{"id":102352,"date":"2019-01-19T18:54:19","date_gmt":"2019-01-19T20:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102352"},"modified":"2019-01-19T18:54:19","modified_gmt":"2019-01-19T20:54:19","slug":"falso-dilema-ambiental-e-indigenista-ameaca-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=102352","title":{"rendered":"Falso dilema ambiental e indigenista amea\u00e7a o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em>Segue, abaixo, o resumo escrito do coment\u00e1rio desta semana do cientista pol\u00edtico Felipe Quintas no Programa Duplo Expresso, com o tema \u201cFalso dilema ambiental e indigenista amea\u00e7a o pa\u00eds\u201d. O in\u00edcio da fala de Quintas j\u00e1 est\u00e1 marcado na janela de v\u00eddeo abaixo, bastando clicar play para inicia-la.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-f3i78XLCLA?start=4470\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong>Falso dilema ambiental e indigenista amea\u00e7a o pa\u00eds<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Por Felipe Maruf Quintas, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-102353\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/c-users-computador-pictures-integrar-para-nao-ent.jpeg\" alt=\"C:\\Users\\COMPUTADOR\\Pictures\\integrar para n\u00e3o entregar1.jpg\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/c-users-computador-pictures-integrar-para-nao-ent.jpeg 600w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/c-users-computador-pictures-integrar-para-nao-ent-150x150.jpeg 150w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/c-users-computador-pictures-integrar-para-nao-ent-300x300.jpeg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/c-users-computador-pictures-integrar-para-nao-ent-144x144.jpeg 144w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 preciso evitar a falsa polariza\u00e7\u00e3o entre, de um lado, o ambientalismo\/ indigenismo de santu\u00e1rio, defendido por ong&#8217;s financiadas por Estados e corpora\u00e7\u00f5es imperialistas e que procura estabelecer reservas imensas justamente em \u00e1reas repletas de recursos estrat\u00e9gicos (min\u00e9rios, \u00e1gua, etc.) e, de outro, a explora\u00e7\u00e3o selvagem e inconsequente da terra e das pessoas por oligarcas locais. N\u00e3o h\u00e1, na pr\u00e1tica, oposi\u00e7\u00e3o entre essas posi\u00e7\u00f5es. Ambas convergem para a desestatiza\u00e7\u00e3o e o n\u00e3o-desenvolvimento de imensas parcelas do territ\u00f3rio (sobretudo no Norte e Centro-Oeste) e, portanto, para a mis\u00e9ria de sua popula\u00e7\u00e3o, o esvaziamento demogr\u00e1fico, o contrabando e a privatiza\u00e7\u00e3o de riquezas nacionais, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, o separatismo com base no fomento a identitarismos \u00e9tnicos, e a fragmenta\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n<p>De um lado, o ambientalismo\/ indigenismo ongueiro de santu\u00e1rio, ao tornar, ao menos em tese, intoc\u00e1vel boa parte do territ\u00f3rio brasileiro e justamente onde \u00e9 mais vi\u00e1vel haver uma integra\u00e7\u00e3o com os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como no Norte e no Centro-Oeste, impede que os vast\u00edssimos recursos naturais de toda sorte ali presentes sejam utilizados para desenvolver o pa\u00eds. Muitas reservas est\u00e3o sobre imensas fontes de petr\u00f3leo, ouro, diamante, ni\u00f3bio, ur\u00e2nio, al\u00e9m de \u00e1gua e v\u00e1rios outros recursos ainda n\u00e3o-descobertos. As hidrovias Araguaia-Tocantins e Paran\u00e1-Paraguai foram sistematicamente sabotadas por ong\u2019s ambientalistas, destacando-se a WWF.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia do n\u00e3o-desenvolvimento e da aus\u00eancia de Estado e de maiores contingentes populacionais, faltam oportunidades para quem l\u00e1 vive e sobra mis\u00e9ria, que por sua vez leva a mais degrada\u00e7\u00e3o ambiental (polui\u00e7\u00e3o, desmatamento etc.) e torna-se campo livre para a a\u00e7\u00e3o de grupos criminosos e exploradores violentos de um extrativismo de baix\u00edssima complexidade mas que s\u00f3 se prolifera em raz\u00e3o do atraso desses lugares. Acaba, ent\u00e3o, virando espa\u00e7o aberto para Estados centrais e grandes corpora\u00e7\u00f5es de seus pa\u00edses nos ramos de petr\u00f3leo, g\u00e1s, farmac\u00eautica e minera\u00e7\u00e3o que, curiosamente, financiam muitas ong\u2019s ambientalistas\/indigenistas.