{"id":102946,"date":"2019-02-16T22:33:51","date_gmt":"2019-02-17T00:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102946"},"modified":"2019-02-16T22:33:51","modified_gmt":"2019-02-17T00:33:51","slug":"um-novo-comeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102946","title":{"rendered":"Um Novo Come\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 a continuac\u00e3o de outro \u2013 <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102323\"><strong>&#8220;Depois das Seis&#8221;<\/strong><\/a> \u2013, apresentado h\u00e1 algumas semanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto e arte por Geuvar Oliveira, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1vamos no ano de 1976 quando chegamos na casa nova, bem longe da que mor\u00e1vamos anteriormente. Essa era um pouco afastada do centro da cidade. A anterior ficava no centro, perto de tudo, mas era\u2026 mal-assombrada. Ou melhor, muito bem-assombrada.<\/p>\n<p>A nova tinha uma cal\u00e7ada alta, e a rua na frente n\u00e3o era asfaltada. Tinha areia, onde a gente aproveitava para jogar bola. Entramos enquanto os adultos ainda tiravam os m\u00f3veis de cima do caminh\u00e3o e levavam para dentro. Era uma casa mais simples com cinco c\u00f4modos: Uma sala, outra sala, cozinha e dois quartos. Tinha um quintal grande, cercado por arame (n\u00e3o lembro se era farpado) e com um po\u00e7o artesiano bem fundo. Daqueles com um carretel e uma lata de querosene amarrada por uma corda, para puxar a \u00e1gua. Logo, n\u00e3o havia \u00e1gua encanada.<\/p>\n<p>Olhei para dentro e vi a \u00e1gua brilhando l\u00e1 embaixo. O cheiro da umidade chegou at\u00e9 ao meu nariz. Meu pai chamou-me a aten\u00e7\u00e3o para sair de perto da borda do po\u00e7o e sai rapidamente.<\/p>\n<p>Do lado direito t\u00ednhamos um vizinho, o qual minha m\u00e3e ainda riria muito dele, porque cantava alto e ela achava-o parecido com um bode berrando. Nesse tempo, a novela <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Escrava_Isaura_(telenovela_de_1976)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>A Escrava Isaura<\/strong><\/a> fazia um sucesso enorme, assim como o seriado estadunidense <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/S.W.A.T._(seriado)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>S.W.A.T.<\/em><\/strong><\/a>, para voc\u00ea ver como o fascismo \u00e9 algo que podemos chamar de raiz.<\/p>\n<p>Ocorria ainda um fato curioso: Havia um rumor discos voadores estavam aparecendo e levando as pessoas. A cidade toda falava sobre isso. Um dia, eu e os manos brinc\u00e1vamos embaixo de uma \u00e1rvore pr\u00f3xima da casa, e um dos meus irm\u00e3os berrou: &#8220;\u2013 Corram! Corram! Olha o disco voador!&#8221; A negrada disparou a correr sem olhar para tr\u00e1s. Nem eu olhei. Naquela manh\u00e3, ningu\u00e9m fez piada. Apesar do meu irm\u00e3o jurar que viu mesmo, ficou uma d\u00favida. Toda vez que \u00edamos para o campo de futebol, eu olhava para cima da \u00e1rvore. Depois de muitos tempo, j\u00e1 um adulto de 40 anos, fiz uma pesquisa sobre alien\u00edgenas, para uma HQ. Foi a\u00ed que descobri a hist\u00f3ria bem louca da <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40784488\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o Prato<\/strong><\/a>, uma opera\u00e7\u00e3o militar realizada no Par\u00e1 para investigar apari\u00e7\u00f5es de OVNIS. Tinha relatos delas em v\u00e1rias partes do Brasil e, no mesmo ano de 1976. Enquanto eu desenhava a tal HQ, lembrava-me do tempo de menino.<\/p>\n<p>Uma vez sai para <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=define%3Apassarinhar&amp;oq=define%3Apassarinhar&amp;aqs=chrome..69i57j69i58.5081j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">passarinhar<\/a> com o meu irm\u00e3o. Ele era craque na baladeira. And\u00e1vamos pelo cerrado, cerca de meio quil\u00f4metro de casa, quando encontramos um boi morto. Aquilo me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. Olhei aquele bicho enorme ca\u00eddo, j\u00e1 fedendo, com urubus \u00e0 volta. Quando nos viram, voaram, mas ainda ficaram por perto, agitados, ainda muito interessados na refei\u00e7\u00e3o. Com a curiosidade sempre agu\u00e7ada, passei os olhos desde os chifres at\u00e9 as patas. Nunca tinha visto algo t\u00e3o grande assim, morto. Depois de alguns minutos, meu irm\u00e3o chamou-me para seguirmos. Andamos mais um pouco e voltamos com algumas <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fogo-apagou\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>rolinhas fogo-apagou<\/strong><\/a> no moc\u00f3.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, que ainda estava doente, n\u00e3o ia mais ao terreiro porque se desentendeu com a Ialorix\u00e1 (M\u00e3e de Santo). Assim, ela buscava outro lugar que fosse confi\u00e1vel. Das suas duas amigas que sempre estavam com ela, uma resolveu ficar no terreiro, e a outra deixou-o e passou a segui-la, Essa dormia de vez em quando l\u00e1 em casa. A amiga de minha m\u00e3e \u2013 Dona Ant\u00f4nia, o nome dela \u2013 era uma pessoa muito carinhosa e gostava muito de mim. Era uma senhora j\u00e1 com seus 60 anos. Sempre que ela ia dormir l\u00e1 era porque meu pai estava na delegacia ou em dilig\u00eancia nas ch\u00e1caras distantes.<\/p>\n<p>A Dona do terreiro ficou chateada porque Dona Ant\u00f4nia deixou o lugar para acompanhar minha m\u00e3e e prometeu vingan\u00e7a. Com aquele tom amea\u00e7ador de &#8220;ela vai me pagar&#8221;. Dona Ant\u00f4nia encontrou uma pessoa para minha m\u00e3e consultar. Numa determinada noite, elas resolveram ir na casa da pessoa, para a primeira consulta. Pedi para ir junto e ela deixou.<\/p>\n<p>Logo depois das seis, ela passou as ordens aos meus irm\u00e3os e come\u00e7amos a andar. A nossa casa n\u00e3o era muito longe da rodovia principal. Seguimos \u00e0 margem da rodovia, eu atr\u00e1s das duas, enquanto elas conversavam sobre a consulta. Minha m\u00e3e parecia preocupada. Os sapos cantavam como se formassem um grande coral. O ronco do sapo-boi at\u00e9 assustava um pouco. \u00c0 medida que and\u00e1vamos, a noite passava a cair.