{"id":102504,"date":"2019-01-28T00:14:15","date_gmt":"2019-01-28T02:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102504"},"modified":"2019-01-28T00:17:01","modified_gmt":"2019-01-28T02:17:01","slug":"falso-dilema-ambiental-uma-luz-sobre-essa-questao-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102504","title":{"rendered":"Falso dilema ambiental \u2013 Uma luz sobre essa quest\u00e3o central"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">Este artigo \u00e9 a abertura de um debate<sup>[DE1]<\/sup>. A partir de um coment\u00e1rio\/texto publicado pelo Duplo Expresso h\u00e1 alguns dias, a doutora em Biogeografia (USP) e pesquisadora do Instituto de Bot\u00e2nica de S\u00e3o Paulo \u2013 Katia Mazzei \u2013 sentiu-se compelida a propor uma r\u00e9plica. Com isso, iniciou-se uma discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o apresentada pelo cientista pol\u00edtico Felipe Quintas do &#8220;falso dilema ambiental e infigenista&#8221;. Qual a melhor resposta para a sustentabilidade dos ricos biomas nacionais? Como transformar a abundante riqueza em fonte de desenvolvimento para o nosso pa\u00eds?<\/p>\n<p>Para que voc\u00ea ecompreenda melhor, reapresentaremos o coment\u00e1rio do Felipe Quintas, seguido da carta-r\u00e9plica de Katia Mazzei e da tr\u00e9plica de Felipe Quintas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-f3i78XLCLA?start=4422&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022 \u2022 \u2022 \u2022 \u2022<\/p>\n<p><strong>Por Katia Mazzei, da Reda\u00e7\u00e3o do Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p><strong>CARTA-R\u00c9PLICA DE KATIA MAZZEI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">S\u00e3o Paulo, 19 de Janeiro de 2019<\/p>\n<p>Prezados do Duplo Expresso e Felipe Quintas,<\/p>\n<p>Primeiro gostaria de dizer que acredito no potencial do brilhante rapaz Felipe, muitas an\u00e1lises e contribui\u00e7\u00f5es ao programa de assuntos que ele realmente estudou e produziu por\u00e9m, infelizmente sua juventude pode t\u00ea-lo tra\u00eddo.<\/p>\n<p>Bom, vamos l\u00e1, Felipe n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o ou experi\u00eancia nem de trabalho nem de vida no campo do conhecimento das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas ou Ci\u00eancias da Natureza. Nitidamente, n\u00e3o tem nem o vocabul\u00e1rio correto para abordar minimamente com responsabilidade o tema que ele achou poss\u00edvel dissertar como \u201cDilema\u201d.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia ser diferente, ele sup\u00f5e que apenas ONGs estrangeiras financiam e determinam a cria\u00e7\u00e3o de \u201creservas\u201d, p\u00f5e tudo no mesmo pacote \u201cambiental e ind\u00edgenas\u201d para ao final dizer que precisa romper com o colonialismo e promover a ocupa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento com explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais que s\u00e3o inimagin\u00e1veis no solo, no subsolo, nos rios etc. Ou seja o modelo de desenvolvimento que est\u00e1 na cabe\u00e7a dele para o Centro Oeste e Norte \u00e9 explorar os recursos naturais da mesma forma que foi feito desde sempre para que se desenvolvam como o Sudeste por exemplo.<\/p>\n<p>Felipe se aventurou a opinar fora de sua \u00e1rea e, naturalmente, confunde Recursos Naturais com Biodiversidade, esta sim riqueza real que ainda est\u00e1 sendo estudada e entendida e que pode significar a n\u00e3o extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana pelo simples fato de entender seu funcionamento.<\/p>\n<p>As tais \u201creservas\u201d no Norte do Brasil s\u00e3o Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o nas categorias de Prote\u00e7\u00e3o Integral que foram criadas em sua maioria nos anos 70 pelos governos militares, motivo pelo qual eu nunca tive birra dos militares e sempre respeitei a intelig\u00eancia de uma parcela enorme deles que n\u00e3o estavam nem torturando nem assassinando ningu\u00e9m, ma sim, estavam planejando o Pa\u00eds com o conhecimento da \u00e9poca. Sou bastante grata ao servi\u00e7o de cartografia do Ex\u00e9rcito pelo fant\u00e1stico desenvolvimento da nossa cartografia mapeando o Brasil.<\/p>\n<p>Continuando, o Almirante Ibsen Gusm\u00e3o C\u00e2mara foi um dos planejadores dos grandes Parques Nacionais na Amaz\u00f4nia que at\u00e9 hoje n\u00e3o est\u00e3o totalmente implantados, uma sacada genial da \u00e9poca foi \u201ccorrer e criar\u201d o m\u00e1ximo de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o em terras devolutas! \u00c9 necess\u00e1rio estudar o que s\u00e3o terras devolutas e entender: s\u00e3o terras da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>As ONGs do in\u00edcio (nem tinham tantas), foram apenas projeto de comunica\u00e7\u00e3o para os militares dessa linha conservacionista obterem o respeito do restante da institui\u00e7\u00e3o e o tal financiamento teve muito mais caracter\u00edsticas de expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e divulga\u00e7\u00e3o do que qualquer outra coisa. N\u00e3o tivessem sido criadas essas UCs, ter\u00edamos uma terra arrasada pelas oligarquias como aconteceu no NE, justamente pela quantidade de terras devolutas, que s\u00e3o facilmente griladas. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que os biomas mais amea\u00e7ados s\u00e3o as caatingas e os pampas. O Bioma Amaz\u00f4nia est\u00e1 potencialmente protegido.<\/p>\n<p>Houve muita contribui\u00e7\u00e3o dos militares que criaram o IBDF (av\u00f4 do IBAMA) e influenciaram praticamente toda nossa cultura de planejamento territorial ambiental.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem ONG internacional querendo impor demarca\u00e7\u00e3o no Brasil ao \u201ccriar grandes territ\u00f3rios para roubar o Brasil, por meio de sua fragmenta\u00e7\u00e3o\/balcaniza\u00e7\u00e3o\u201d. Isto \u00e9 um argumento muito ruim. N\u00e3o considera o que \u00e9 biodiversidade e por que precisamos manter os processos ecol\u00f3gicos funcionando. Por exemplo, em pa\u00edses tropicais h\u00e1 uma quantidade enorme de seres vivos extremamente nocivos ao ser humano, e \u00e9 melhor que os biomas estejam em pleno funcionamento.<\/p>\n<p>Por exemplo, qual o tamanho do territ\u00f3rio para a esp\u00e9cie <em>Panthera onca<\/em> (on\u00e7a-pintada) ser vi\u00e1vel na natureza no longo prazo? On\u00e7as s\u00e3o predadores de topo e, sem os predadores, toda a rela\u00e7\u00e3o vai empobrecendo at\u00e9 que tudo vire um pasto. Veja que em <em>Elysium<\/em><sup>[DE2]<\/sup>, a Terra virou um pasto e as pessoas morrem por n\u00e3o terem nem sa\u00fade nem a tecnologia de cura da esta\u00e7\u00e3o espacial. \u00c9 fic\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 bem pr\u00f3ximo das hip\u00f3teses estudadas em ci\u00eancias naturais. Segundo os modelos matem\u00e1ticos de viabilidade de popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies de grande porte, no Bioma da Mata Atl\u00e2ntica que abrange 17 estados, a on\u00e7a pintada estar\u00e1 extinta em 50 anos. Veja que tivemos um surto de febre amarela gigantesco no sentido da abrang\u00eancia territorial em 2017\/2018, alcan\u00e7ando Minas Gerais, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo Litoral e S\u00e3o Paulo Interior. Quem nos salvou foram os primatas silvestres que morriam primeiro nos parques, chamando a aten\u00e7\u00e3o e permitindo planejar a vacina\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas conforme mapeava-se a rota do v\u00edrus. Imagine, com a extin\u00e7\u00e3o de predadores de topo, os riscos de romper funcionamentos saud\u00e1veis de sistemas naturais. H\u00e1 quem diga <em>\u201cnossa, que exagero, afinal tanta coisa j\u00e1 foi desmatada e tantas esp\u00e9cies foram extintas, nem por isso o ser humano ficou amea\u00e7ado\u201d<\/em>. Ficou sim, a quest\u00e3o \u00e9 de escala e de tamanho de popula\u00e7\u00e3o. O planeta pode chegar a 13 ou 14 bilh\u00f5es de pessoas e, ou aprende a conviver com os sistemas naturais, ou ser\u00e1 derrotado por v\u00edrus e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio separar as coisas. Criamos UCs (Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o) de grandes territ\u00f3rios no Brasil inteiro para que nossa megabiodiversidade possa continuar seus processos ecol\u00f3gicos. Um processo ecol\u00f3gico significa estrutura, fun\u00e7\u00e3o e processo em funcionamento vi\u00e1vel no longo prazo. Quanto mais se rompe essa rela\u00e7\u00e3o, mais invi\u00e1vel se torna a vida nesse per\u00edodo temporal. Toda a vida! Podemos apostar que as tecnologias v\u00e3o resolver as falhas de funcionamento, mas isto \u00e9 cren\u00e7a.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante diferenciar as categorias de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Nas de Prote\u00e7\u00e3o Integral, as terras s\u00e3o de posse e dom\u00ednio p\u00fablico. Neste rol est\u00e3o os Parques, Reservas Biol\u00f3gicas, Esta\u00e7\u00f5es Ecol\u00f3gicas, Monumento Natural e Ref\u00fagio de Vida Silvestre. As UCs de Uso Sustent\u00e1vel s\u00e3o constitu\u00eddas de terras p\u00fablicas e privadas, e sua principal caracter\u00edstica \u00e9 o manejo sustent\u00e1vel dos recursos, com zoneamento e t\u00e9cnicas que evitam a monocultura sem fim, o uso de agrot\u00f3xicos, e a aplica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo florestal. Tudo fundamentado em v\u00e1rios campos do conhecimento, como engenharia florestal, engenharia agron\u00f4mica, biologia, geografia, entre outras. As APAs em todo Brasil sobrep\u00f5em todos os setores do agroneg\u00f3cio e n\u00e3o impedem a produ\u00e7\u00e3o, apenas estabelecem normas de uso.