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os v\u00ednculos da WWF e da CI com o establishment brit\u00e2nico, assim como o financiamento de todos os governos norte-atl\u00e2nticos a ongs (WWF, CI, TNC sendo as maiores) e o alinhamento do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento a essas (por exemplo, exigindo a demarca\u00e7\u00e3o de reservas ambientais e ind\u00edgenas almejadas por essas ong\u2019s para a libera\u00e7\u00e3o do financiamento a obras estruturantes no Norte e Centro-Oeste), mostram bem os interesses que as movem, que n\u00e3o \u00e9 de proteger o meio ambiente mas nos manter subdesenvolvidos, nos impedindo de integrar nosso territ\u00f3rio de modo que todo ele seja povoado em condi\u00e7\u00f5es dignas. N\u00e3o \u00e0 toa, o interesse ambiental delas se dirige a \u00e1reas com menor densidade populacional, e n\u00e3o onde as pessoas se concentram, ou seja, nas cidades grandes e m\u00e9dias, pois nelas n\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 onde se sabe, riquezas minerais. Na pr\u00e1tica, tal ambientalismo\/indigenismo constitui um meio de realiza\u00e7\u00e3o progressiva da antiga cobi\u00e7a da oligarquia anglo-estadunidense em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia, usurpando-a do Brasil via \u201cinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d e saqueando-a a seu bel-prazer.<\/p>\n<p>O que \u00e9 preciso \u00e9 o Estado brasileiro romper com o velho colonialismo (ao qual serve o ambientalismo\/indigenismo ongueiro), que direcionou o pa\u00eds e suas vias para o exterior, concentrou recursos no litoral pela subordina\u00e7\u00e3o comercial \u00e0 Metr\u00f3pole, e impediu a sua integra\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o internas, tornando-o suscet\u00edvel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o externa. O Estado nacional, e somente ele, \u00e9 capaz de fazer isso, devendo de fato nacionalizar todo o territ\u00f3rio, integrando-o, desenvolvendo-o e povoando-o para dentro atrav\u00e9s de corredores de desenvolvimento, grandes obras de infraestrutura f\u00edsica e social e projetos de interioriza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria que favore\u00e7am a cria\u00e7\u00e3o de renda, o aumento do mercado interno e a expans\u00e3o de valor e servi\u00e7os em todas as regi\u00f5es, assim como decretando o monop\u00f3lio sobre as riquezas nelas existentes e aproveitando-as para o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de nenhuma novidade, uma vez que a Assessoria Econ\u00f4mica de Get\u00falio Vargas, em nome de seu governo, e o Gal. Albuquerque Lima, Diretor de Vias de Transporte do Ex\u00e9rcito no governo Castello Branco e quase tendo sido presidente em vez do M\u00e9dici, defendiam, de maneira semelhante, o desenvolvimento e a povoa\u00e7\u00e3o do interior do pa\u00eds com reforma agr\u00e1ria, cria\u00e7\u00e3o de infraestrutura e industrializa\u00e7\u00e3o lideradas pelo Estado. A Sudam, criada em 66, a Polonoroeste (incluindo a controversa rodovia Cuiab\u00e1-Porto Velho) e as obras de infraestrutura da ditadura militar sob o lema \u201cIntegrar para n\u00e3o Entregar\u201d, possibilitadas pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia) criado por Vargas em 1952, foram exemplos de grandes empreendimentos necess\u00e1rios aos quais se opuseram as ong\u2019s em nome das oligarquias norte-atl\u00e2nticas.<\/p>\n<p>Por exemplo, reservas ambientais e ind\u00edgenas n\u00e3o devem ser estabelecidas onde houver grandes jazidas minerais, tampouco abertamente cedidas a corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras (na verdade, s\u00f3 o estabelecimento de reservas nessas \u00e1reas sob a vigil\u00e2ncia de ong\u2019s j\u00e1 \u00e9 uma forma de entrega-las ao capital externo). O Estado deveria reservar aos \u00edndios uma parte bem menor do territ\u00f3rio por\u00e9m suficiente a suas necessidades, de prefer\u00eancia pr\u00f3ximo a centros urbanos j\u00e1 existentes ou a serem criados, de maneira a melhorar as condi\u00e7\u00f5es materiais em que vivem. Deve tamb\u00e9m nacionalizar a Vale (que jamais deveria ter sido privatizada) para explorar os minerais existentes e articular com empresas p\u00fablicas e privadas nacionais para eletrificar o Norte e o Centro-Oeste (aproveitando, por exemplo, o ur\u00e2nio para construir parques nucleares), barateando os custos da energia el\u00e9trica, recurso b\u00e1sico \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o; integrar essas regi\u00f5es com as demais e conferir a elas acesso aos grandes mercados consumidores hoje existentes, atrav\u00e9s de uma extensa rede de comunica\u00e7\u00f5es e de transporte intermodal voltados para dentro, articulando ferrovia, hidrovia e rodovia; nacionalizar a explora\u00e7\u00e3o do ni\u00f3bio para permitir ao Brasil, que tem 98% das reservas desse min\u00e9rio, ditar seu pre\u00e7o internacional, assim como fazer com que a Ceitec (estatal de semicondutores criada no governo Lula) entre no Norte para l\u00e1 expandir sua produ\u00e7\u00e3o de alto valor agregado, servindo de base para a emerg\u00eancia de tecnopolos em parceria com universidades e escolas t\u00e9cnicas federais, empresas nacionais, etc.