<\/p>\n<p>Chegamos no local. Uma casa de t\u00e1bua, muito simples, tamb\u00e9m \u00e0 margem da rodovia. N\u00e3o lembro se era coberta de telha ou palha, mas era pequena. Fiquei olhando a frente da casa toda remendada, e Dona Ant\u00f4nia chamou. Saiu uma mulher pedindo para que a gente entrasse. Por dentro, de grande apenas a decep\u00e7\u00e3o: Cad\u00ea o terreiro? E o altar? N\u00e3o tinha nada. Tinha apenas um rezador \u2013 um homem que rezava nas pessoas.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7ou a falar com elas. Lembro que ele era s\u00e9rio e n\u00e3o expressou nenhum tipo de sinal com a face. Dona Ant\u00f4nia apresentou minha m\u00e3e e, enquanto conversavam, eu corria os olhos na casa toda. Cortinas nas portas, panelas dependuradas nas paredes, lamparinas acesas que deixavam a casa na penumbra\u2026<\/p>\n<p>A fisionomia do homem sumiu da minha mente. A da Dona Ant\u00f4nia tamb\u00e9m, mas lembro que ambos eram mesti\u00e7os. Dona Ant\u00f4nia um tiquinho mais negra. Os tr\u00eas conversavam em um quarto com uma cortina como porta. Eu fiquei sentado em um <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?ei=gWBoXMDzFuTM5OUP5fus0Ag&amp;q=define%3Atamborete&amp;oq=define%3Atamborete&amp;gs_l=psy-ab.3...1488.1488..2247...0.0..0.109.109.0j1......0....1..gws-wiz.......0i71.b-7akmqyxqA\">tamborete<\/a> na sala. Passou um tempo, as tr\u00eas pessoas sa\u00edram do quarto ainda conversando. O tal homem sisudo falou que minha m\u00e3e tinha que come\u00e7ar a trabalhar, e que era a Ialorix\u00e1 Dona do terreiro que estaria fazendo coisas ruins para ela.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos da casa, despediram-se e come\u00e7amos a andar de volta. Na rua estava um breu. Era quase imposs\u00edvel ver dois metros \u00e0 frente. Mais adiante, enquanto andava olhei para tr\u00e1s, mas a casa tinha sumido na escurid\u00e3o. Vi apenas a cor da luz de lamparina. Elas falavam sobre a consulta e elogiavam o mo\u00e7o, achando-o sincero. Dona Ant\u00f4nia quis saber se minha m\u00e3e ia seguir o conselho dele e come\u00e7ar a trabalhar. Imaginei que minha m\u00e3e fosse arrumar um emprego. Ela respondeu que n\u00e3o sabia.<\/p>\n<p>Um dia, estava no quintal perto do po\u00e7o e minha m\u00e3e estava por l\u00e1 tamb\u00e9m, fazendo alguma coisa. De repente, ela me chama e pede para eu entrar. Olhei-a e ela estava fitando o c\u00e9u, nervosa. Perguntei o que estava acontecendo e ela disse: &#8220;\u2013 Olha esse tanto de gafanhotos vindo!&#8221; Olhei para cima e n\u00e3o vi nada, apenas o c\u00e9u calmo e azul de um ver\u00e3o da inf\u00e2ncia. Mas ela, com grande agita\u00e7\u00e3o, mandou-me entrar r\u00e1pido enquanto balan\u00e7ava os bra\u00e7os freneticamente para frente e para tr\u00e1s como se estivesse afastando algo. Entrei na frente e ela entrou de costas, fechando rapidamente a porta que dava para o quintal. Ela foi para o quarto, ajoelhou-se e bateu a testa no ch\u00e3o tr\u00eas vezes. E come\u00e7ou a fazer aquilo com os bra\u00e7os novamente. Ficou naquele frenesi por muito tempo, tanto que nem lembro quem fez o almo\u00e7o. Ali\u00e1s, nem lembro se teve almo\u00e7o naquele dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-102948\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15-1024x749.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15-1024x749.jpg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15-300x220.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15-768x562.jpg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15.jpg 1219w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando Dona Ant\u00f4nia (que era m\u00e9dium) chegou, chamou por ela, levantando-a do ch\u00e3o e fazendo com que parasse com a agita\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os. Sentaram na cama e come\u00e7aram a conversar. E eu ali na porta, ouvindo a conversa, passado de estado de preocupado para o de pavor. A amiga perguntou o que ela fazia, e minha m\u00e3e respondeu que estava tirando os gafanhotos de dentro de casa. Que havia tirado todos, inclusive. Dona Ant\u00f4nia perguntou quem ensinou ela a fazer aquilo e ela respondeu: \u201c\u2013 Eles!\u201d M\u00e9diuns s\u00e3o emp\u00edricos, eles n\u00e3o costumam dar nomes para as entidades que os cercam. Ao menos, os que eu conheci at\u00e9 agora durante a vida. E ela entendeu o que minha m\u00e3e respondera. Continuaram conversando, e Dona Ant\u00f4nia passou a morar l\u00e1 em casa para ajudar minha m\u00e3e. Aquilo era o trabalho que o rezador do casebre na beira da rodovia tinha sugerido. Ele disse que minha m\u00e3e era m\u00e9dium e que ela deveria desenvolver sua mediunidade, sen\u00e3o teria problemas.<\/p>\n<p>Certos ensinamentos, a escola normativa nunca vai ensinar. E n\u00e3o estou falando dessa quest\u00e3o espiritual espec\u00edfica. Existe muita coisa, que de prop\u00f3sito ou n\u00e3o, passa batido pelo indiv\u00edduo. Existe tanta coisa na vida, que a gente sai dela sem saber. Muitas dessas coisas s\u00e3o t\u00e3o b\u00e1sicas, que \u00e9 de desconfiar. Sinceramente, eu s\u00f3 vim saber realmente o que \u00e9 fogo e \u00e1gua, recentemente. Antes, eu apenas pen-sa-va-que-sa-bia.<\/p>\n<p>Aconteceu durante os estudos sobre Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica. Estava vendo a respeito de vibra\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e dimens\u00f5es, quando relacionei a quest\u00e3o com o fogo. Fui procurar saber o que era o fogo e n\u00e3o achei na internet, tampouco nos livros de ci\u00eancia dos meus filhos ou naqueles meus que uso de vez em quando. As explica\u00e7\u00f5es que obtive eram <strong>como ocorria<\/strong> o fogo. Que eu precisaria de algo para a combust\u00e3o e tal, tudo muito superficial. Fiquei intrigado, e digitei fogo relacionando com a F\u00edsica Qu\u00e2ntica. A pesquisa foi longa, mas fiquei satisfeito. O algoritmo de procura ofereceu muitas coisas, inclusive relacionando isso com o meu filme preferido, <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0133093\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>The Matrix<\/em><\/strong><\/a>, de The Wachowski Brothers (1999)!