeiro havia por cair por terra e que ser\u00edamos os vencedores.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Observe-se, caros leitores, que o Brasil era \u201cindependente\u201d desde 1822. Ou seja, havia uma consci\u00eancia de que a luta era contra um modelo de domina\u00e7\u00e3o que a todos escravizava. Mais de 30 mil mortos foi o saldo desta revolta, mas revelou tamb\u00e9m, por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc1310199912.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cartas descobertas em 1999<\/a>, que o regente <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Diogo_Ant%C3%B4nio_Feij%C3%B3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3<\/strong><\/a> pediu aux\u00edlio de tropas inglesas e francesas para derrotar os Cabanos. O Brasil independente n\u00e3o era soberano.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho pretens\u00e3o de tratar exaustivamente dos movimentos oposicionistas. Mas, no per\u00edodo da domina\u00e7\u00e3o inglesa, \u00e9 importante salientar a presen\u00e7a de milicianos estrangeiros, como <a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revhistoria\/article\/download\/36395\/39116\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lord Cochrane<\/strong><\/a>, auxiliando um governo sem for\u00e7as para conter ideais libert\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 sob o Poder Ingl\u00eas, mas, igualmente, sob o estadunidense, houve sempre agentes estrangeiros, espionando, controlando e manipulando rea\u00e7\u00f5es populares e articulando golpes e insurrei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_103098\" aria-describedby=\"caption-attachment-103098\" style=\"width: 808px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-103098\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Satanic-Claw.jpg\" alt=\"\" width=\"808\" height=\"776\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Satanic-Claw.jpg 808w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Satanic-Claw-300x288.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Satanic-Claw-768x738.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 808px) 100vw, 808px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-103098\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o <strong><em>Satanic Claw<\/em><\/strong> (&#8220;Garra Sat\u00e2nica&#8221;) com a inscri\u00e7\u00e3o de origem francesa <strong><em>honni soit qui mal y pense<\/em><\/strong> \u2013 significando &#8220;envergonhe-se quem nisto v\u00ea mal\u00edcia&#8221;. Este \u00e9 o lema da Ordem da Jarreteira, comenda brit\u00e2nica criada pelo rei Eduardo III de Inglaterra, no tempo das Cruzadas. Fonte: The British Empire, autor e data desconhecidos.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sob o Poder Estadunidense<\/strong><\/p>\n<p>O movimento que causaria a derrocada da domina\u00e7\u00e3o inglesa e colocaria no Poder os interesses dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), n\u00e3o tinha certamente este objetivo. Foram inconformismos militares, que ocorreram por toda d\u00e9cada de 1920, que motivaram o diversificado <a href=\"https:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas1\/anos20\/CrisePolitica\/MovimentoTenentista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Movimento Tenentista<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Vimos que houve diversos chamados \u00e0s for\u00e7as estrangeiras para conter movimentos brasileiros no s\u00e9culo XIX, e conhecemos as amea\u00e7as estrangeiras no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas (FFAA) eram mais expressivamente representadas pelo Ex\u00e9rcito, como ocorre at\u00e9 hoje. Conta-se que um dos est\u00edmulos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Petrobras veio de um general ao constatar \u2013 no tempo que todo combust\u00edvel no Brasil era importado por empresas estrangeiras \u2013 que havia menos de uma semana de gasolina e diesel para garantir o deslocamento das tropas. E isso considerando a soma de todo estoque no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nos EUA, em Israel, na R\u00fassia e em v\u00e1rios pa\u00edses (principalmente, aqueles belicistas) as FFAA s\u00e3o impulsionadoras do desenvolvimento