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea pode observar, n\u00e3o existe Santu\u00e1rio Ecol\u00f3gico. \u00c9 melhor ler a Lei 9985\/2000<sup>[DE3]<\/sup> do Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. O Brasil cria parques desde 1937, sendo o primeiro o Parque Nacional de Itatiaia com 28 mil hectares. Foi criado por ningu\u00e9m menos que Get\u00falio Vargas, sensacional n\u00e3o? Imagine, na \u00e9poca, criar (desapropriar 280 km\u00b2) de fazendas entre S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, pois \u00e9, GV era &#8220;o cara&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda diferenciando a confus\u00e3o entre Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e Terras Ind\u00edgenas, observe-se que as Terras Ind\u00edgenas \u2013 TI, sob a responsabilidade da FUNAI, s\u00e3o uma outra dimens\u00e3o do Planejamento Territorial que tenta viabilizar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas\/tradicionais marginalizadas. Dependendo da rela\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o com seu ambiente e seu modo de vida, \u00e9 necess\u00e1rio que o territ\u00f3rio seja grande para permitir ca\u00e7ar e cortar \u00e1rvores. Por exemplo, v\u00e1rios povos ind\u00edgenas se alimentam de carne de macaco, ent\u00e3o o territ\u00f3rio tem que ser suficiente para ca\u00e7ar e n\u00e3o extinguir.<\/p>\n<p>\u00c9 importante abordar novamente a quest\u00e3o fundi\u00e1ria. Os \u00edndios n\u00e3o possuem documentos de propriedade privada e a terra \u00e9 da Uni\u00e3o. \u00c9 muito improv\u00e1vel que o territ\u00f3rio fragmente-se (balcaniza\u00e7\u00e3o) por esse motivo.<\/p>\n<p>Da forma como foi abordado neste v\u00eddeo muito ruim, IBAMA, ICMBIO, FUNAI ou, no \u00e2mbito estadual, como o Instituto Florestal de S\u00e3o Paulo (\u00f3rg\u00e3o criado em 1896), todos seriam financiados por ONGs internacionais para impedir o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Isso me fez lembrar do argumento da pobreza do Vale do Ribeira no Sul de S\u00e3o Paulo por conta das grandes UCs que criamos l\u00e1, embora n\u00e3o houvesse muita riqueza antes.<\/p>\n<p>Quase toda a minera\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio do estado de S\u00e3o Paulo foi realizada no Vale do Ribeira. Sim, calc\u00e1rio, aquela bel\u00edssima pedra que costuma decorar mans\u00f5es e pal\u00e1cios. Exploraram at\u00e9 que s\u00f3 sobrasse uma \u00faltima lente de calc\u00e1rio dentro ou no entorno dos Parques Estaduais Intervales, PETAR, Caverna do Diabo, entre outros. A cria\u00e7\u00e3o desses parques e, depois, os planos de manejo dos mesmos acabaram inviabilizando a explora\u00e7\u00e3o da \u00faltima lente de calc\u00e1rio, jogando-nos todos em uma guerra com as mineradoras e com um senhor muito famoso na \u00e9poca \u2013 Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes, dono da Votorantim \u2013, que desejava construir uma usina chamada Tijuco Alto para abastecer uma de suas f\u00e1bricas \u2013 a CBA, Companhia Brasileira de Alum\u00ednio. O senhor Ant\u00f4nio Erm\u00edrio teve o EIA RIMA (Estudo de Impacto Ambiental) reprovado dezenove vezes. Nem sei em quantos anos, mas deu tempo para eu sair do ensino m\u00e9dio, fazer cursinho, estudar na USP, me formar, passar em concurso p\u00fablico e ir trabalhar justamente nesse licenciamento da \u00faltima reprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O relevo c\u00e1rstico que est\u00e1 presente em boa parte do Vale do Ribeira, tem como caracter\u00edstica a dissolu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das rochas.\u00a0 Isso promove a sua corros\u00e3o, formando dolinas, cavernas, vales secos, entre outros. Notadamente, embora sejam caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas, em boa medida parecem seres vivos. S\u00e3o sistemas que crescem, formam, desaparecem, tornando quase imposs\u00edvel prever impactos de sua explora\u00e7\u00e3o. Conclus\u00e3o: Use a beleza da paisagem e esque\u00e7a o calc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ouvi centenas de vezes que atrapalh\u00e1vamos o desenvolvimento econ\u00f4mico. Ent\u00e3o vamos entender qual era o desenvolvimento esperado por exemplo para aquela minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Felipe, suponha que uma jazida tenha valor de explora\u00e7\u00e3o de R$ 10 milh\u00f5es (valor fict\u00edcio) e gere mil empregos diretos e indiretos. Se a explora\u00e7\u00e3o fosse de longo prazo, voc\u00ea teria mil empregos tamb\u00e9m em longo prazo. Por\u00e9m, n\u00e3o funciona assim\u2026 Para que o min\u00e9rio realmente d\u00ea lucro, o ideal \u00e9 esgotar a jazida em poucos anos. Depois da explora\u00e7\u00e3o, dificilmente haver\u00e1 um uso nobre para o \u201cburaco\u201d, e os empregos virar\u00e3o p\u00f3. No entanto, os parques podem gerar neg\u00f3cios e empregos com muito mais qualidade e longevidade do que essa minera\u00e7\u00e3o descrita. E \u00e9 esta a intelig\u00eancia que precisamos agregar ao modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Nem que tenha outro Pr\u00e9-sal embaixo do Parque Nacional do Tumucumaque (Amap\u00e1 e Par\u00e1) com 3,8 milh\u00f5es de hectares ou, se quiser uma refer\u00eancia, uns 5,7 milh\u00f5es de campos de futebol, voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar um \u00fanico cientista da natureza que ache v\u00e1lido \u201ctrocar\u201d a biodiversidade por petr\u00f3leo. No nosso caso, ainda correr\u00edamos o risco de ficar sem os dois. Minha compara\u00e7\u00e3o \u00e9 um tanto grosseira, mas de certa forma \u00e9 isto que est\u00e1 no seu texto.<\/p>\n<p>Quanto ao financiamento de ONGs Internacionais, observe os editais de financiamento de projetos e veja l\u00e1 se os valores s\u00e3o realmente relevantes para sustentar o cen\u00e1rio que voc\u00ea descreveu. Por curiosidade, li um edital de financiamento de projeto para al\u00edvio da pobreza na \u00c1frica Subsaariana. Sinceramente, eu ri com o valor 75 mil libras esterlinas. Na \u00e9poca, algo como 250 mil reais para gastar em dois anos. Quem pode levar a s\u00e9rio um projeto para aliviar a pobreza de algu\u00e9m com um valor t\u00e3o irris\u00f3rio? Um \u00fanico estagi\u00e1rio de ensino superior custa, em 2 anos, 25 mil reais.<\/p>\n<p>Voc\u00ea demonstrou uma concep\u00e7\u00e3o muito equivocada ao considerar que bastaria ocupar o territ\u00f3rio e aproveitar seus recursos naturais, para que <em>\u201co Brasil tenha territ\u00f3rio para ser ocupado no Norte e, inclusive, essas grandes &#8216;reservas&#8217; atrapalham a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Felipe esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito ruim. Com quais dados? Que territ\u00f3rios o Brasil perdeu porque criou UCs?<\/p>\n<p>Bom acho que deu para ter uma no\u00e7\u00e3o da fragilidade de argumenta\u00e7\u00e3o do Felipe, uma coisa \u00e9 ter opini\u00e3o pol\u00edtica outra coisa \u00e9 tratar assunto que n\u00e3o domina, o Duplo Expresso precisa ter um progressista que tenha forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Naturais e nunca mais permitir que um garoto muito competente em sua \u00e1rea acredite que domina qualquer \u00e1rea.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica precisa ser mediada por todos os campos do conhecimento, ou ent\u00e3o vira maluquice. Quem mais falou este tipo de bobagem de ONGs cometendo inger\u00eancia na Amaz\u00f4nia foi o Aldo Rebelo por conta de Belo Monte. E, depois, na briga com o C\u00f3digo Florestal, o problema desse pensamento tosco \u00e9 acreditar que somos \u201cambientalistas\u201d, \u201cecoxiitas\u201d, infernizando para proteger a natureza e n\u00e3o refletir que, quanto maior a obra, mais complexas s\u00e3o suas consequ\u00eancias. Tinha ONG internacional protestando por Belo Monte? Claro que tinha! A Amaz\u00f4nia d\u00e1 um \u201cIbope\u201d danado, mas analisem os estudos de impacto ambiental (EIAs). Eles s\u00e3o lament\u00e1veis em sua maioria e, al\u00e9m disso, h\u00e1 uma press\u00e3o horrorosa para que as obras \u201ccaibam\u201d na agenda eleitoral. O que piora tudo! No lugar de mega usinas, \u00e9 muito mais adequado investir em projetos bem feitos de PCHs, (Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas) mais simples, menor espa\u00e7o, menor desmatamento, menor interfer\u00eancia nos rios, menor impacto e muito mais vi\u00e1vel. Mas, culturalmente, o pol\u00edtico brasileiro espera encher os olhos do p\u00fablico inaugurando grandes obras.<\/p>\n<p>Para concluir, estou lembrando do Wellington Calasans dizendo <em>\u201cquem \u00e9 voc\u00ea na fila do p\u00e3o\u201d\u2026<\/em> Bom, n\u00e3o sou \u201cambientalista\u201d. Sou pesquisadora cient\u00edfica, que trata-se de uma carreira de Estado. Tenho doutorado em biogeografia pela USP e tenho 23 anos de experi\u00eancia no Instituto Florestal, onde trabalhei com manejo de parques. H\u00e1 pouco mais de um ano, fui transferida para o Instituto de Bot\u00e2nica para assumir o Laborat\u00f3rio de Geoprocessamento \u2013 especializado em plantios de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas \u2013 para desenvolver aplica\u00e7\u00f5es de sensoriamento remoto da vegeta\u00e7\u00e3o com sensor NIR embarcado em drone e, futuramente, aplica\u00e7\u00f5es com sensor LiDAR. Perguntem ao Carlos Krebs o que \u00e9. Arquitetos adoram o LiDAR<sup>[DE4]<\/sup>.