<\/p>\n<p>Assim como a colher ou a parede, o fogo tamb\u00e9m n\u00e3o existe. O fogo \u00e9 o movimento dos \u00e1tomos e das mol\u00e9culas em alt\u00edssima velocidade. E essa velocidade intensa causa a sensa\u00e7\u00e3o do calor sobre a pele ou outra superf\u00edcie que esteja em menor movimento. A mesma coisa acontece com a \u00e1gua, s\u00f3 que em sentido contr\u00e1rio: Os \u00e1tomos e as mol\u00e9culas da \u00e1gua se movem bem mais lentamente, dando a sensa\u00e7\u00e3o de frio. Enquanto t\u00eam os \u00e1tomos do fogo que vibram em grande velocidade, os da \u00e1gua em forma de gelo, est\u00e3o praticamente inertes.<\/p>\n<p>Explica\u00e7\u00f5es obtidas por estudos de f\u00edsicos. Os \u00e1tomos, mol\u00e9culas e part\u00edculas s\u00e3o energia. Tudo resume-se a energia e onda (movimento) na exist\u00eancia. As coisas, segundo os experimentos da Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, existem porque n\u00f3s as colapsamos. Como no experimento da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Experi%C3%AAncia_da_dupla_fenda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>dupla fenda<\/strong><\/a>, onde o observador colapsa a fun\u00e7\u00e3o de onda do \u00e1tomo. N\u00f3s colapsamos as coisas a nossa volta. Assistindo pela primeira vez <em>The Matrix<\/em>, quando o menino diz ao Neo, \u201ca colher n\u00e3o existe\u201d, eu n\u00e3o tinha lido nada sobre a teoria da F\u00edsica Qu\u00e2ntica. Achei incr\u00edvel o di\u00e1logo do Morpheus e Neo no sof\u00e1. Foi demais! O que \u00e9 a mesa sob o computador, a parede ao meu lado, sen\u00e3o energia congelada. N\u00f3s somos energia congelada para ter experi\u00eancia nesta dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Por que eu estou falando isso com essa convic\u00e7\u00e3o? Porque tive uma experi\u00eancia fant\u00e1stica, quando menino, durante uma ca\u00e7ada de passarinhos no mato: O meu saco de pedras, o qual levava para atirar com a baladeira, sumiu de perto de mim sem deixar vest\u00edgio nenhum. Isso eu falei no texto <strong>O Saco de Pedras<\/strong>. Naquele momento eu fiquei desorientado, mas muito tempo depois, posso relacionar com esses conhecimentos adquiridos da F\u00edsica Qu\u00e2ntica. Agora, outro fato dessa natureza: Quando menino, ao fechar os olhos, via uma quantidade infinita de energia \u00e0 minha volta e aquilo me divertia. Por isso n\u00e3o vejo nenhum problema em relacionar a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica com um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, porque afinal o conhecimento do filme vem das descobertas dessa ci\u00eancia. S\u00f3 precisamos relacionar as coisas sabendo a diferen\u00e7a entre fic\u00e7\u00e3o e as quest\u00f5es da f\u00edsica qu\u00e2ntica na realidade.<\/p>\n<p>Eu sempre ajudava os meus irm\u00e3os mais velhos a pegar \u00e1gua no po\u00e7o. Nunca fazia isso porque era perigoso, e a lata era pesada para mim. Mas, naquele dia, estava sozinho em casa e resolvi pegar \u00e1gua para tomar banho. Desci a lata vazia at\u00e9 embaixo, sacudi, ela encheu e comecei a puxar. Era pesada mesmo. Quando chegou no topo, estava com as duas m\u00e3os no carretel. O carretel parece um tim\u00e3o de navio antigo. Ao soltar uma das m\u00e3os para pegar na al\u00e7a de madeira da lata, n\u00e3o tive for\u00e7a, e a lata caiu me puxando para dentro do po\u00e7o. Com metade do corpo para dentro, soltei a lata, que desabou muito rapidamente. Eu me segurei na borda do po\u00e7o para n\u00e3o ir junto. Foi um barulho muito forte da lata na \u00e1gua l\u00e1 embaixo. Subiu um calor pelo corpo. Minhas orelhas ficaram quentes e o cora\u00e7\u00e3o quase saiu pela boca mergulhando atr\u00e1s da lata. Um dos pegadores do carretel bateu no meu bra\u00e7o e doeu muito. Parei um pouco para respirar e, depois, olhei l\u00e1 para dentro. Se tivesse ca\u00eddo teria ficado l\u00e1, pois estava sozinho em casa. Puxei a lata novamente, mas dessa vez com muito mais cuidado. Com grande dificuldade, consegui por a lata na beirada do po\u00e7o. Estava bastante amassada. At\u00e9 parece que estou revendo aquele lugar, o ch\u00e3o do quintal e a cor branca meio cinza, ao redor do po\u00e7o. Escapei por pouco naquele dia.<\/p>\n<p>Numa outra noite, acordei na madrugada e pus a cabe\u00e7a para fora da rede. Todos os irm\u00e3os dormiam, mas senti algo estranho. Uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel. Joguei as bordas da rede uma sobre a outra, me fechando como em um casulo, ficando quietinho l\u00e1 dentro, apenas ouvindo. De repente, senti um forte abra\u00e7o na rede me apertando. Foi muito r\u00e1pido. Dei um grito bem alto, que acordou a galera. Levantaram as cabe\u00e7as e minha m\u00e3e veio correndo, juntamente com a Dona Ant\u00f4nia. Relatei que levei um abra\u00e7o e que estava assustado. Ficaram ali um pouco comigo. Os irm\u00e3os voltaram a dormir e, depois de um tempo, elas voltaram para o outro quarto. Mas a\u00ed, n\u00e3o dormi e fiquei de olho bem aberto. Como a coragem ainda n\u00e3o tinha vindo, resolvi ir para o quarto dela. Levantei e comecei a andar, quando cheguei na porta do quarto a porta estava aberta, vi minha m\u00e3e em p\u00e9 rezando e a Dona Ant\u00f4nia quase flutuando em cima da cama, toda esticada. Ela estava com os cabelos como se tivesse levado um choque el\u00e9trico. Uma cena bastante assustadora. Ao me ver minha m\u00e3e mandou voltar ao quarto e fechou a porta. Ouvi ainda um falat\u00f3rio no quarto, at\u00e9 despertar de manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-102949\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15a.jpg\" alt=\"\" width=\"884\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15a.jpg 884w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15a-300x182.