industrial e tecnol\u00f3gico. \u00c9 bastante l\u00f3gico, pois a depend\u00eancia estrangeira de armamentos, equipamentos b\u00e9licos, ve\u00edculos e materiais de combate deixa qualquer pa\u00eds vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sempre houve uma corrente nas FFAA que se denomina nacionalista. Aquela proclamada defensora da autonomia industrial e tecnol\u00f3gica brasileira. Nos poucos momentos da nossa hist\u00f3ria em que elas tiveram participa\u00e7\u00e3o no Poder e influenciaram os Governos, podemos afirmar que a oposi\u00e7\u00e3o ocupou o Governo. Tal foi o caso, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.<\/p>\n<p>Quem foi oposi\u00e7\u00e3o a Vargas? Voltemos a Jess\u00e9 Souza para explicar a farsa intelectual do patrimonialismo e do homem cordial brasileiro. Transcrevo do j\u00e1 citado livro \u201cA Ral\u00e9 Brasileira\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">(Houve) um plano pol\u00edtico conscientemente arquitetado e levado \u00e0 pr\u00e1tica, por parte da elite paulista vencida por Vargas em 1930, no sentido de construir uma teoria e uma elite intelectual e pol\u00edtica antiestatal e liberalizante, como discurso legitimador para reconquista do poder pol\u00edtico perdido.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Por todo Imp\u00e9rio \u2013 com a escravid\u00e3o \u2013, e pela Rep\u00fablica Velha \u2013, com a neoescravid\u00e3o de imigrantes, concentrados nas \u201cterras roxas paulistas\u201d da monocultura do caf\u00e9 \u2013, o Poder esteve em m\u00e3os inglesas. Era a economia agr\u00e1rio-exportadora sob a moeda de refer\u00eancia brit\u00e2nica, a libra esterlina.<\/p>\n<p>Interessava aos EUA, que vinha impondo o novo modelo de capitalismo industrial, abrir mercados. N\u00e3o t\u00e3o seletivo como o do industrialismo ingl\u00eas, ainda que controlado pelo mercantilismo financeiro, mas orientado ao consumo de massa.<\/p>\n<p>A necessidade de muitos novos adquirentes exigia novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e tinha, como refor\u00e7o, a liberdade de consumo. Claro, vinha travestida para que fosse confundida com a liberdade individual e pol\u00edtica. Foi, ent\u00e3o, constru\u00eddo um pacote de direitos civis, trabalhistas e pol\u00edticos em oposi\u00e7\u00e3o ao neoescravagismo, onde a quest\u00e3o social deixava de ser \u201ccaso de pol\u00edcia\u201d, e as elei\u00e7\u00f5es tornaram-se decididas pelos representantes do Poder.<\/p>\n<p>Mas, como \u00e9 \u00f3bvio, para um pa\u00eds que tem o Poder nos interesses estrangeiros, a oposi\u00e7\u00e3o brasileira deveria se colocar tanto contra os interesses ingleses \u2013 advogados pelos fazendeiros paulistas \u2013, como dos estadunidenses \u2013 apoiadores de Get\u00falio Vargas. Esta dificuldade e as contradi\u00e7\u00f5es decorrentes tornaram necess\u00e1rio, para o per\u00edodo 1930 a 1945, implantar o Governo ditatorial.<\/p>\n<p>Mas opor-se a Vargas tamb\u00e9m era complexo, pois poderia levar ao liberalismo. Esse tipo de oposi\u00e7\u00e3o interna apenas atenderia aos interesses estrangeiros, pois seu Governo, como um leg\u00edtimo Governo de oposi\u00e7\u00e3o, impunha a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O discernimento do que seja, a cada Governo \u2013 eleito ou ditatorial \u2013, a aplica\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio da soberania, da cidadania e da seguran\u00e7a, torna-se uma grande dificuldade para se formar ou de se posicionar como oposi\u00e7\u00e3o a partir de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Passamos para a \u00faltima parte destas reflex\u00f5es, onde ser\u00e1 ainda mais dif\u00edcil entender um Poder \u2013 e consequentemente como agir\u00e3o os Governos \u2013, pois agora ele n\u00e3o tem origem no Estado Nacional, mas em um Sistema que pretende a domina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_103099\" aria-describedby=\"caption-attachment-103099\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/DcMhRfwmnL4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-103099 size-large\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/The-Three-Caballeros-Still-Movie-Poster-1024x481.