<\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es cordiais, K\u00e1tia Mazzei<\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p>Assuntos que est\u00e3o no texto:<\/p>\n<p>Sobre o Almirante Ibsen:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/27829-almirante-ibsen-uma-vida-dedicada-ao-meio-ambiente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/27829-almirante-ibsen-uma-vida-dedicada-ao-meio-ambiente\/<\/a><\/p>\n<p>Sobre as on\u00e7as-pintadas na Mata Atl\u00e2ntica:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ciencia.estadao.com.br\/blogs\/herton-escobar\/restam-menos-de-300-oncas-pintadas-na-mata-atlantica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ciencia.estadao.com.br\/blogs\/herton-escobar\/restam-menos-de-300-oncas-pintadas-na-mata-atlantica\/<\/a><\/p>\n<p>Sobre on\u00e7as-pintadas no Vale do Ribeira:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ciencia.estadao.com.br\/blogs\/herton-escobar\/sossego-ameacado-cientistas-seguem-os-passos-de-uma-onca-pintada-na-mata-atlantica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ciencia.estadao.com.br\/blogs\/herton-escobar\/sossego-ameacado-cientistas-seguem-os-passos-de-uma-onca-pintada-na-mata-atlantica\/<\/a><\/p>\n<p>UCs de prote\u00e7\u00e3o integral de S\u00e3o Paulo<br \/>\n<a href=\"http:\/\/datageo.ambiente.sp.gov.br\/app\/?title=Unidades+de+Conserva%C3%A7%C3%A3o+Estaduais+-+Prote%C3%A7%C3%A3o+Integral&amp;uuid=%7B78C287DA-6A35-4771-A40B-4EF574C81ABD%7D&amp;layer=UCS_ESTADUAIS_PI_SP_POL&amp;resource=wms%3Ahttp%3A%2F%2Fdatageo.ambiente.sp.gov.br%2Fgeoserver%2Fdatageowms%2Fows%3FSERVICE%3DWMS%26&amp;bbox=-19.920758892,-52.395044226,-44.327386723,-25.301314414&amp;layer=UCS_ESTADUAIS_PI_SP_POL&amp;servidorMetadados=http:\/\/datageo.ambiente.sp.gov.br\/geoportal\/csw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/datageo.ambiente.sp.gov.br\/app\/?title=Unidades+de+Conserva%C3%A7%C3%A3o+Estaduais+-+Prote%C3%A7%C3%A3o+Integral&amp;uuid=%7B78C287DA-6A35-4771-A40B-4EF574C81ABD%7D&amp;layer=UCS_ESTADUAIS_PI_SP_POL&amp;resource=wms%3Ahttp%3A%2F%2Fdatageo.ambiente.sp.gov.br%2Fgeoserver%2Fdatageowms%2Fows%3FSERVICE%3DWMS%26&amp;bbox=-19.920758892,-52.395044226,-44.327386723,-25.301314414&amp;layer=UCS_ESTADUAIS_PI_SP_POL&amp;servidorMetadados=http:\/\/datageo.ambiente.sp.gov.br\/geoportal\/csw<\/a><\/p>\n<p>Sobre a extin\u00e7\u00e3o da Licen\u00e7a de Tijuco Alto (Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes):<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/sp\/sala-de-imprensa\/noticias-sp\/sentenca-declara-extinta-concessao-para-usina-tijuco-alto-no-vale-do-ribeira-sp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.mpf.mp.br\/sp\/sala-de-imprensa\/noticias-sp\/sentenca-declara-extinta-concessao-para-usina-tijuco-alto-no-vale-do-ribeira-sp<\/a><\/p>\n<p>Parque Nacional Tumucumaque<br \/>\n<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Parque_Nacional_Montanhas_do_Tumucumaque\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Parque_Nacional_Montanhas_do_Tumucumaque<\/a><\/p>\n<p>Exemplo de financiamento de ONGs internacional (para rir)<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www2.fundsforngos.org\/youth-and-adolescents\/pas-youth-empowerment-grants-program-2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www2.fundsforngos.org\/youth-and-adolescents\/pas-youth-empowerment-grants-program-2016<\/a><\/p>\n<p>Categorias de UCs:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/areas-protegidas\/unidades-de-conservacao\/categorias.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.mma.gov.br\/areas-protegidas\/unidades-de-conservacao\/categorias.html<\/a><\/p>\n<p>Para conhecer o assunto regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de UCs Federais:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.sosma.org.br\/433\/cartilha-de-regularizacao-fundiaria-de-ucs-federais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.sosma.org.br\/433\/cartilha-de-regularizacao-fundiaria-de-ucs-federais\/<\/a><\/p>\n<p>Sobre o Parque Nacional de Itatiaia:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/parnaitatiaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.icmbio.gov.br\/parnaitatiaia\/<\/a><\/p>\n<p>Sobre Biomas do Brasil conceito f\u00e1cil:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/biomas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.mma.gov.br\/biomas.html<\/a><\/p>\n<p>Diferen\u00e7a entre Biomas e Dom\u00ednios de Paisagem (hard) por Aziz Nacib Ab\u2019 Saber<br \/>\n<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=ckbBFiZrjroC&amp;pg=PA30&amp;lpg=PA30&amp;dq=Dom%C3%ADnios+de+paisagem+do+brasil&amp;source=bl&amp;ots=3Kb_HdBnuX&amp;sig=ACfU3U0y5oErG2UFUn3njrKfeGnm1f_Yfg&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjx3qOPy_vfAhWqKrkGHSa8BZwQ6AEwFHoECAEQAQ#v=onepage&amp;q=Dom%C3%ADnios%20de%20paisagem%20do%20brasil&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=ckbBFiZrjroC&amp;pg=PA30&amp;lpg=PA30&amp;dq=Dom%C3%ADnios+de+paisagem+do+brasil&amp;source=bl&amp;ots=3Kb_HdBnuX&amp;sig=ACfU3U0y5oErG2UFUn3njrKfeGnm1f_Yfg&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjx3qOPy_vfAhWqKrkGHSa8BZwQ6AEwFHoECAEQAQ#v=onepage&amp;q=Dom%C3%ADnios%20de%20paisagem%20do%20brasil&amp;f=false<\/a><\/p>\n<p>Lei 9985\/2000 SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9985.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9985.htm<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022 \u2022 \u2022 \u2022 \u2022<\/p>\n<p><strong>Por Felipe Quintas, da Reda\u00e7\u00e3o do Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p><strong>TR\u00c9PLICA DE FELIPE QUINTAS<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar a sra. Katia Mazzei e agradec\u00ea-la pela disposi\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo e de arrolamento de informa\u00e7\u00f5es e dados para um debate central ao Brasil. Relevo, aqui, as cr\u00edticas dirigidas a minha pessoa, certamente expressas em um momento de exalta\u00e7\u00e3o, t\u00e3o normal a quem participa ativamente de um debate t\u00e3o controverso.<\/p>\n<p>A sra. Mazzei, a quem dirijo a tr\u00e9plica, j\u00e1 inicia sua r\u00e9plica demonstrando pouco ou nenhum entendimento do que disse e escrevi. Segundo ela, \u201c<em>o modelo de desenvolvimento que est\u00e1 na cabe\u00e7a dele para o Centro Oeste e Norte \u00e9 explorar os recursos naturais da mesma forma que foi feito desde sempre para que se desenvolvam como o Sudeste por exemplo<\/em>.\u201d Em outro momento, ela ilustra a ideia dessa passagem comparando a minha posi\u00e7\u00e3o com a defesa da minera\u00e7\u00e3o pela minera\u00e7\u00e3o, esgotando rapidamente uma jazida de modo a n\u00e3o conseguir sustentar a longo-prazo os empregos gerados durante as atividades. N\u00e3o, nada disso, cara sra. Mazzei. Como deixei bem claro, o modelo de desenvolvimento que proponho \u00e9 baseado na integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica e social do pa\u00eds, voltada para dentro, com soberania nacional sobre os recursos estrat\u00e9gicos do nosso territ\u00f3rio, mobilizando-os para a expans\u00e3o e aperfei\u00e7oamento da infraestrutura, da ind\u00fastria e da prote\u00e7\u00e3o social em toda sua extens\u00e3o, para que nosso pa\u00eds seja mais desenvolvido e povoado. A extra\u00e7\u00e3o pela extra\u00e7\u00e3o, de baixa complexidade e geralmente controlada oligarquias locais e estrangeiras, \u00e9 o que eu critico no meu v\u00eddeo\/texto, e isso j\u00e1 acontece a rodo na Amaz\u00f4nia, inclusive de <a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/noticias\/brasil\/2012\/08\/garimpos-clandestinos-levam-devastacao-a-amazonia-legal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">forma clandestina<\/a>. O que eu defendo \u00e9 utilizar os recursos da nossa p\u00e1tria para sustentar, com planejamento de longo-prazo, atividades produtivas intensivas em tecnologia E m\u00e3o-de-obra, de rendimentos e empregabilidade crescentes, com amparo p\u00fablico para prover a localidade da estrutura f\u00edsica e social necess\u00e1rias para uma urbaniza\u00e7\u00e3o planejada e com equil\u00edbrio social e ambiental, como deixei bem claro. Nesse sentido, para exemplificar o que proponho e respondendo a uma coloca\u00e7\u00e3o sua sobre a dimens\u00e3o das hidrel\u00e9tricas, uma grande unidade hidrel\u00e9trica \u00e9 mais vantajosa econ\u00f4mica, social e ambientalmente ao pa\u00eds do que v\u00e1rias Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas (PCH). Por exemplo, s\u00f3 a usina de Belo Monte tem mais do <a href=\"http:\/\/www2.aneel.gov.br\/aplicacoes\/capacidadebrasil\/capacidadebrasil.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dobro da pot\u00eancia<\/a> outorgada de todas as 428 PCHs existentes no Brasil, assim como s\u00f3 a usina de Itaipu supera em pot\u00eancia todas essas PCH. Para um pa\u00eds semi-continental com mais de 200 milh\u00f5es de pessoas e que carece de maior conex\u00e3o entre os long\u00ednquos pontos de seu territ\u00f3rio, grandes usinas representam uma maior economia de escala, uma maior capacidade de satisfazer as demandas de energia da sociedade e menores sacrif\u00edcios ambientais com menor ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o do que centenas de PCH. O Brasil ainda \u00e9 um pa\u00eds com d\u00e9ficit de energia, tornando-a cara e insuficiente para uma retomada do desenvolvimento e da amplia\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar social. A exemplo da China, dever\u00edamos criar mais grandes usinas hidrel\u00e9tricas para realizarmos nosso vasto potencial e melhorar a vida das pessoas que aqui vivem. Energia el\u00e9trica \u00e9 a base do desenvolvimento e do bem-estar social, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o ambiental, pois torna desnecess\u00e1rio e desvantajoso o desmatamento para obten\u00e7\u00e3o de lenha, por exemplo.