{"id":101040,"date":"2018-11-20T20:48:30","date_gmt":"2018-11-20T22:48:30","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=101040"},"modified":"2018-11-20T20:48:30","modified_gmt":"2018-11-20T22:48:30","slug":"desenvolvimento-e-soberania-uma-relacao-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=101040","title":{"rendered":"Desenvolvimento e soberania: uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Segue, abaixo, o resumo escrito do coment\u00e1rio desta semana do cientista pol\u00edtico Felipe Quintas no Programa Duplo Expresso, com o tema &#8220;Desenvolvimento e soberania: uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;. O in\u00edcio da fala de Quintas j\u00e1 est\u00e1 marcado na janela de v\u00eddeo abaixo, bastando clicar play para inicia-la.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pDlVF9KqDfM?start=1703\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>*<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong>&#8220;Desenvolvimento e soberania: uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Por Felipe Maruf Quintas, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>Existe muita confus\u00e3o (propositalmente criada pela grande m\u00eddia e a ortodoxia monetarista, sacerdotes da alta finan\u00e7a) entre crescimento e desenvolvimento e, ainda por cima, limitando-os a seu aspecto econ\u00f4mico e n\u00e3o enxergando as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais que os caracterizam em cada contexto. Dificilmente ocorre desenvolvimento sem crescimento mas esses aspectos n\u00e3o s\u00e3o redut\u00edveis um ao outro. Crescimento, na verdade, refere-se simplesmente ao aumento quantitativo do produto interno medido em termos financeiros, geralmente em d\u00f3lar, sem necessariamente qualquer repercuss\u00e3o na estrutura f\u00edsica do pa\u00eds, na sua capacidade end\u00f3gena de produ\u00e7\u00e3o de riquezas, na sua inser\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional e na sua organiza\u00e7\u00e3o social, ainda que, quando ocorra sem desenvolvimento, seja apropriado quase inteiramente pelas oligarquias existentes, servindo apenas a prop\u00f3sitos privados.<\/p>\n<p>O desenvolvimento, por sua vez, significa uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural das rela\u00e7\u00f5es materiais e sociais, com novas combina\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas produzidas nacionalmente que elevem a complexidade produtiva do pa\u00eds e sua posi\u00e7\u00e3o nas cadeias globais de valor, articuladas com um rearranjo social no sentido de maior diversifica\u00e7\u00e3o ocupacional e maior mobilidade social, tornando poss\u00edvel mais tipos de aspira\u00e7\u00f5es pessoais serem realizados. N\u00e3o necessariamente coexiste com a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, vide os casos do Brasil do \u201cMilagre\u201d e da China dos anos 1990 e 2000, embora em outros, como nos pa\u00edses escandinavos durante os \u201ctrinta anos gloriosos\u201d (1945-1973), tenha feito parte da estrat\u00e9gia desenvolvimentista conduzida pelos governos social-democratas. O desenvolvimento \u00e9, assim, um processo de longo-prazo de car\u00e1ter p\u00fablico, multidimensional e totalizante, cujo aspecto central \u00e9 a criatividade em todos os n\u00edveis, politicamente orientada pela a\u00e7\u00e3o coordenadora do Estado.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo ponto \u00e9 outro em que crescimento e desenvolvimento se diferenciam: enquanto o primeiro, em si s\u00f3, pode ser mero reflexo de oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os internacionais ditados pela pol\u00edtica de grandes corpora\u00e7\u00f5es sediadas nos pa\u00edses centrais, o segundo sempre acontece a partir da a\u00e7\u00e3o deliberada e coordenada do pr\u00f3prio Estado. A posi\u00e7\u00e3o privilegiada desse \u00faltimo no conjunto do pa\u00eds, dado o seu monop\u00f3lio da viol\u00eancia f\u00edsica leg\u00edtima em todo o territ\u00f3rio, lhe permite alocar recursos segundo uma