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/The-Three-Caballeros-Still-Movie-Poster-1024x481.jpg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/The-Three-Caballeros-Still-Movie-Poster-300x141.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/The-Three-Caballeros-Still-Movie-Poster-768x361.jpg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/The-Three-Caballeros-Still-Movie-Poster.jpg 1661w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-103099\" class=\"wp-caption-text\">Imagem esq: Still do filme <strong>The Three Caballeros<\/strong> (&#8220;Os Tr\u00eas Amigos&#8221;), de Norman Ferguson e Clyde Geronimi (1944) para a companhia Walt Disney. Fonte: icollector.com | Imagem dir: Cartaz do mesmo filme (1944), no qual <strong>Aurora Miranda<\/strong> (irm\u00e3 menos famosa de Carmen Miranda) torna-se a primeira atriz a contracenar com personagens de anima\u00e7\u00e3o, dentre eles aquele criado para &#8220;simbolizar&#8221; o Brasil \u2013 o papagaio Z\u00e9 Carioca. Clique na imagem para assistir Aurora Miranda cantando <strong>&#8220;Os Quindins de Yay\u00e1&#8221;<\/strong>. Fonte: thegalleria.eu<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><em>* Pedro Augusto Pinho<\/em><\/strong><em> \u00e9 av\u00f4 e administrador aposentado.<\/em><\/p>\n<p>\u2022\u00a0\u2022\u00a0\u2022<\/p>\n<p>DE1 \u2013 No link voc\u00ea poder\u00e1 ler a transcri\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.historia.uff.br\/impressoesrebeldes\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Preciso.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">panfleto impresso em 1817<\/a> contra a tirania real em Pernambuco, por Maria Lizete dos Santos.<\/p>\n<p>DE2 \u2013 No artigo <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/bgoeldi\/v11n1\/1981-8122-bgoeldi-11-1-0055.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Guaran\u00e1, a m\u00e1quina do tempo dos Sater\u00e9-Maw\u00e9&#8221;<\/a>, da antrop\u00f3loga Alba Lucy Giraldo Figueroa (2016), a autora conta um pouco sobre o guaran\u00e1 proporcionar aos Sater\u00e9-Maw\u00e9 <em>&#8220;no primeiro povo ind\u00edgena brasileiro na hist\u00f3ria com um produto pr\u00f3prio, transformado e sistematicamente comercializado, em tempos coloniais e do Imp\u00e9rio.&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Pinho d\u00e1 sequ\u00eancia \u00e0 trilogia de artigos que explora a quest\u00e3o-chave aberta com a posse do governo Bolsonaro: Quem \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o no Brasil hoje? Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o tratando do per\u00edodo colonial, neste artigo o autor apresenta os v\u00ednculos do Brasil-Imp\u00e9rio, passa pela Velha Rep\u00fablica e alcan\u00e7a a Era Vargas mostrando o movimento pendular brasileiro desde a esfera de influ\u00eancia brit\u00e2nica at\u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o com o imp\u00e9rio estadunidense. Novamente, o foco est\u00e1 na compreens\u00e3o entre o controle (Poder) e o executor deste (Governo), e a apresenta\u00e7\u00e3o dos t\u00f3picos nacionalistas capazes de oferecer um contraponto \u00e0 dominac\u00e3o externa: soberania, cidadania, seguran\u00e7a e justi\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":103100,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[592,773,977,1995,2,1599,6],"tags":[2534,2540,494,2538,2533,2539,2536,2537,2535,59],"class_list":["post-103096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comentaristas","category-cultura","category-economia","category-globalismo-financista-vs-soberanismo","category-home","category-pedro-augusto-pinho","category-redacao","tag-cidadania","tag-era-vargas","tag-justica","tag-movimento-tenentista","tag-rale-brasileira","tag-republica-velha","tag-revolta-dos-cabanos","tag-revolucao-pernambucana","tag-seguranca","tag-soberania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/103096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=103096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/103096\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/103100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=103096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=103096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=103096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}