<\/p>\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o da cadeia tecnol\u00f3gica com base em nossas riquezas, por sua vez, gerar\u00e1 recursos de grande monta que poder\u00e3o ser revertidos para o melhoramento urbano e ambiental das cidades que surgir\u00e3o ou crescer\u00e3o com a industrializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do Norte e Centro-Oeste, integrando a preserva\u00e7\u00e3o ambiental com a urbaniza\u00e7\u00e3o, com o desenvolvimento produtivo e com maiores contingentes populacionais atrav\u00e9s de \u201ccidades inteligentes\u201d, por exemplo. Ao mesmo tempo, o Estado tamb\u00e9m deve zelar pelo melhoramento das condi\u00e7\u00f5es sociais e ambientais das cidades grandes e m\u00e9dias j\u00e1 existentes, criando regulamenta\u00e7\u00f5es e incentivos (por exemplo, atrav\u00e9s de uma Lei de Responsabilidade Social, com metas t\u00e3o r\u00edgidas quanto as da Lei de Responsabilidade Fiscal) para os governos estaduais e municipais cooperarem na amplia\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o decente, do saneamento b\u00e1sico, do transporte p\u00fablico sobre trilhos a um pre\u00e7o m\u00f3dico, das \u00e1reas livres como parques, pra\u00e7as e jardins, da arboriza\u00e7\u00e3o das vias p\u00fablicas, desest\u00edmulo ao uso de carro de passeio, etc.<\/p>\n<p>Cabe ao Estado, portanto, assumir a tarefa de organizar e desenvolver a Na\u00e7\u00e3o, rompendo com a ordem colonial e balcanizante do imperialismo norte-atl\u00e2ntico, que aqui opera tamb\u00e9m por meio de ong\u2019s bem-intencionadas apenas na apar\u00eancia. Assim, ser\u00e1 poss\u00edvel ao Brasil ser um pa\u00eds maior e melhor do que \u00e9, em que os ind\u00edgenas e n\u00e3o-ind\u00edgenas n\u00e3o sejam a\u00e7oitados pela mis\u00e9ria e por jagun\u00e7os, em que n\u00e3o seja preciso escolher entre um dos lados da mesma moeda do subdesenvolvimento e da degrada\u00e7\u00e3o nacional, social e ambiental do pa\u00eds: ou a privatiza\u00e7\u00e3o e o n\u00e3o-desenvolvimento via santu\u00e1rios ou a mesma coisa atrav\u00e9s do extrativismo criminoso, violento e improdutivo por oligarquias locais e estrangeiras. A degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente na Amaz\u00f4nia e no Cerrado (e em todo o pa\u00eds) \u00e9, em grande parte, fruto do atraso que o Imp\u00e9rio, atrav\u00e9s das ong\u2019s, quer eternizar nessas \u00e1reas para control\u00e1-las e saque\u00e1-las, com o fen\u00f4meno da grilagem e do extrativismo ilegal sendo uma manifesta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria desse atraso.<\/p>\n<p>A atual situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, entretanto, um destino. Atrav\u00e9s da afirma\u00e7\u00e3o da soberania nacional sobre todas nossas regi\u00f5es e da realiza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento nacional, integrando nosso pa\u00eds para n\u00e3o entreg\u00e1-lo, \u00e9 poss\u00edvel oferecer a todos os nossos compatriotas (que podem ser muito mais do que hoje existem, devido \u00e0 grandeza e fartura de nosso pa\u00eds) condi\u00e7\u00f5es para viverem em um Estado de bem-estar social digno do nome.<\/p>\n<p>___________<br \/>\n<strong>Dicas de leitura:<\/strong><\/p>\n<p>CAMELY, Nazira. <em>Imperialismo, Ambientalismo e Ongs na Amaz\u00f4nia<\/em>. Rio de Janeiro: Consequ\u00eancia, 2018.<\/p>\n<p>EIR \u2013 EXECUTIVE INTELLIGENCE REVIEW. <em>M\u00e1fia Verde<\/em>: o ambientalismo as servi\u00e7o do governo mundial. Rio de Janeiro: EIR, 2001.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso evitar a falsa polariza\u00e7\u00e3o entre, de um lado, o ambientalismo\/ indigenismo de santu\u00e1rio, defendido por ong&#8217;s financiadas por Estados e corpora\u00e7\u00f5es imperialistas e que procura estabelecer reservas imensas justamente em \u00e1reas repletas de recursos estrat\u00e9gicos (min\u00e9rios, \u00e1gua, etc.) e, de outro, a explora\u00e7\u00e3o selvagem e inconsequente da terra e das pessoas por oligarcas locais. N\u00e3o h\u00e1, na pr\u00e1tica, oposi\u00e7\u00e3o entre essas posi\u00e7\u00f5es. 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