<\/p>\n<p>Assim, o modelo que defendo n\u00e3o \u00e9 \u201cfeito desde sempre\u201d, \u00e9 uma novidade em nosso pa\u00eds, uma ruptura com a configura\u00e7\u00e3o colonial, ainda hoje existente, de fragmenta\u00e7\u00e3o entre as regi\u00f5es, especializa\u00e7\u00e3o produtiva prim\u00e1ria, despovoamento do interior do pa\u00eds e incha\u00e7o e ocupa\u00e7\u00e3o desordenada das grandes cidades, privatiza\u00e7\u00e3o e contrabando das nossas riquezas, moderniza\u00e7\u00e3o reflexa e subdesenvolvida nas capitais e, em particular, no Sudeste. Por isso, essa regi\u00e3o n\u00e3o pode ser considerada \u201cdesenvolvida\u201d, pois se fosse n\u00e3o teria seu eixo de acumula\u00e7\u00e3o baseado em servi\u00e7os comerciais, financeiros controlados em grande parte, direta ou indiretamente, pelo capital estrangeiro, que aqui tamb\u00e9m desenvolvem atividades maquiladoras. Tamb\u00e9m n\u00e3o cumpriria fun\u00e7\u00e3o sub-imperialista interna, drenando gente e riquezas de outras regi\u00f5es para atender aos requisitos de acumula\u00e7\u00e3o das oligarquias locais e do capital estrangeiro a que s\u00e3o associadas e tornam nosso pa\u00eds dependente. Tamb\u00e9m n\u00e3o teria tido uma urbaniza\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica e deficit\u00e1ria de servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos (\u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o, luz, saneamento, habita\u00e7\u00e3o, transporte, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade etc.) gerando problemas sociais e ambientais grav\u00edssimos e que, apesar de afetar dezenas de milh\u00f5es de pessoas e provocar um verdadeiro apocalipse ambiental pela polui\u00e7\u00e3o (ver os exemplos do Tiet\u00ea e da Ba\u00eda de Guanabara), n\u00e3o desperta a f\u00faria de nenhuma grande ONG estrangeira. O modelo de desenvolvimento que defendo, que inclui a equaliza\u00e7\u00e3o de poder e riqueza de todas as regi\u00f5es atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o nacional, foi tentado por governos nacionalistas no s\u00e9culo passado e nesse s\u00e9culo, por\u00e9m, infelizmente, foram interrompidos e revertidos por grupos nacionais e estrangeiros, inclusive ONGs ambientalistas (ver por exemplo a <a href=\"https:\/\/www.conversaafiada.com.br\/brasil\/2011\/11\/28\/resposta-ao-video-da-globo-contra-belo-monte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rea\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica contra Belo Monte<\/a> e as usinas nucleares, grande marco da constru\u00e7\u00e3o da Na\u00e7\u00e3o) interessados na manuten\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o colonial do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 muito interessante a exposi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da sra. Mazzei acerca das diferen\u00e7as t\u00e9cnicas entre os tipos de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, os de Prote\u00e7\u00e3o Integral e os de Uso Sustent\u00e1vel, e a defini\u00e7\u00e3o de Terras Ind\u00edgenas. Mas digo que, para os prop\u00f3sitos da minha exposi\u00e7\u00e3o, essa diferen\u00e7a n\u00e3o vem ao caso. Conhe\u00e7o essas defini\u00e7\u00f5es, afinal tive a oportunidade de fazer um bom ensino m\u00e9dio, mas para prop\u00f3sitos de economia de espa\u00e7o e de tempo, sintetizei tudo sob nome de \u201creservas\u201d, que de fato s\u00e3o, em termos gerais. Ainda que haja Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Uso Sustent\u00e1vel, esse \u201cuso sustent\u00e1vel\u201d limita-se a atividades de baixa complexidade (basicamente coleta e extra\u00e7\u00e3o) incapazes de elevar o padr\u00e3o de vida das pessoas que habitam na localidade. Isso consta na Lei 9985\/2000, significativamente aprovada pelo entreguista-mor FHC, que manteve e aprofundou a pol\u00edtica de absoluta rendi\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 m\u00e1fia ambientalista e indigenista, em detrimento do nosso pa\u00eds, da nossa natureza e dos ind\u00edgenas, a\u00e7odados pela mis\u00e9ria cuja \u00fanico rem\u00e9dio \u00e9 o desenvolvimento nacional combatido pelas ONGs e seus patronos. N\u00e3o nego, nem neguei, a import\u00e2ncia ambiental e social de se criar e manter unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas. O que rejeito \u00e9 a exclus\u00e3o, por meio de UCs e TIs, de 43,9% da Amaz\u00f4nia Legal (sem considerar unidades quilombolas) de qualquer tipo de desenvolvimento sob pretextos ambientalistas e indigenistas. No caso do Amap\u00e1, as reservas chegam a 70% do territ\u00f3rio; em Roraima, 58%. Estamos falando de <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/PDFimazon\/Portugues\/livros\/ares_protegidas_na_amazonia\/3-areas-protegidas-na-amazania-legal-pdf.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1reas ecum\u00eanicas<\/a>, com pleno potencial de ocupa\u00e7\u00e3o humana, em que n\u00e3o h\u00e1 nenhum fator hostil ao ser humano, como desertos, cordilheiras e\/ou grandes \u00e1reas congeladas. E, via de regra, tais reservas, a exemplo de Raposa Serra do Sol e Terras Ind\u00edgenas Balaio e Yanomami, est\u00e3o em \u00e1reas fronteiri\u00e7as, obstruindo a comunica\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o com os demais pa\u00edses sul-americanos mantendo-os em verdadeiro regime de isolamento colonial, e sobre grandes jazidas de recursos subterr\u00e2neos preciosos e essenciais ao desenvolvimento capitalista, como <a href=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/terras-indigenas-da-amazonia-sao-alvos-de-pesquisas-sobre-terras-raras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">terras raras e minerais estrat\u00e9gicos<\/a>. Agora tenha em mente as pr\u00e1ticas de garimpo e minera\u00e7\u00e3o ilegais na Amaz\u00f4nia em \u00e1reas que as ONGs financiadas pelos pa\u00edses centrais mant\u00eam forte influ\u00eancia, e ligue os pontos. A quem interessa manter nossas riquezas inaproveitadas para o desenvolvimento do Brasil, enquanto s\u00e3o contrabandeadas para fora? Pergunta ret\u00f3rica, claro. \u00c9 falso afirmar tamb\u00e9m que as unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica alternativa \u00e0 grilagem e \u00e0 \u201cterra arrasada pelas oligarquias como aconteceu no NE\u201d. \u00c9 justamente esse falso dilema que eu critiquei no meu v\u00eddeo\/texto e apresentei uma solu\u00e7\u00e3o que o supere. E por as pol\u00edticas oficiais se basearem nesse falso dilema, que a Amaz\u00f4nia hoje, mesmo com todas as reservas, \u00e9 um bioma extremamente amea\u00e7ado, cuja <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/brasil\/desmatamento-da-amazonia-atinge-recorde-em-uma-decada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destrui\u00e7\u00e3o aumenta cada vez mais<\/a>. Voc\u00ea mesma indica caminhos semelhantes ao que eu proponho. O Parque Nacional de Itatiaia, que voc\u00ea cita e de fato \u00e9 valios\u00edssimo, certamente jamais teria existido se dependesse apenas de ONGs ambientalistas, uma vez que n\u00e3o est\u00e1 situado sobre nenhuma jazida de algum recurso estrat\u00e9gico. Mas para que ele possa ser conservado foi fundamental Vargas ter constru\u00eddo, pr\u00f3ximo dali, a sider\u00fargica CSN, criando um polo industrial em Volta Redonda central para que tiv\u00e9ssemos algum desenvolvimento no s\u00e9culo passado e que n\u00e3o haveria no que dependesse das ONGs, hostis a esse tipo de empreendimento em pa\u00edses perif\u00e9ricos como o Brasil. N\u00e3o fosse pela CSN com desenvolvimento, urbaniza\u00e7\u00e3o e estrutura gerados, talvez a mis\u00e9ria e a explora\u00e7\u00e3o irregular da natureza tivessem se espalhado pelo sul fluminense e a \u00e1rea hoje do Parque Nacional de Itatiaia estaria degradada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, para que a CSN fosse poss\u00edvel, foi preciso que o Estado nacionalizasse as minas a fim de que o ferro pudesse ser manufaturado e servir de base \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento do pa\u00eds (sim, Get\u00falio Vargas, nosso GV, era &#8220;o cara&#8221;). Nesse sentido, o poder p\u00fablico reconheceu um recurso natural como riqueza real, a ser utilizado para o bem do pa\u00eds e do povo. N\u00e3o sei de onde a sra. Mazzei tirou que eu confundo recursos naturais com biodiversidade (distin\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o vem ao caso para os prop\u00f3sitos do meu texto) e que somente essa \u00faltima constitui \u201criqueza real\u201d. N\u00e3o seria o ur\u00e2nio uma riqueza real, devido ao seu potencial de utiliza\u00e7\u00e3o para fins energ\u00e9ticos e militares, ampliando a soberania, a defesa e o bem-estar de um pa\u00eds? N\u00e3o seria o ni\u00f3bio uma riqueza real, sem a qual n\u00e3o seria poss\u00edvel o desenvolvimento da eletr\u00f4nica? N\u00e3o seria o petr\u00f3leo uma riqueza real, sem o qual o padr\u00e3o moderno de vida seria inimagin\u00e1vel, dada