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15a-768x465.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 884px) 100vw, 884px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando foi mais tarde, chegou uma senhora amiga da minha m\u00e3e dizendo que a Ialorix\u00e1 dona do terreiro tinha morrido naquela madrugada. Ela estava em um baile em noite de r\u00e9veillon. Minha m\u00e3e respondeu: \u201c\u2013 Eu sei! Ela veio ontem aqui, assustou meu filho e depois deu muito trabalho para sair do corpo da Ant\u00f4nia!\u201d Dona Ant\u00f4nia confirmou para a visitante e minha m\u00e3e continuou: \u201c\u2013 Ela veio me pedir perd\u00e3o pelo o que me fez, e disse n\u00e3o saber quem eu era e quem estava comigo!\u201d As palavras dela soaram com uma certa autoestima. Algo havia mudado nela. N\u00e3o parecia mais aquela mulher analfabeta com a clav\u00edcula quebrada. Eu estava ali do lado ouvindo a conversa. A morta ainda veio outras vezes pedir perd\u00e3o, mas ouviu minha m\u00e3e dizer que s\u00f3 quem perdoava era Deus. Ela n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o de fazer aquilo. De outra vez, minha m\u00e3e relatou que ela veio em forma de uma grande cabe\u00e7a com olhos esbulhados, tendo uma cabeleira ao melhor estilo <em>black power<\/em>, com escapas como adere\u00e7os na juba.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-102950\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/cabec\u0327a.jpg\" alt=\"\" width=\"889\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/cabec\u0327a.jpg 889w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/cabec\u0327a-300x225.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/cabec\u0327a-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aquela mulher, quando viva, tinha muito cabelo mesmo. Mas era escorrido e n\u00e3o <em>black power<\/em>. Ela era mesti\u00e7a, baixa e de porte magro. Talvez por isso que n\u00f3s crescemos e ela nunca permitiu que us\u00e1ssemos os cabelos ao estilo dos garotos do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Jackson_5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Jackson 5<\/em><\/strong><\/a>. Os primos todos tinham as cabeleiras iguais a do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tony_Tornado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Tony Tornado<\/strong><\/a>, mas n\u00f3s sempre fic\u00e1vamos com os cortes mais &#8220;conservadores&#8221;. S\u00f3 depois dos dezoito anos come\u00e7amos a usar, sobre intenso bombardeio dela. Claro, era ela mesma quem cortava nossos cabelos no estilo lata de sardinha\u2026 Como se pusesse uma lata de sardinha vazia e virada para baixo em cima de nossas cabe\u00e7as, raspando tudo que estivesse fora do per\u00edmetro. Depois, s\u00f3 aparava o que ficara dentro da lata. Aquilo deixava os negros grilados, n\u00e3o tinha jeito. Se desobedec\u00eassemos, ter\u00edamos que dar uma volta no quarteir\u00e3o com o corte. Mas a negrada queria ser estilosa. Sabe como \u00e9, n\u00e9?<\/p>\n<p>Talvez por causa desses estilos todos, eu tenha perdido aquela percep\u00e7\u00e3o de enxergar a onda de energia, n\u00e3o sei. Na mesma noite que ela viu a cabe\u00e7a flutuando sobre a parede e pedindo perd\u00e3o, ela contou que estava sozinha enquanto Dona Ant\u00f4nia dormia um sono profundo. Mas ela n\u00e3o estava sozinha por falta de companhia de gente vis\u00edvel. Seus protetores espirituais, por algum motivo, n\u00e3o estavam presentes. Ent\u00e3o ela come\u00e7ou a rezar em sil\u00eancio enquanto entrava algu\u00e9m na casa que, com grande for\u00e7a, manda a cabe\u00e7a fantasma ir embora. Depois ficou ali, protegendo-a at\u00e9 amanhecer o dia. Ela me disse o nome da entidade, mas vou manter em segredo. A intimidade n\u00e3o \u00e9 tanta assim, mas &#8220;elx&#8221; foi de grande ajuda. Passei a dormir mais tranquilo. Minha m\u00e3e afirmou que &#8220;elx&#8221; estava passando na rua, quando ouviu sua prece e veio em socorro, mas n\u00e3o fazia parte das entidades que normalmente ficavam com ela. Por isso, \u00e9 sempre bom dar uma rezada de vez em quando.<\/p>\n<p>A fama dela ampliou. Ela deu uma valorizada e come\u00e7ou a rezar no povo, igual ao mo\u00e7o da margem da rodovia, s\u00f3 que do jeito dela. Certamente, isso causou muita chatea\u00e7\u00e3o no meu pai. Ele n\u00e3o queria aquilo. A casa n\u00e3o tinha virado um terreiro de Umbanda, mas tinha deixado de ser uma casa comum. Ao menos numa determinada hora do dia, quando eles come\u00e7avam a chegar querendo um al\u00edvio. Por volta das seis e meia da tarde, mais ou menos, parecia a casa do Chico Xavier em tempos de psicografia. Minha m\u00e3e n\u00e3o cobrava para fazer a reza, mas as pessoas levavam coisas para ela. Eram presentes em forma de roupa, galinha, porco, frutas, gr\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>Uma vez passou um fot\u00f3grafo pela vizinhan\u00e7a, indo l\u00e1 em casa perguntar se ela n\u00e3o queria tirar uma foto. Ela topou, p\u00f4s a indument\u00e1ria e o fot\u00f3grafo come\u00e7ou a tirar v\u00e1rias fotos. Minha m\u00e3e j\u00e1 era tratada como \u201cmadrinha\u201d por aqueles que vinham lhe pedir uma reza e por seus ajudantes. Tudo acontecia na sala em frente, em um altar cheio de quadros e est\u00e1tuas de santos brancos. Apenas o Preto Velho e a padroeira do Brasil, como negros. Havia Yemanj\u00e1, mas era a pintura de uma mulher branca, mesmo que se saiba que essas entidades s\u00e3o de origens negras. Como na justi\u00e7a nacional, t\u00ednhamos uma representatividade m\u00ednima dos <em>Black Brothers<\/em> naquele altar. Uma representa\u00e7\u00e3o perfeita da distribui\u00e7\u00e3o de poder na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Quando o fot\u00f3grafo veio mostrar as fotos foi aquele alvoro\u00e7o. Dos quatro m\u00e9diuns que estavam na frente do altar, havia uma grande faixa de energia cobrindo um dos lados do corpo de minha m\u00e3e, e de dois m\u00e9diuns tamb\u00e9m, s\u00f3 que em menor escala em um e menor ainda no outro. Aquilo foi uma coisa, at\u00e9 meu pai que n\u00e3o entendia muito bem aquilo pediu para ver a foto e ficou admirado. \u00c0s vezes, eu ficava olhando por muito tempo para aquela foto e aqueles feixes de luz sobre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-102951\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15b-com-frame-1024x838.