estrat\u00e9gia de longo-prazo que supere as de curto-prazo dos agentes individuais. N\u00e3o existe nenhuma experi\u00eancia hist\u00f3rica de desenvolvimento que n\u00e3o tenha passado pela lideran\u00e7a estatal a partir de m\u00faltiplas formas de interven\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico (constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura, protecionismo alfandeg\u00e1rio, incentivos tribut\u00e1rios e fornecimento de cr\u00e9dito p\u00fablico a atividades promissoras selecionadas como priorit\u00e1rias, capacita\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, gera\u00e7\u00e3o end\u00f3gena de tecnologia, planejamento salarial, cria\u00e7\u00e3o de demanda a partir de compras governamentais para fins civis ou militares etc.). Tamb\u00e9m favorece a negocia\u00e7\u00e3o entre diferentes interesses e grupos sociais em termos favor\u00e1veis ao desenvolvimento, mantendo e se poss\u00edvel incrementando a coes\u00e3o social e a estabilidade institucional em um contexto de profundas mudan\u00e7as, nos quais os benefici\u00e1rios da ordem anterior s\u00e3o preteridos em favor de novos grupos, vinculados \u00e0 din\u00e2mica desenvolvimentista. A coes\u00e3o social e a estabilidade institucional, ampliando a capacidade estatal de interven\u00e7\u00e3o desenvolvimentista, s\u00e3o fundamentais para a sustentabilidade desse processo, intrinsecamente de longo-prazo.<\/p>\n<p>O desenvolvimento, portanto, ao contr\u00e1rio do mero crescimento, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com um elevado grau de soberania nacional, que permita \u00e0 coletividade se autodeterminar em \u00faltima inst\u00e2ncia, mesmo a despeito de press\u00f5es externas em sentido contr\u00e1rio. Para isso \u00e9 fundamental que haja o controle nacional sobre os recursos estrat\u00e9gicos do pa\u00eds (territoriais, naturais, financeiros, produtivos e, sobretudo, humanos\/sociais\/demogr\u00e1ficos), a fim de utiliz\u00e1-los a favor do desenvolvimento. Para que esse controle seja poss\u00edvel, \u00e9 preciso que haja um forte sistema de defesa, um poderio militar proporcional \u00e0 import\u00e2ncia e grandeza do pa\u00eds no mundo, que deve ser tanto maior quanto mais se expandir o poder nacional. Sendo a defesa de uma na\u00e7\u00e3o \u201cmuito mais\u201d importante que a sua opul\u00eancia, como assinalado por Adam Smith no livro IV d\u2019A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es, isso se deve ao car\u00e1ter geopol\u00edtico do desenvolvimento, uma vez que a riqueza e o poder das na\u00e7\u00f5es, sua capacidade econ\u00f4mica e militar, s\u00e3o indissoci\u00e1veis, ainda mais quando se trata de pot\u00eancias de fato ou aspirantes. Essas condi\u00e7\u00f5es permitem ao Estado, representante institucional da na\u00e7\u00e3o, dispor dos meios para impulsionar o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Esse, por sua vez, refor\u00e7a a soberania do pa\u00eds ao incrementar seus recursos materiais (substituindo importa\u00e7\u00f5es e melhorando sua posi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e comercial no mundo, alinhando sua pauta exportadora ao estado da arte da tecnologia mundial) e ampliar os horizontes sociais, nacionalizando os centros de acumula\u00e7\u00e3o e reduzindo assim o grau de depend\u00eancia ao exterior, em um c\u00edrculo virtuoso no qual mais recursos podem ser dispendidos em investimentos p\u00fablicos com finalidades produtivas e sociais, que por sua vez aceleram o desenvolvimento e democratizam o acesso aos recursos criados. Soberania e desenvolvimento se retroalimentam em um processo que \u00e9 n\u00e3o apenas econ\u00f4mico, mas, sobretudo, pol\u00edtico e geopol\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segue o resumo do coment\u00e1rio desta semana do cientista pol\u00edtico Felipe Quintas no Programa Duplo Expresso, com o tema &#8220;Desenvolvimento e soberania: uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;. 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