a gigantesca quantidade de produtos e insumos dele derivados, como combust\u00edveis, fertilizantes e pl\u00e1stico? Todos esses recursos s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia geopol\u00edtica, mais at\u00e9 do que econ\u00f4mica, pois sem eles \u00e9 imposs\u00edvel a qualquer pa\u00eds sustentar seu desenvolvimento produtivo, tecnol\u00f3gico e militar. S\u00f3 que, em geral, quem disp\u00f5e desses recursos n\u00e3o s\u00e3o os pa\u00edses centrais, mais fortes, mas os perif\u00e9ricos, mais fracos, raz\u00e3o pela qual a espolia\u00e7\u00e3o desses \u00e9 quest\u00e3o estrat\u00e9gica para os pa\u00edses centrais e seus grandes empres\u00e1rios, justamente os que financiam as grandes ONGs ambientalistas e indigenistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto a essas, quem passa vergonha \u00e9 voc\u00ea, que mostra ignorar completamente o envolvimento e os prop\u00f3sitos geopol\u00edtico dessas organiza\u00e7\u00f5es. O ambientalismo imperialista ganhou for\u00e7a a partir dos anos 60 mas especialmente nos anos 70 impulsionado pela WWF (leia-se Coroa brit\u00e2nica, como se ver\u00e1 adiante), OTAN (maior alian\u00e7a militar\/terrorista do mundo), OCDE e Clube de Roma, de claro cunho malthusiano e fundado pelo mega-financista Nelson Rockefeller, pelo industrial italiano Aurelio Peccei, ent\u00e3o presidente do comit\u00ea econ\u00f4mico do Instituto Atl\u00e2ntico, <em>think tank<\/em> da OTAN, e por Alexander King, ent\u00e3o diretor-geral de assuntos cient\u00edficos da <a href=\"https:\/\/www.ghi-dc.org\/fileadmin\/user_upload\/GHI_Washington\/Publications\/Supplements\/Supplement_10\/bu-supp10_163.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OCDE<\/a>. N\u00e3o \u00e9 por caridade que todos os Estados da OTAN disp\u00f5em de ag\u00eancias governamentais para financiar causas ambientalistas e indigenistas em pa\u00edses repletos de recursos que lhes interessam. OS EUA n\u00e3o teriam ag\u00eancias oficiais voltadas ao financiamento de ONGs como a <em>USAID (United States Agency for International Development)<\/em> e o <em>NED (National Endowment for Democracy)<\/em> se n\u00e3o tivessem interesse geopol\u00edtico pr\u00f3prio direto. A Noruega, um dos principais Estados da OTAN e que atualmente tem um ex-primeiro-ministro (Jens Stoltenberg) como secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos pa\u00edses mais ativos no <a href=\"https:\/\/sao-paulo.estadao.com.br\/blogs\/blog-da-garoa\/indios-de-roraima-recebem-apoio-de-ongs-e-dinheiro-estrangeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ambientalismo\/indigenismo ongueiro<\/a> na Amaz\u00f4nia. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que tamb\u00e9m seja um dos mais interessados na <a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/pt\/247\/economia\/324551\/O-pr%C3%A9-sal-j%C3%A1-%C3%A9-da-Shell-Exxon-Petrogal-e-Statoil.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espolia\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo brasileiro<\/a>, na continuidade da opera\u00e7\u00e3o lesa-p\u00e1tria apelidada de <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/chanceler-norueguesa-diz-que-lava-jato-preocupa-e-pede-limpeza.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lava-Jato<\/a>, e que seja um dos <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40423002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maiores poluidores diretos<\/a> da Amaz\u00f4nia. N\u00e3o \u00e9 por caridade que as seguintes organiza\u00e7\u00f5es, controladas e financiadas por grandes corpora\u00e7\u00f5es e magnatas atuantes em setores que demandam os recursos fartos na Amaz\u00f4nia como ni\u00f3bio p. ex., envolvem-se t\u00e3o ativamente nas causas ambientalistas e\/ou indigenistas: WWF (fundada pelo pr\u00edncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, e que tem como <a href=\"https:\/\/www.wwf.org.uk\/council-of-ambassadors\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cembaixadores\u201d<\/a> altos representantes militares, religiosos, empresariais e midi\u00e1ticos do Reino Unido, um dos maiores imp\u00e9rios que a humanidade j\u00e1 conheceu), <a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/theme\/business-and-biodiversity\/our-work\/business-partnerships-projects\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IUCN<\/a> (assumidamente apoiada pela petroleira Shell, pelas mineradoras Rio Tinto e Newmont Mining Co., pela empresa de material de constru\u00e7\u00e3o civil Holcim e pela empresa de moda Hugo Boss), Greenpeace, Natural Resources Defense Council, Friends of the Earth, Conservation International, Survival International, <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/o-isa\/parceiros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Socioambiental<\/a> (apesar de brasileiro, tem como parceiros a Embaixada Real da Noruega, Rainforest Foundation Norway, Funda\u00e7\u00e3o Ford e a austr\u00edaca Horizont 3000\/Climate Alliance, entre muitos outros ligados ao alto capital estrangeiro); Funda\u00e7\u00f5es Ford, Rockefeller, Fullbright, MacArthur, William e Flora Hewlett, Packard, Gordon e Betty Moore (fundada por Gordon Moore e sua esposa, sendo ele um dos fundadores da Intel), Charles Stewart Mott (fundada por magnata de mesmo nome, um dos fundadores da GM), Turner (fundada pelo magnata das comunica\u00e7\u00f5es Ted Turner, fundador da CNN e um dos maiores s\u00f3cios da Time Warner), Open Society (do megaespeculador George Soros) e Energy (do megainvestidor Tom Steyer), entre muitas outras<sup>[FQ1]<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas dessas ONGs participam, sim, abertamente e com recursos externos, da <a href=\"https:\/\/documentacao.socioambiental.org\/noticias\/anexo_noticia\/45266_20180409_093818.PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">demarca\u00e7\u00e3o de reservas ambientais e ind\u00edgenas<\/a>, cooptando parte da burocracia p\u00fablica para seus prop\u00f3sitos imperialistas, quer os envolvidos saibam disso ou n\u00e3o. \u00c9 significativo, mas n\u00e3o surpreendente, que, assim como nas antigas col\u00f4nias brit\u00e2nicas (onde, \u00e0 \u00e9poca da descoloniza\u00e7\u00e3o, mais de 20% do territ\u00f3rio era reservado a parques, principalmente nas fronteiras, com boa parte desses, como no Qu\u00eania e na Tanz\u00e2nia, tendo passado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de ONGs e organismos internacionais ap\u00f3s a independ\u00eancia), parte expressiva das fronteiras com outros pa\u00edses na regi\u00e3o norte esteja interditadas por reservas ambientais e ind\u00edgenas, numa clara pol\u00edtica apoiada por ONGs e, portanto, pelo Imp\u00e9rio norte-atl\u00e2ntico, de inviabilizar a integra\u00e7\u00e3o sul-americana e a independ\u00eancia dos pa\u00edses do continente em rela\u00e7\u00e3o ao colonialismo primarizante e voltado exclusivamente para fora. Al\u00e9m disso, da mesma forma que as reservas brasileiras est\u00e3o sobre grandes reservas de recursos estrat\u00e9gicos, as das ex-col\u00f4nias europeias tamb\u00e9m, vide os parques na fronteira do N\u00edger, situados sobre jazidas de ur\u00e2nio, elemento fundamental para a produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica dos pa\u00edses centrais, ainda bastante dependente de fontes nucleares. Al\u00e9m do mais, estimava-se, segundo mat\u00e9ria publicada na revista Veja em 09\/02\/1994 e mencionada no livro M\u00e1fia Verde (p.146), que em 1994 cerca de 80% dos 700 milh\u00f5es de d\u00f3lares (quantia significativa, n\u00e3o acha?) das ONGs brasileiras provinham do exterior, situa\u00e7\u00e3o que certamente n\u00e3o foi mitigada desde ent\u00e3o. Quem paga dita a agenda em seu pr\u00f3prio interesse, obviamente, e levando em conta a condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, dependente e neocolonial do Brasil no mundo, s\u00e3o bastante temer\u00e1rios os motivos dessa montanha de dinheiro, ainda mais provindos de Estados centrais e grandes corpora\u00e7\u00f5es. O cap\u00edtulo 4 do livro M\u00e1fia Verde, cuja leitura sugeri tanto no v\u00eddeo quanto no texto, esmi\u00fa\u00e7a as rela\u00e7\u00f5es das grandes ONGs ambientalistas e indigenistas com as oligarquias norte-atl\u00e2nticas.<\/p>\n<p>Da\u00ed passamos para a rela\u00e7\u00e3o das ONGs com a manuten\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento dos pa\u00edses perif\u00e9ricos e sua balcaniza\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o tem nada a ver com \u201creptilianos\u201d mas com geopol\u00edtica, a qual \u00e9 inescap\u00e1vel. Para Nicholas Spykman, Hans Morgenthau e Rudolf Steinmetz, tr\u00eas autores cl\u00e1ssicos da geopol\u00edtica e que s\u00e3o obrigatoriamente estudados nas academias militares em todo o mundo, constituem alguns dos elementos caracterizadores de uma pot\u00eancia: extens\u00e3o territorial, tamanho da popula\u00e7\u00e3o, exist\u00eancia de mat\u00e9rias-primas e recursos naturais, desenvolvimento econ\u00f4mico\/produtivo\/tecnol\u00f3gico. Spykman tamb\u00e9m inclui a natureza das fronteiras e Steinmetz a unidade e a coes\u00e3o nacionais<sup>[FQ2]<\/sup>. Ou seja, o Brasil possui alguns dos requisitos para ser considerado pot\u00eancia, mais at\u00e9 do que Reino Unido, por exemplo, que supriu sua car\u00eancia de territ\u00f3rio e recursos naturais colonizando e espoliando outras regi\u00f5es do mundo. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, ent\u00e3o, a busca das pot\u00eancias de enfraquecer seus concorrentes, potenciais ou de fato, incitando sua fragmenta\u00e7\u00e3o territorial criando v\u00e1rios novos pa\u00edses artificiais, ou seja, sua balcaniza\u00e7\u00e3o. Antes de passar ao caso do Brasil, tratarei brevemente de R\u00fassia e China, que se assemelham muito ao Brasil no tocante a serem pa\u00edses muito extensos. China (principalmente no Tibet), R\u00fassia (como na Chech\u00eania em outras \u00e1reas do C\u00e1ucaso) sofrem press\u00f5es, insufladas por ONGs ligadas aos mesmos centros de poder que as que operam na Amaz\u00f4nia. N\u00e3o \u00e0 toa, os governos da R\u00fassia e da China, respons\u00e1veis por fazerem de seus pa\u00edses os mais pujantes do mundo hoje, cientes do perigo que correm, controlam e restringem fortemente <a href=\"https:\/\/www.climatechangenews.com\/2017\/11\/21\/russia-brands-environmental-ngos-foreign-agents\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a entrada e atua\u00e7\u00e3o de ONGs<\/a>, inclusive ambientalistas. O que n\u00e3o impede de modo algum esses governos, sobretudo o chin\u00eas, estabelecerem pol\u00edticas ambientais avan\u00e7adas, sobretudo nos grandes centros urbanos, em par\u00e2metros semelhantes aos por mim defendidos no v\u00eddeo\/texto<sup>[FQ3]<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso do Brasil, a extrema fragilidade do seu sistema de defesa, da sua integra\u00e7\u00e3o nacional e a cegueira das elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas quanto a essa quest\u00e3o o tornam vulner\u00e1vel a a\u00e7\u00f5es imperialistas anti-desenvolvimentistas e balcanizantes \u2013 inclusive anti-ambientais, como falarei adiante &#8211; travestidas de causas ambientalistas e indigenistas atrav\u00e9s de ONGs. A manuten\u00e7\u00e3o dessa desprote\u00e7\u00e3o, dessa desintegra\u00e7\u00e3o e dessa cegueira \u00e9 injustific\u00e1vel historicamente. O Brasil, com a <a href=\"http:\/\/www.ahimtb.org.br\/questpirara.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quest\u00e3o do Pirara<\/a>, amargou, em 1904, ap\u00f3s um contencioso de quase um s\u00e9culo, a perda de 19.630 km\u00b2 para a Guiana Inglesa, portanto, para o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico (com a decisiva atua\u00e7\u00e3o de Lord Palmerston, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Estado para Assuntos Estrangeiros), cuja elite do poder \u00e9 a mesma que hoje controla o WWF, <em>Survival International<\/em> (sediada em Londres) e grande parte do ambientalismo\/indigenismo ongueiro mundial, e que decididamente se aproveitou da integra\u00e7\u00e3o praticamente nula do local com o resto do Brasil. Mais interessante ainda \u00e9 que na base do separatismo esteve uma suposta prote\u00e7\u00e3o aos \u00edndios dali, considerados \u201cindependentes\u201d da autoridade brasileira e manipulados pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico para apoiarem a anexa\u00e7\u00e3o do local a esse imp\u00e9rio. Como atualiza\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica imperialista \u00e9 que ocorre toda a campanha olig\u00e1rquica pela \u201cinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d da Amaz\u00f4nia, objetivo que, apesar de capitaneado nas \u00faltimas d\u00e9cadas por l\u00edderes imperialistas como Al Gore e Mitterrand, n\u00e3o \u00e9 recente. Existiu na tentativa estadunidense de se apoderar da Amaz\u00f4nia no s\u00e9culo XIX<sup>[FQ4]<\/sup>; na sugest\u00e3o indecente do presidente dos EUA Woodrow Wilson ao nosso ent\u00e3o presidente Epit\u00e1cio Pessoa, durante a Confer\u00eancia de Paz em 1919, de \u201cinternacionalizar\u201d o rio Amazonas<sup>[FQ5]<\/sup>; na sugest\u00e3o, em 1946, de cria\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional da Hil\u00e9ia Amaz\u00f4nica, para tornar a Amaz\u00f4nia propriedade da Unesco e da oligarquia norte-atl\u00e2ntica que comanda as Na\u00e7\u00f5es Unidas, a fim de interromper o processo virtuoso de povoamento e desenvolvimento do interior do pa\u00eds iniciado por Vargas, no Estado Novo, com a Marcha para o Oeste, focalizada no centro-oeste mas que constitu\u00eda etapa anterior \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o desenvolvimentista da Amaz\u00f4nia; e, finalmente, na Rio-92, com o avan\u00e7o do ambientalismo imperialista e ongueiro associado ao neoliberalismo. J\u00e1 de muito tempo que se procura negar ao Brasil e a outros pa\u00edses sul-americanos a soberania sobre a Amaz\u00f4nia e, portanto, a sua capacidade de aproveit\u00e1-la para seu pr\u00f3prio desenvolvimento, resolvendo seus problemas e os de seu povo, inclusive dos ind\u00edgenas, parte essencial do povo brasileiro. A Terra Ind\u00edgena Yanomami, criada ao longo de ampla linha de fronteira e sobre imensas jazidas minerais no governo Collor ap\u00f3s intensas press\u00f5es, desde os anos 60, do establishment brit\u00e2nico atrav\u00e9s da <em>Survival International<\/em><sup>[FQ6]<\/sup>, segue essa mesma linha. Com esse mesmo objetivo, foi criada, em 1993, a Iniciativa do Escudo da Guiana, apoiada pela oligarquia norte-atl\u00e2ntica via WWF e IUCN, para supostamente proteger a fauna e a flora do Escudo da Guiana, ou Ilha da Guiana, que se espraia por Brasil, Venezuela, Col\u00f4mbia, Suriname e Guianas, com a maior parte do estado de Roraima compreendido nesse escudo. Assim, pode-se entender o porqu\u00ea de toda a press\u00e3o internacional, dos governos e capitalistas do Atl\u00e2ntico Norte, pela demarca\u00e7\u00e3o de Raposa Serra do Sol, que al\u00e9m de conter a segunda maior reserva de ur\u00e2nio do mundo, tamb\u00e9m cont\u00e9m jazidas de estanho, diamante, ouro, ni\u00f3bio, zinco, caulim, ametista, cobre, diatomito, barita, molibd\u00eanio, tit\u00e2nio e calc\u00e1rio. H\u00e1, portanto, muita coisa mas n\u00e3o mera coincid\u00eancia na reivindica\u00e7\u00e3o, financiada de fora, por \u201cautodetermina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena\u201d com direito \u00e0 <a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SR-on-IPs-end-of-mission-statement-Brazil-17-03-2016-final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">auto-demarca\u00e7\u00e3o de terras e auto-prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio<\/a>, nessa reserva e em outras, assim como a obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de Roraima ao resto do pa\u00eds, com o indigenismo ongueiro dificultando a constru\u00e7\u00e3o da linha de transmiss\u00e3o Manaus-Boa Vista, supostamente para proteger os Waimiri Atroari mas, na verdade, para impedir a integra\u00e7\u00e3o nacional e acelerar a balcaniza\u00e7\u00e3o do Brasil. Sem falar do <a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/mundo\/201506051223696\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Corredor Triplo A<\/a>, verdadeira amea\u00e7a \u00e0 soberania brasileira sobre a Amaz\u00f4nia, e estrategicamente situada sobre a fronteira com Col\u00f4mbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guina Francesa, para dificultar a integra\u00e7\u00e3o sul-americana e incentivar separatismos ind\u00edgenas atrav\u00e9s da \u201cautogest\u00e3o\u201d dos povos ind\u00edgenas. Da mesma forma, a virulenta e agressiva oposi\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia plutocr\u00e1tica inglesa, supostamente em defesa dos \u00edndios, aos projetos de industrializa\u00e7\u00e3o e de infraestrutura no Norte durante o governo Dilma, revelam muito dos planos de manuten\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia como uma reserva de mat\u00e9rias-primas para os pa\u00edses centrais, \u00e0s custas da mis\u00e9ria humana e da devasta\u00e7\u00e3o ambiental decorrentes do ambientalismo\/indigenismo imperialistas e de <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2013\/may\/29\/brazil-indigenous-people-violates-rights\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">santu\u00e1rio<\/a>. O precedente hist\u00f3rico de fragmenta\u00e7\u00e3o territorial alimentada pelo \u201cautonomismo ind\u00edgena\u201d e pela desintegra\u00e7\u00e3o com o resto do pa\u00eds \u00e9 a Quest\u00e3o do Pirara, e as for\u00e7as que conduzem um e outro caso s\u00e3o as mesmas, ou seja, a oligarquia norte-atl\u00e2ntica, com destaque para a inglesa. Tamb\u00e9m n\u00e3o surpreende a exist\u00eancia de minera\u00e7\u00e3o ilegal (e ambientalmente destruidora, exemplificando a falsidade do dilema entre ambientalismo\/indigenismo e explora\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel da natureza, como demonstrei no meu texto\/v\u00eddeo) <a href=\"http:\/\/www.ambito-juridico.com.br\/site\/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=6974\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dentro da reserva<\/a>, e a quem ela atende, aos \u00edndios e \u00e0 natureza que n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E por que n\u00e3o? Apesar de toda a ret\u00f3rica reacion\u00e1ria e pseudo-antropol\u00f3gica da necessidade de preservar \u201cculturas aut\u00eanticas\u201d e \u201cmodos de vida originais\u201d, seguindo uma l\u00f3gica perversa de \u201czool\u00f3gico humano\u201d, o que de fato mais destr\u00f3i as culturas e os modos de vida ind\u00edgenas s\u00e3o a mis\u00e9ria, o subdesenvolvimento e a falta de oportunidades que grassam no Norte e no Centro-Oeste (n\u00e3o s\u00f3 mas especialmente) afetando os ind\u00edgenas com particular severidade. A <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csp\/v33n5\/1678-4464-csp-33-05-e00015017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mortalidade infantil entre os ind\u00edgenas<\/a> \u00e9 o dobro da m\u00e9dia nacional \u2013 entre os xavante e ianom\u00e2mi \u00e9 <a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Voce-precisa-saber\/noticia\/2018\/09\/taxa-de-mortalidade-infantil-indigena-diminui-apenas-47-em-2017.