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15b-com-frame-1024x838.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15b-com-frame-300x246.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15b-com-frame-768x629.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/15b-com-frame.png 1466w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje ela est\u00e1 com 86 anos, e meu pai faleceu em 2016, no mesmo m\u00eas que eu publiquei o \u00faltimo n\u00famero de uma de minhas HQs. Ela sofreu um AVC em 2017, mas n\u00e3o ficou com sequelas. Sempre recebe a visita de meu pai, que era um mulherengo, como quase todo policial. Ele vem lhe pedir desculpas e reafirma sempre que ela n\u00e3o teve culpa de nada. Ele deve se referir \u00e0 sua morte, porque ele foi embora de casa em 92 e n\u00e3o voltou mais. S\u00f3 quando j\u00e1 estava muito doente, meus irm\u00e3os foram busc\u00e1-lo de onde estava e o milico morreu perto da fam\u00edlia. Foi tenso!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele fala isso quando a vem visitar, que ela n\u00e3o teve culpa, que foi ele que teve. Se \u00e9 verdade o que ela diz? Sim, outro dia, estava no trabalho, digitando algo e, de repente, deu-me uma vontade de cantar uma marcha de carnaval que ele sempre cantava quando estava embriagado. Era muito divertido ouvir ele cantando a marchinha com a voz pastosa pela bebida. E comecei a cantar quase que no autom\u00e1tico aquela composi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/youtu.be\/IZf6FlWOAu8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Braguinha<\/strong><\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>Vai<br \/>\nCom jeito vai<br \/>\nSen\u00e3o um dia<br \/>\nA casa cai<br \/>\nMenina<br \/>\nVai<br \/>\nCom jeito vai<br \/>\nSen\u00e3o um dia<br \/>\nA casa cai<br \/>\nSe algu\u00e9m<br \/>\nTe convidar<br \/>\nPra tomar banho<br \/>\nEm Paquet\u00e1<br \/>\nPra piquenique na Barra da Tijuca<br \/>\nOu pra fazer um programa no Jo\u00e1<br \/>\nMenina\u2026<\/p><\/blockquote>\n<p>Os pelos do meu bra\u00e7o direito levantaram. Quase como o &#8220;sentido de aranha&#8221; do Peter Parker. Sabia que ele estava ao meu lado. Fiquei feliz por ele ter vindo me visitar. N\u00f3s somos energia e energia n\u00e3o desaparece. Todos n\u00f3s, sem distin\u00e7\u00e3o, acreditando ou n\u00e3o, ateu ou crente, somos m\u00e9diuns ou canais. A quest\u00e3o \u00e9 que nem todos desenvolvem essa aptid\u00e3o, por motivos diversos ou apenas por pura falta de sintonia com a energia primordial.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a cren\u00e7a na exist\u00eancia ou n\u00e3o de Deus que far\u00e1 a diferen\u00e7a, mas o bem que se faz as pessoas. Pois, na verdade, Deus n\u00e3o \u00e9 o nome e sim a a\u00e7\u00e3o de fazer o bem.<\/p>\n<p>Desculpem-me pela \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, rsrs!<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 sobre religi\u00e3o, mas sobre benevol\u00eancia (lembrei do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cabo_Daciolo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Cabo Daciolo<\/strong><\/a> agora). Tenho muitos amigos ateus que ganham de 10 a 0 dos ditos religiosos, no quesito amar ao pr\u00f3ximo. E essas pessoas s\u00e3o boas porque querem ir para o c\u00e9u dos ateus? N\u00e3o! Apenas porque \u00e9 o certo a fazer: Ter respeito e tratar o outro com dignidade.<\/p>\n<p>Ao citar ci\u00eancia e fatos sobrenaturais, d\u00e1 a impress\u00e3o que coloco na mesma vasilha coisas diferentes. Talvez, do ponto de vista de um <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paradigma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>paradigma<\/strong><\/a> acad\u00eamico, eu sinto que deva apresentar algo sobre ambos os lados \u2013 cient\u00edfico e emp\u00edrico. A quest\u00e3o da Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica est\u00e1 relacionada ao lado acad\u00eamico, cient\u00edfico, e a quest\u00e3o relacionada ao espiritualismo \u2013 no caso as vis\u00f5es de minha m\u00e3e e as minhas \u2013, \u00e0 busca do Eu interior. Cresci dentro do sincretismo percebido entre a igreja Cat\u00f3lica e as religi\u00f5es de matrizes africanas, e cada rela\u00e7\u00e3o aconteceu em tempos diferentes. Na adolesc\u00eancia passei a frequentar o catolicismo por causa da escola, e minha m\u00e3e tamb\u00e9m ia \u00e0 missa sempre que podia.<\/p>\n<p>Inclusive, quando minha irm\u00e3 nasceu (a \u00fanica mulher dentre os 7 filhos) teve um impasse na hora do batismo. Minha m\u00e3e escolheu o nome Iemanj\u00e1 para ela, e o padre n\u00e3o quis batizar. A\u00ed a coisa ficou amarrada na frente do altar. Minha m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 de falar muito, mas \u00e9 uma mulher decidida. \u201c\u2013 O nome \u00e9 esse, padre! Isso j\u00e1 est\u00e1 resolvido!\u201d E esses padres de cidade pequena, l\u00e1 dos meados dos anos setenta, pensavam que eram autoridades. Ele botou o p\u00e9 na parede e ficaram l\u00e1. Todo mundo em p\u00e9, inclusive a penca de santos brancos, todos acompanhando aquele conflito paroquial. E, daquela vez, no altar n\u00e3o tinha sequer um santo preto; eram todos clarinhos. Ali\u00e1s, com um grau de pompa e circunst\u00e2ncia bem acima em rela\u00e7\u00e3o ao altar da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Passou um tempo, o padre viu que n\u00e3o teria jeito, e veio com uma solu\u00e7\u00e3o: \u201c\u2013 Ent\u00e3o vamos por o nome da crian\u00e7a de Iamanj\u00e1!\u201d Percebam, &#8220;I-a-manj\u00e1&#8221;. Os padrinhos e minha m\u00e3e entraram num acordo e toparam. O padre argumentou que o nome era muito forte para a crian\u00e7a, e por isso ele sugeriu aquela pequena mudan\u00e7a. Minha m\u00e3e disse que \u201cELES\u201d, lembram? Eles deram uma rodopiada no padre, e por isso a coisa andou. Mas como meus irm\u00e3os tinham a mania de por apelidos meigos uns nos outros, ela ficou com \u201cIA\u201d. Na adolesc\u00eancia mudou para &#8220;Nega IA&#8221;. S\u00f3 as professoras e professores que a chamavam de Iamanj\u00e1, at\u00e9 acostumar, e depois seguiram com IA. Mas o padre tinha raz\u00e3o, o nome \u00e9 muito forte mesmo. Ela adquiriu uma personalidade muito forte. Essa negra enfrenta as adversidades rindo. Faz o que d\u00e1 na telha, na boa.<\/p>\n<p>Mas, voltando \u00e0 Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, quando comecei a pesquisar cerca de dois anos atr\u00e1s, conheci uma pessoa chamada <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=29SPaFHRvj4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>H\u00e9lio Couto<\/strong><\/a>, um estudioso desse assunto e que tem muitos v\u00eddeos em seu site. Passei a assistir seus v\u00eddeos e, em um deles, ele fala sobre os m\u00e9diuns e diz que as religi\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias devida a compreens\u00e3o de cada indiv\u00edduo. E que os m\u00e9diuns s\u00e3o f\u00edsicos emp\u00edricos, pois movimentam as mesmas for\u00e7as produzidas pelos os experimentos da f\u00edsica qu\u00e2ntica, s\u00f3 que na tentativa do acerto e erro.<\/p>\n<p>Tudo na vida \u00e9 energia. N\u00f3s somos feitos de energia, ou melhor, ONDA. O fato \u00e9 que, depois dos livros e autores que ele indicou para ler, eu passei a entender melhor a mim mesmo. Muitas coisas passaram a fazer sentido. E a partir desses estudos, passei a observar melhor o mundo ao meu redor. No texto anterior mencionado \u2013 <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cO Saco de Pedras\u201d<\/strong><\/a> \u2013, comentei que n\u00e3o tinha uma explica\u00e7\u00e3o para o sumi\u00e7o do saco com as pedrinhas que estava comigo. Mas, depois dos estudos, revisitei aquele momento para entend\u00ea-lo melhor.<\/p>\n<p>Se tudo \u00e9 energia, vamos voltar l\u00e1 no \u00e1tomo e nas part\u00edculas que falei acima. O \u00e1tomo do fogo move-se numa frequ\u00eancia muito r\u00e1pida e, por isso, d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de calor. J\u00e1 a \u00e1gua tem seus \u00e1tomos vibrando numa frequ\u00eancia muito baixa, em baix\u00edssima velocidade, dando a sensa\u00e7\u00e3o de frio e, quando mais lenta, na forma de gelo. Dessa forma, a onda que se move em alta frequ\u00eancia, quando reduz a velocidade, o que surge? A massa, ou seja, as coisas. Indo por esse pressuposto, a mesa, parede, n\u00f3s todos e tudo somos energia congelada, assim como a \u00e1gua que se torna gelo e fica s\u00f3lida. Pensem em duas situa\u00e7\u00f5es do \u00e1tomo, o fogo e a nossa pele se aproximando um do outro. Os \u00e1tomos da nossa pele congelada, ou vibrando em baix\u00edssima frequ\u00eancia e o fogo numa frequ\u00eancia altamente fren\u00e9tica, o que vai acontecer \u00e9 que os \u00e1tomos da nossa pele v\u00e3o come\u00e7ar a vibrar ao aproximar do fogo, como a \u00e1gua na chaleira, ent\u00e3o o c\u00e9rebro vai perceber que algo est\u00e1 acontecendo e vai acusar dor, por causa da mudan\u00e7a naquele local.<\/p>\n<p>No ano de 1890, no auge das investiga\u00e7\u00f5es promovidas pelo Espiritismo de Alan Kardec, uma m\u00e9dium brit\u00e2nica chamada <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Elizabeth_d'Esp%C3%A9rance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Elisabeth D\u2019Esp\u00e9rance<\/strong><\/a>, durante <a href=\"http:\/\/www.autoresespiritasclassicos.com\/autores%20espiritas%20classicos%20%20diversos\/mediuns\/Elisabeth%20Esperance\/Elisabeth%20D%27Esp%C3%A9rance.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">experimento investigativo<\/a>, desmaterializou-se e foi agarrada por algu\u00e9m, obtendo por causa do gesto externo in\u00fameras queimaduras pelo corpo.<\/p>\n<p>N\u00e3o caberia a pergunta sobre essa quest\u00e3o de alta frequ\u00eancia no estado da m\u00e9dium, saindo de um estado de \u201ccongelamento\u201d para um de alt\u00edssima vibra\u00e7\u00e3o, ou ainda saindo da nossa dimens\u00e3o, onde a frequ\u00eancia \u00e9 uma indo para uma dimens\u00e3o mais acima, onde a frequ\u00eancia \u00e9 outra, mais r\u00e1pida? N\u00e3o seria por isso que sumiria das nossas vistas, como aconteceu com o saco de pedras que eu carregava? E quanto aos esp\u00edritos que minha m\u00e3e enxergava ou que eu via, n\u00e3o seriam seres de uma outra dimens\u00e3o, numa outra frequ\u00eancia? Aquilo que damos o nome de esp\u00edritos?!<\/p>\n<p>Quando menino eu fechava os olhos e via algo diferente de quando com os olhos abertos. Quando fechados, via uma grande onda de energia cobrindo todos os lugares. Era como os chuviscos de uma televis\u00e3o anal\u00f3gica fora do ar. Mas apesar de ver aquela onda de energia, minhas m\u00e3os sentiam as coisas reais, ou seja, a parede, a rede onde estava sentado, o ch\u00e3o. Por que n\u00e3o mergulhava completamente naquela onda? Porque j\u00e1 havia criado meu mundo e meu consciente congelou nele, fazendo com que vibrasse na mesma frequ\u00eancia das coisas as quais vejo. Por isso eu as vejo e as toco, porque estou sintonizado com elas.