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nove vezes maior<\/a> \u2013 as taxas de tuberculose e analfabetismo s\u00e3o o triplo, e estima-se que a expectativa de vida seja 20 anos menor que a do restante da popula\u00e7\u00e3o. Mendic\u00e2ncia, fome, doen\u00e7as, prostitui\u00e7\u00e3o, suic\u00eddio, alcoolismo, tudo isso s\u00e3o a triste realidade que acomete muitos <a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/228437833-Quem-manipula-os-povos-indigenas-contra-o-desenvolvimento-do-Brasil-Autores-Lorenzo-Carrasco-e-Silvia-Palacios.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ind\u00edgenas na condi\u00e7\u00e3o de pobres e miser\u00e1veis em um pa\u00eds perif\u00e9rico e colonizado<\/a>. O tamanho desproporcional das Terras Ind\u00edgenas (13,8% do total territorial brasileiro) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que nelas habita (0,4%) n\u00e3o os faz ter uma vida decente; ao contr\u00e1rio, o isolamento de todo e qualquer desenvolvimento e do resto do pa\u00eds, condenando-os \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas rudimentares e pouqu\u00edssimo produtivas de ca\u00e7a, coleta e extra\u00e7\u00e3o, os leva \u00e0 mis\u00e9ria absoluta seja nas reservas seja nas cidades, procurando em v\u00e3o por alguma oportunidade que os dignifique. Se h\u00e1 o \u201cInferno terrestre\u201d, esse \u00e9 provocado pelo estado de pen\u00faria material e social a que ONGs estrangeiras, como representantes do Imp\u00e9rio norte-atl\u00e2ntico, submetem e desejam submeter essas regi\u00f5es, com apoio, consciente ou n\u00e3o, de grande parte da opini\u00e3o p\u00fablica e do Estado brasileiros. A solu\u00e7\u00e3o, evidentemente, n\u00e3o \u00e9 fazer o que j\u00e1 \u00e9 feito, como obrigar, pela for\u00e7a da necessidade, os \u00edndios a serem miser\u00e1veis nas cidades subdesenvolvidas existentes hoje no Brasil ou torn\u00e1-los escravos de grileiros, pecuaristas, garimpeiros, madeireiros contraventores e que se alastram pelos rinc\u00f5es verdes do pa\u00eds pela absoluta falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, de acesso e de integra\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas com o restante do pa\u00eds assim como com os setores mais complexos e com as pr\u00e1ticas mais avan\u00e7adas e social e ambientalmente sustent\u00e1veis de urbaniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso superar, atrav\u00e9s do desenvolvimento e da integra\u00e7\u00e3o nacionais, o falso dilema que critiquei no v\u00eddeo\/texto. \u00cdndio civilizado n\u00e3o \u00e9 \u00edndio b\u00eabado, esse \u00e9 o \u00edndio que sofre as consequ\u00eancias das pol\u00edticas imperialistas hoje adotadas atrav\u00e9s das ONGs. \u00cdndio civilizado \u00e9 \u00edndio com emprego e habita\u00e7\u00e3o decentes, com saneamento b\u00e1sico, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e transporte p\u00fablicos de qualidade, com op\u00e7\u00f5es de lazer e tempo livre para, se quiser, adotar suas pr\u00e1ticas religiosas e culturais mas com a dignidade humana que s\u00f3 o desenvolvimento produtivo e social do Norte e do Centro-Oeste, a partir da lideran\u00e7a do Estado, podem proporcionar. Ou seja, \u00e9 o \u00edndio integrado como cidad\u00e3o brasileiro, n\u00e3o como \u201cele\u201d mas como \u201cn\u00f3s\u201d, a uma comunidade nacional soberana e pr\u00f3spera, onde as riquezas nacionais sirvam \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es materiais e morais de todo o pa\u00eds. N\u00e3o o \u00edndio alijado do seu pa\u00eds e submisso a outros, distante de qualquer progresso em nome de uma representa\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica, importada, falsa e perversa de autenticidade cultural e \u00e9tnica que na verdade s\u00f3 serve de justificativa para a acumula\u00e7\u00e3o desenfreada nas m\u00e3os de meia d\u00fazia de biliard\u00e1rios nos pa\u00edses centrais e para o pleno dom\u00ednio deles e de seus Estados sobre os pa\u00edses alheios, espalhando o caos e a destrui\u00e7\u00e3o. E como toda cultura \u00e9 din\u00e2mica e sujeita a influ\u00eancias rec\u00edprocas, ent\u00e3o n\u00e3o se deve temer uma perda antropol\u00f3gica. Pelo contr\u00e1rio, com o desenvolvimento nacional como defini e sua inclus\u00e3o ativa nesse desenvolvimento, os ind\u00edgenas, libertos dos grilh\u00f5es da mis\u00e9ria e da explora\u00e7\u00e3o desumana, ter\u00e3o mais oportunidades e meios de expressarem seus valores, tradi\u00e7\u00f5es e costumes. Diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas ser\u00e3o incorporadas como singularidades associadas \u00e0 totalidade nacional, em contato com outras de modo a enriquecer e vitalizar a Na\u00e7\u00e3o e a cultura nacional, e n\u00e3o como rel\u00edquias ex\u00f3ticas de um passado pr\u00e9-hist\u00f3rico (com todas as mazelas daquele momento potencializadas pela superexplora\u00e7\u00e3o capitalista) para deleite pervertido e aproveitamento utilit\u00e1rio canalha da oligarquia ocidental, tal como s\u00e3o tratadas hoje pelo indigenismo ongueiro e imperialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar que a sustentabilidade ambiental depende muito das condi\u00e7\u00f5es sociais e infraestruturais; quanto mais mis\u00e9ria, fome, falta de oportunidades de emprego, de investimentos produtivos complexos e ascens\u00e3o social e menos infraestrutura com prote\u00e7\u00e3o social (energia, habita\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico, coleta e tratamento de lixo, transportes eficientes, vacina\u00e7\u00e3o etc.), maiores s\u00e3o as taxas de desmatamento (para obter lenha, p. ex.), de polui\u00e7\u00e3o, de ocupa\u00e7\u00e3o irregular do solo, de agress\u00f5es contra a natureza (via grilagem e agropecu\u00e1ria n\u00e3o-desenvolvida p. ex.), de prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as etc. Obviamente n\u00e3o se trata de exterminar as on\u00e7as-pintadas e as florestas, mas de preserv\u00e1-las na medida em que sejam funcionais ao desenvolvimento nacional, n\u00e3o contra o ser humano mas com ele. Reservas e parques s\u00e3o important\u00edssimos, mas devem responder \u00e0s necessidades de soberania nacional e bem-estar da sociedade, n\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais por pot\u00eancias imperialistas. O apocalipse ambiental decorrente de mais da metade dos brasileiros n\u00e3o ter acesso a saneamento b\u00e1sico n\u00e3o sensibiliza o pseudo-ambientalismo das ONGs imperialistas. No entanto, n\u00e3o se pode falar seriamente de preserva\u00e7\u00e3o ambiental sem defender a universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento b\u00e1sico, o que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a\u00e7\u00e3o decidida do Estado para prover e direcionar os investimentos necess\u00e1rios a esse setor que n\u00e3o interessa \u00e0s empresas privadas por n\u00e3o ser lucrativo mas que \u00e9 fundamental para a sustentabilidade social, ambiental e econ\u00f4mica do pa\u00eds. E, para o Estado dispor dos meios para tanto, deve nacionalizar os recursos estrat\u00e9gicos (naturais, territoriais, financeiros etc.) do pa\u00eds e utiliz\u00e1-los para seu desenvolvimento produtivo e social com integra\u00e7\u00e3o nacional, com Lei de Responsabilidade Social e tudo como defendi no v\u00eddeo\/texto. S\u00f3 assim poder\u00e1 melhorar as condi\u00e7\u00f5es ambientais do pa\u00eds como um todo, incluindo as pr\u00f3prias metr\u00f3poles, evitando polui\u00e7\u00f5es, doen\u00e7as e desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos atrav\u00e9s de uma maior qualidade de vida para todos, um maior aproveitamento energ\u00e9tico e um melhor planejamento urbano. Um exemplo pr\u00e1tico do que recomendo, al\u00e9m do j\u00e1 mencionado caso do Sul Fluminense durante a Era Vargas, s\u00e3o as <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Smart_city\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidades inteligentes<\/a>, que podem e devem ser utilizadas como modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil. N\u00e3o s\u00f3 para as cidades j\u00e1 existentes em todas as regi\u00f5es, mas tamb\u00e9m para as que surgir\u00e3o ou se expandir\u00e3o, de prefer\u00eancia no Norte, Centro-Oeste e Nordeste para favorecer a integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, caso se leve a cabo uma verdadeira estrat\u00e9gia nacional de desenvolvimento. Estrat\u00e9gia essa eu n\u00e3o pode prescindir do desenvolvimento agr\u00edcola para abastecer uma popula\u00e7\u00e3o crescente dos alimentos necess\u00e1rios para que se torne mais saud\u00e1vel, inteligente e capaz de efetuar as transforma\u00e7\u00f5es de que o Brasil necessita para ser a pot\u00eancia que, por sua natureza, tem direito a almejar ser. E, para isso, \u00e9 preciso se industrializar e ter amplo controle sobre seus pr\u00f3prios recursos que hoje s\u00e3o em grande parte interditados pelo imperialismo ongueiro, a fim de que o pa\u00eds possa produzir as m\u00e1quinas e insumos necess\u00e1rios ao aumento