<\/p>\n<p>E por que m\u00e9diuns como a minha m\u00e3e e a Dona Ant\u00f4nia veem seres em outras frequ\u00eancias? Porque s\u00e3o canais abertos com a energia primordial. Para esse fim, essas pessoas de forma emp\u00edrica conseguiram desenvolver a t\u00e9cnica ou adquiriram com ensinamentos sensoriais. Sabem essas hist\u00f3rias que pessoas contam de viagem ao mundo astral? Ela faz isso, descola-se ou deixa o corpo f\u00edsico, o que d\u00e1 a impress\u00e3o de estar dormindo ou meditando. Meu irm\u00e3o mais velho, que tinha o apelido de MA (vide o texto <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102323\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u201cDepois da Seis\u201d<\/strong><\/a>), passou uma temporada no Acre e um dia se assustou ao ver a m\u00e3e, ficou preocupado, achando que ela tinha morrido. Ligou imediatamente para o Maranh\u00e3o querendo saber alguma not\u00edcia. Quando ele relatou o acontecido, ela disse calmamente: \u201c\u2013 Deixa de ser besta, menino, fui a\u00ed te ver!\u201d Como ele j\u00e1 conhecia o contexto, sacou a parada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, gente, todos esses fen\u00f4menos que eu citei, o empirismo dos m\u00e9diuns, os experimentos da f\u00edsica qu\u00e2ntica, n\u00e3o se enganem, s\u00e3o a mesma coisa. Apenas est\u00e3o em contextos diferentes. Seres multi-dimensionais ajudando esta dimens\u00e3o, todos os recursos que temos aqui, celular, autom\u00f3veis, computadores, toda essa tecnologia, \u00e9 fruto sim de trabalho e pesquisa do pessoal daqui, mas ser\u00e1 s\u00f3 isso? N\u00e3o tem um empurr\u00e3ozinho, uma inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que vem para c\u00e1 pessoas prontas para auxiliar, e pessoas ainda com baix\u00edssimo grau de evolu\u00e7\u00e3o, vibrando numa frequ\u00eancia muito limitada. Pessoas dessa natureza preocupam-se mais com o materialismo do que com o bem comum. Veja o exemplo do inventor <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nikola_Tesla\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Nikola Tesla<\/strong><\/a>: Queria energia livre e de gra\u00e7a para o mundo; seus concorrentes, n\u00e3o. Se ele fosse vivo, iria cham\u00e1-lo para criar um experimento para saber onde foi parar o meu saco de pedras e como ele sumiu. Talvez descobr\u00edssemos o tele-transporte, e a\u00ed?<\/p>\n<p>Outro exemplo bem pr\u00f3ximo \u00e9: O <a href=\"duploexpresso.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Duplo Expresso<\/strong><\/a> quer oferecer informa\u00e7\u00f5es sem ru\u00eddos e de gra\u00e7a, para que n\u00f3s possamos transformar em conhecimento a partir de nossas experi\u00eancias pessoais. J\u00e1 a Globo, ela n\u00e3o quer oferecer fatos ou informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 a n\u00e3o-informa\u00e7\u00e3o que ela tem e precisa pagar para que possamos seguir desinformados.<\/p>\n<p>Outro dia, estava indo para o trabalho de \u00f4nibus e, como estava fazendo muito calor, ficava cochilando. Numa das cochiladas, ouvi uma voz que parecia estar em todo o lugar, e que falou assim: \u201c\u2013 O que voc\u00ea tem a dizer para a mulher do seu genro?&#8221; Abri os olhos rapidamente. Foi quest\u00e3o de mil\u00e9simos. Uma cochilada r\u00e1pida, puxei a corda, o \u00f4nibus parou, desci e pensei: A mulher do meu genro \u00e9 a minha filha! Quando terminou o expediente, voltei para casa e perguntei para minha esposa sobre a nossa filha. Ela estava justamente l\u00e1 na casa dela. Fui l\u00e1 rapidinho saber como estavam. O casal tinha brigado e mal se falavam dentro de casa. Conversei um tempo com eles aquele dia, mas acabaram se separando depois de um m\u00eas.<\/p>\n<p>Apesar de todos esses acontecimentos que contei, de experi\u00eancias sensoriais medi\u00fanicas, afirmo que sou muito diferente de minha m\u00e3e. Meu caminho \u00e9 outro; minha busca \u00e9 outra. Mas ela ajudou-me a fazer esse caminho. A compreender essa realidade. Involuntariamente, e com ensinamentos importantes, meu caminho n\u00e3o \u00e9 de ser um m\u00e9dium. Entendo isso de outra forma: Penso que a religi\u00e3o foi uma forma de ensinamento que deveria ficar no passado, e j\u00e1 dever\u00edamos ter obtido algo menos prosaico da ci\u00eancia que agulhas nos furando em quase todos procedimentos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Mesmo com os estudos incr\u00edveis da Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, os homens insistem em enxergar apenas com os olhos da cara e do lado da ci\u00eancia. Os f\u00edsicos tradicionais n\u00e3o quiseram ultrapassar o limite da part\u00edcula e ficaram apenas com as descobertas dos fen\u00f4menos f\u00edsicos do \u00e1tomo, deixando essa lacuna em aberto. Apesar de alguns f\u00edsicos, teorias e experimentos sobre a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, ainda existe um grande preconceito a respeito do tema e uma guerra de egos entre a ci\u00eancia e a religi\u00e3o que se eterniza. Isso acontece porque a terra \u00e9 pensada dentro do paradigma f\u00edsico, palp\u00e1vel, da part\u00edcula, e n\u00e3o sobre um paradigma da frequ\u00eancia, da onda.<\/p>\n<p>Vemos o mundo com apenas os olhos de um S\u00e3o Tom\u00e9, e n\u00e3o com todos os sentidos que temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o nesse corpo muito mal explorado sensorialmente. As pessoas n\u00e3o entenderam ainda que o corpo \u00e9 a part\u00edcula e a onda \u00e9 o que chamamos de esp\u00edrito, ou o ser et\u00e9reo vibracional, acoplado ao corpo. Quando no filme <em>The Matrix<\/em> questionam se a colher n\u00e3o existe, est\u00e3o dizendo isso. Que devemos pensar como onda e n\u00e3o como massa. Porque a massa n\u00e3o existe. N\u00f3s a colapsamos como no experimento da Dupla Fenda, onde o observador interfere na passagem como part\u00edcula ou como onda. Ainda tem outra cena muito interessante, no filme, quando Morpheus oferece as p\u00edlulas vermelha em uma palma da m\u00e3o e a azul na outra para o protagonista Neo escolher. Aquilo representa a onda e a part\u00edcula. Com a vermelha, Neo desperta do cativeiro e percebe que o mundo n\u00e3o \u00e9 aquele que sempre experimentara. Com a p\u00edlula azul, Neo vai continuar no mundo criado para ele, pela Matrix. Mais \u00e0 frente, Neo deseja voltar, mas \u00e9 tarde. Ele j\u00e1 conhece a verdade, n\u00e3o pode voltar para uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Por que citei um filme de fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Porque a verdade n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na ci\u00eancia. Essas pessoas surgem em v\u00e1rios locais diferentes para ajudar na evolu\u00e7\u00e3o da humanidade. Assim como nascem aqui cientistas como um Tesla, um Einstein, surgem cineastas tamb\u00e9m. Alguns usam a linguagem cinematogr\u00e1fica para despertar a curiosidade e a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. H\u00e1s produtores que n\u00e3o s\u00e3o totalmente materialistas, mesmo que n\u00e3o totalmente isentos dado o capital investido deste paradigma vigente, que busca apenas o entretenimento e o lucro, ainda passam um mel na obra para enganar e poder acordar as pessoas sem chatear os investidores.<\/p>\n<p>Algo semelhante acontece na religi\u00e3o. Todas as religi\u00f5es do mundo s\u00e3o uma mesma coisa. Uma unidade. Mas, devido aos contextos locais, tem-se essas altera\u00e7\u00f5es de conceitos. Veja a grande semelhan\u00e7a entre a mitologia grega e a mitologia dos Orix\u00e1s, das religi\u00f5es de matrizes africanas e as entidades que permeiam ambas. Tudo guarda uma certa semelhan\u00e7a, com diferen\u00e7a apenas no contexto social. Porque a\u00ed, cada uma agregar\u00e1 os valores das experi\u00eancias naturais de cada povo.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o das entidades espirituais, que para mim s\u00e3o seres ou pessoas que vibram em outra frequ\u00eancia e de uma dimens\u00e3o, diferente desta, elas interferem aqui para compartilhar conhecimentos e ajudar. A\u00ed vou afirmar que todas as religi\u00f5es s\u00e3o a mesma coisa, mas com vi\u00e9ses diferentes. No Candombl\u00e9, ou na Umbanda, o ser evolu\u00eddo de uma outra realidade (ou o ser de luz) surge canalizado como um Preto Velho, Iemanj\u00e1, caboclos, guias, ou o que pedir o momento. No Catolicismo, tem-se a quest\u00e3o dos santos, Esp\u00edrito Santo, como a apari\u00e7\u00e3o de F\u00e1tima, em Portugal. No Protestantismo (ou religi\u00f5es pentecostais), temos essa ideia de Esp\u00edrito Santo, anjos, falar em l\u00ednguas. O ser que puder vir aqui nessa dimens\u00e3o e n\u00e3o ser visto, por causa da frequ\u00eancia do seu corpo, vai dialogar da forma que os indiv\u00edduos suportariam compreender.<\/p>\n<p>Voltando ao saco de pedras, que sumiu do meu lado, imagino isso como uma manifesta\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para o garoto, mas para o adulto de hoje. Uma esp\u00e9cie de orienta\u00e7\u00e3o antecipada, como as p\u00edlulas do Morpheus. Inconscientemente escolhi a azul, e voltei para a minha zona de conforto. Contudo, n\u00e3o precisei fazer a experi\u00eancia da Dupla Fenda. Ela j\u00e1 estava em mim, quando fechava os olhos e via a onda. E depois, concretizou-se quando o saco de pedras sumiu. Despertei muito cedo para essas quest\u00f5es, e tenho uma impress\u00e3o muito forte sobre isso para que n\u00e3o se mergulhe profundamente nos dogmas das religi\u00f5es, sejam elas quais forem.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou aqui para ser um Pai de Santo, um Pastor ou um Padre \u2013 com todo respeito a esses. No meu caminho tem algo diferente. De qualquer forma, escolhi a arte para me esconder e me entender. Se deseja conhecer-te, olha para dentro de ti. Busca a tua energia interior, pois o que somos n\u00f3s, sen\u00e3o \u00e1tomos, energia? Energia congelada, mas energia, vibrando de acordo com esta dimens\u00e3o e com o seu entendimento da realidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 para finalizar, somos part\u00edculas e onda ao mesmo tempo, e para escrever este texto, usei hora a part\u00edcula, massa e hora onda, energia. O que \u00e9 a massa? Energia em baixa frequ\u00eancia, onda? Energia em alta frequ\u00eancia, podemos ser as duas coisas e entendermos melhor esta exist\u00eancia, independente do nome que se deseje dar ao fen\u00f4meno \u2013 religi\u00e3o ou ci\u00eancia \u2013, tudo no fim \u00e9 ONDA. Procure a onda.<\/p>\n<p>Coloquei minhas experi\u00eancias no texto, n\u00e3o para me exibir, mas porque houve uma mudan\u00e7a em mim e \u00e9 muito interessante partilhar com outras pessoas. Pe\u00e7o perd\u00e3o se tiver causado uma impress\u00e3o errada. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 motivo de orgulho ver ou ouvir certas coisas, e sim uma responsabilidade. Voc\u00eas sabem<em>&#8230;\u201dcom grandes poderes, v\u00eam grandes responsabilidades\u201d<\/em>. Na pr\u00f3xima, falo o que aconteceu comigo depois da Resson\u00e2ncia Harm\u00f4nica. <em>Vous voi!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><em>* Geuvar Oliveira<\/em><\/strong><em> \u00e9 maranhense de Imperatriz, mas mora em Palmas &#8211; TO. Funcion\u00e1rio p\u00fablico, cartunista, quadrinista, escritor. Tem v\u00e1rias obras publicadas, entre as mais conhecidas est\u00e3o: Mugambi (da qual est\u00e1 produzindo o \u00faltimo cap\u00edtulo), Liga do Cerrado e Viagem ao Centro da Gram\u00e1tica. Formado em Letras e Arte C\u00eanica, trabalhou em alguns jornais impressos do Tocantins como cartunista. Atualmente, publica suas charges nas redes sociais e aqui na Caixa de Pandora do Duplo Expresso, porque os jornais t\u00eam medo de faz\u00ea-lo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tive uma rela\u00e7\u00e3o bem pr\u00f3xima com seres de outra dimens\u00e3o, ao longo de minha exist\u00eancia, esses seres vibram em outra frequ\u00eancia. Assim como n\u00f3s vibramos na frequ\u00eancia deste paradigma, desta dimens\u00e3o, eles vibram na frequ\u00eancia da deles. A vibra\u00e7\u00e3o deles est\u00e1 numa frequ\u00eancia maior que a nossa. 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