da produtividade da terra, tornando-se mais independente do estrangeiro. \u00c9 bastante ilustrativo que os pa\u00edses l\u00edderes no <a href=\"https:\/\/epi.envirocenter.yale.edu\/epi-topline?country=&amp;order=field_epi_rank_new&amp;sort=asc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00cdndice de Performance Ambiental de 2018<\/a> sejam fortemente industrializados e com densa rede de infraestrutura em todo seu territ\u00f3rio, como Su\u00ed\u00e7a, Fran\u00e7a, Dinamarca e Su\u00e9cia, enquanto os com os piores \u00edndices sejam absolutamente subdesenvolvidos, n\u00e3o-industrializados, n\u00e3o-integrados e submetidos ao ambientalismo ongueiro imperialista de santu\u00e1rio, como Burundi, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, N\u00edger, Madagascar e Uganda. Longe de proteger os processos ecol\u00f3gicos, o ambientalismo das ONGs, ao impedir o desenvolvimento dos pa\u00edses, surrupi\u00e1-los e condenar seus povos \u00e0 mis\u00e9ria, contribui fortemente para aumentar a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, voc\u00ea entende que eu n\u00e3o deveria dissertar sobre tal assunto por n\u00e3o ser da minha \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o e interesse principal de pesquisa. Gostaria de lembrar \u00e0 sra. Mazzei que, tanto na gradua\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias sociais quanto nas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es afins, \u00e9 estimulado o estudo sobre v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida social, a partir da vis\u00e3o das ci\u00eancias sociais. Ademais, em meus estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre estrat\u00e9gias pol\u00edticas de desenvolvimento nacional em governos social-democratas escandinavos (no meu mestrado focalizei na Su\u00e9cia dos \u201ctrinta anos gloriosos\u201d mas progressivamente, pela aproxima\u00e7\u00e3o do objeto de pesquisa, aprofundo-me no estudo do caso noruegu\u00eas), entendi algo estrat\u00e9gico para o caso brasileiro: como o aclamado modelo de Estado de bem-estar desses pa\u00edses s\u00f3 foi poss\u00edvel pela lideran\u00e7a do Estado em promover o desenvolvimento nacional nos termos que defendi nesse artigo, integrando TODO o pa\u00eds por meio de grandes obras de infraestrutura e de industrializa\u00e7\u00e3o ao longo de todo o territ\u00f3rio de maneira a favorecer a internaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, a expans\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o com o adequado ordenamento social e ambiental no \u00e2mago de polos industriais, e n\u00e3o contra esses. Hidrel\u00e9tricas (h\u00e1 um aproveitamento muito grande na Noruega, bem maior que no Brasil, e a Su\u00e9cia ampliou em 5 vezes a produ\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica entre 1946 e 1975, principalmente atrav\u00e9s da estatal de energia Vattenfall), usinas nucleares (no caso sueco), habita\u00e7\u00e3o com saneamento e \u00e1reas verdes de uso comum em torno, estradas, ferrovias, telecomunica\u00e7\u00f5es, centros tecnol\u00f3gicos, ind\u00fastria (no caso noruegu\u00eas, entre 1945 e 1980, foram criadas diversas ind\u00fastrias estatais metal\u00fargicas em v\u00e1rias regi\u00f5es rurais, em sinergia com as atividades mineradoras controladas pelo Estado), tudo isso foi levado pelo Estado aos rinc\u00f5es desses pa\u00edses, contribuindo para elevar o padr\u00e3o de vida de todos e a integra\u00e7\u00e3o nacional. Sim, felizmente h\u00e1 muitos parques nacionais na Noruega e na Su\u00e9cia, como devem haver aqui, mas nada que bloqueie, como aqui, as fronteiras e os recursos estrat\u00e9gicos desses pa\u00edses. N\u00e3o \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o, sra. Mazzei, para saber onde h\u00e1 mais prote\u00e7\u00e3o ambiental, se na Su\u00e9cia e na Noruega soberanas, industrializadas e desenvolvidas ou no Brasil e nos pa\u00edses africanos colonizados e ref\u00e9ns de ONGs que, embora muita sejam financiadas pelos governos daqueles pa\u00edses, querem que fa\u00e7amos o contr\u00e1rio do que eles fizeram para se desenvolver, pois o desenvolvimento capitalista deles, depende, em grande parte, da manuten\u00e7\u00e3o do nosso subdesenvolvimento e da nossa falta de soberania sobre nossas pr\u00f3prias riquezas.<\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p>Assuntos que est\u00e3o no texto:<\/p>\n<p>FQ1 \u2013 Informa\u00e7\u00f5es acerca de onde v\u00e1rias dessas organiza\u00e7\u00f5es extraem financiamento e suas rela\u00e7\u00f5es com grandes corpora\u00e7\u00f5es e magnatas (inclusive de setores contr\u00e1rios aos prop\u00f3sitos aparentes dessas organiza\u00e7\u00f5es) podem ser encontradas no site https:\/\/www.activistfacts.com\/<\/p>\n<p>FQ2 \u2013 ARON, Raymond. <strong>Paz e Guerra entre as Na\u00e7\u00f5es<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2018. p. 63<\/p>\n<p>FQ3 \u2013 Para o caso chin\u00eas, tanto do controle sobre ONGs quanto sobre as pol\u00edticas ambientalistas, cf. ECONOMY, Elizabeth. <strong><em>The Third Revolution<\/em><\/strong><strong>:<\/strong> Xi Jinping and the new Chinese state. Oxford, 2018. Cap. 6<\/p>\n<p>FQ4 \u2013 Cf. BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. <strong>Presen\u00e7a dos Estados Unidos no Brasil<\/strong>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1977. Cap. XIV e XV<\/p>\n<p>FQ5 \u2013 PACHECO, Mario Victor de Assis. <strong>Neocolonialismo e Controle de Natalidade<\/strong>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1968. P. 141<\/p>\n<p>FQ6 \u2013 Para um maior detalhamento dos v\u00ednculos, cf. <strong>M\u00e1fia Verde<\/strong>, cap. 9<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>DE1 \u2013 A imagem usada como base do banner deste artigo \u00e9 um excerto da &#8220;Floresta Virgem do Brasil&#8221;, de Charles Othon Fr\u00e9d\u00e9ric \u2013 Conde de Clarac (1819).<\/p>\n<p>DE2 \u2013 <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/video\/imdb\/vi4196837657?playlistId=tt1535108&amp;ref_=tt_ov_vi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Elisyum<\/em><\/a> \u00e9 um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Neil Blomkamp (2013).<\/p>\n<p>DE3 \u2013 <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9985.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei 9.985\/2000<\/a> \u00e9 a que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza \u2013 SNUC.<\/p>\n<p>DE4 \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.neonscience.org\/lidar-basics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>LiDAR<\/em><\/a>\u00a0(\u00e9 o acr\u00f4nimo em l\u00edngua inglesa para\u00a0<i>Light Detection And Ranging,\u00a0<\/i>ou Determina\u00e7\u00e3o e Localizac\u00e3o por Laser\u00a0) \u00e9 uma tecnologia \u00f3tica que permite a identifica\u00e7\u00e3o remota atrav\u00e9s da medi\u00e7\u00e3o das propriedades da luz refletida, obtendo-se a dist\u00e2ncia (e\/ou outra informa\u00e7\u00e3o) de um determinado objeto localizado remotamente. Atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de um pulso laser, verifica-se a dist\u00e2ncia em que se localiza um determinado objeto medindo-se a diferen\u00e7a de tempo entre a emiss\u00e3o e a recep\u00e7\u00e3o do sinal refletido. Similar \u00e0 tecnologia do radar, quando s\u00e3o empregadas\u00a0ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Aqui um exemplo, apresentado pela National Geographic, sobre uma <a href=\"https:\/\/news.nationalgeographic.com\/2018\/02\/maya-laser-lidar-guatemala-pacunam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;megal\u00f3pole&#8221; Maya<\/a> localizada sob a selva da Guatemala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 a abertura de um debate. A partir de um coment\u00e1rio\/texto publicado pelo Duplo Expresso h\u00e1 alguns dias, a doutora em Biogeografia (USP) e pesquisadora do Instituto de Bot\u00e2nica de S\u00e3o Paulo \u2013 Katia Mazzei \u2013 sentiu-se compelida a propor uma r\u00e9plica. Com isso, iniciou-se uma discuss\u00e3o sobre a quest\u00e3o apresentada pelo cientista pol\u00edtico Felipe Quintas do &#8220;falso dilema ambiental e infigenista&#8221;. Qual a melhor resposta para a sustentabilidade dos ricos biomas nacionais? Como transformar a abundante riqueza em fonte de desenvolvimento para o nosso pa\u00eds?<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":102517,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[592,773,977,1854,2,6,10],"tags":[2394,2396,2401,2399,2389,2398,2402,2395,2400,423,1019,2390,2392,2393,2397,2391],"class_list":["post-102504","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comentaristas","category-cultura","category-economia","category-felipe-quintas","category-home","category-redacao","category-videos","tag-apas","tag-belo-monte","tag-corredor-triplo-a","tag-demarcacao","tag-dilema","tag-iucn","tag-katia-mazzei","tag-lidar","tag-mafia-verde","tag-ocde","tag-ongs","tag-ongueiro","tag-pchs","tag-terras-devolutas","tag-tis","tag-ucs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/102504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=102504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/102504\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/102517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=102504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=102504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=102504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}