{"id":100892,"date":"2018-11-19T17:41:15","date_gmt":"2018-11-19T19:41:15","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100892"},"modified":"2018-11-19T17:41:15","modified_gmt":"2018-11-19T19:41:15","slug":"que-bom-sou-um-idiota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100892","title":{"rendered":"Que bom! Sou um idiota!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Pedro Augusto Pinho*, para o Duplo Expresso:<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma velocidade na sociedade contempor\u00e2nea que me assombra. Para ainda encontrar o \u201cinimigo comunista\u201d, \u00e9 preciso ter parado no tempo dos anos 1970, e, mesmo assim, ser pouco afeito \u00e0 busca e ao entendimento do que ocorria ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Um momento de inflex\u00e3o, de virada, foi a d\u00e9cada de 1980, quando Margaret Thatcher e Ronald Reagan aboliram os controles e regulamenta\u00e7\u00f5es para o capital financeiro e o sistema financeiro internacional pode, ent\u00e3o, acolher o capital acumulado por atos il\u00edcitos \u2013 tr\u00e1fico de drogas, de pessoas e \u00f3rg\u00e3os humanos, de armas, das corrup\u00e7\u00f5es empresariais e pol\u00edticas \u2013 que ficavam em cofres, arm\u00e1rios e, alguns mais ousados, em contas secretas na Su\u00ed\u00e7a e nos para\u00edsos fiscais, que come\u00e7avam a brotar em ilhas caribenhas e do Canal da Mancha.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, acelerou-se uma estrutura de capacita\u00e7\u00e3o formada desde a II Grande Guerra. Al\u00e9m da \u00f3bvia expertise em finan\u00e7as, foi desenvolvido um novo entendimento para diferentes \u00e1reas do conhecimento, e um bom exemplo desta diversidade s\u00e3o os Col\u00f3quios de <em>Royaumont<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Ressalto, nestes conhecimentos, um conceito amplo da informa\u00e7\u00e3o, associado \u00e0 teoria dos sistemas. Neste am\u00e1lgama desenvolveu-se a tecnologia e a capacita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deste sistema que est\u00e1 em evolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos, escrevia sobre a exist\u00eancia de meia centena de fam\u00edlias (e poderia enumerar boa parte) que controlavam os fluxos financeiros internacionais. Elas tamb\u00e9m respondiam pelo controle de governos e institui\u00e7\u00f5es internacionais, e eram as impulsionadoras, financiadoras e municiadoras da enorme quantidade de guerras que deflagraram, explodiram, desde 1990, no mundo.<\/p>\n<p>Um manto de farsas e fraudes cobriu esta realidade. Ora atribu\u00edda aos isl\u00e2micos, ora \u00e0 pregui\u00e7a dos gregos, \u00e0 incapacidade cr\u00f4nica dos latinos, tudo para que n\u00e3o ficasse claro, evidente, que havia uma for\u00e7a condutora da economia, das finan\u00e7as, da comunica\u00e7\u00e3o de massa, da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, do poder pol\u00edtico e de governos em todo planeta. Este poder \u2013 o sistema financeiro internacional \u2013, eu abrevio na palavra <strong>&#8220;banca&#8221;<\/strong>, mas meu caro leitor encontrar\u00e1 com frequ\u00eancia sob a designa\u00e7\u00e3o de Nova Ordem Mundial, ou, na sigla em ingl\u00eas para <em>New World Order \u2013 NWO<\/em>.<\/p>\n<p>Como \u00e9 \u00f3bvio, uma das escapulidas deste poder \u00e9 atribuir as realidades a uma \u201cteoria conspirat\u00f3ria\u201d, ao que retruco com a frase brilhante do grande jornalista e perspicaz analista Carlos Alberto (Beto) Almeida: <em>\u201cn\u00e3o conhe\u00e7o teorias, mas constato muitas pr\u00e1ticas conspirat\u00f3rias\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>A \u00e1rea psicossocial foi das mais profundamente desenvolvidas pela banca. In\u00fameros centros de pesquisa e institutos de an\u00e1lise e desenvolvimento foram criados nestas quatro \u00faltimas d\u00e9cadas. Afinal, era indispens\u00e1vel n\u00e3o apenas convencer as popula\u00e7\u00f5es do contr\u00e1rio da l\u00f3gica ocidental constru\u00edda, ao longo de s\u00e9culos, pelas religi\u00f5es, pela ci\u00eancia, pelas universidades, mas fazer saber o que poderia motiv\u00e1-las. Quais perfis de pessoas seriam mais sens\u00edveis aos diferentes est\u00edmulos dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, inclusive e especialmente, daqueles que cresceram com a banca: os sistemas virtuais.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma breve pausa tratando dos sistemas virtuais. Neste \u00faltimo meio s\u00e9culo, os equipamentos e sistemas de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o evolu\u00edram extraordinariamente. Tomando a minha vida profissional, passei da dificuldade de conseguir uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica internacional (ou, menos ainda, uma interurbana) para a imediata transfer\u00eancia de valor de uma conta banc\u00e1ria l\u00e1 na \u00c1sia para outra na Am\u00e9rica Latina. Ou seja, entre pa\u00edses menos desenvolvidos do que os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) e os da Uni\u00e3o Europeia (UE). E isto apenas pelo meu aparelho celular.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi neste per\u00edodo que a concentra\u00e7\u00e3o de renda acelerou-se e modificou-se a tal ponto que j\u00e1 n\u00e3o poderei, em 2018, identificar as maiores fortunas. E pe\u00e7o por favo: sejam um pouco mais exigentes do que apenas repetir os exibicionistas da Fortune. Provavelmente os <em>Windsor<\/em>, os <em>Oranje-Nassau<\/em>, continuar\u00e3o sendo das quatro ou cinco maiores fortunas do mundo e nunca compor\u00e3o as listas da Fortune.<\/p>\n<p>Esta permanente concentra\u00e7\u00e3o de renda levou-nos ao anonimato dos aplicadores bilion\u00e1rios, ou at\u00e9, dos trilion\u00e1rios. No entanto, estes donos do mundo divididos em m\u00faltiplos fundos, passaram sua gest\u00e3o para a igualmente an\u00f4nima e impessoal gest\u00e3o dos conselhos e comit\u00eas dos trilion\u00e1rios <em>Vanguard Group, BlackRock, Street State Global Advisors, Fidelity<\/em> e outras empresas de capta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Estas empresas s\u00e3o inacess\u00edveis. As v\u00edtimas jamais conseguir\u00e3o responsabiliz\u00e1-las por desastres ambientais, humanos, econ\u00f4micos ou quaisquer outros, em corte ou tribunal de pa\u00edses ricos e desenvolvidos. O que se dir\u00e1 nos pobres e colonizados como o Brasil.<\/p>\n<p>Uma superestrutura financeira que tem o projeto colonizador universal. E como sabe-se que Estados Nacionais podem se libertar por press\u00e3o dos povos famintos e desesperan\u00e7ados \u2013 aqueles que n\u00e3o tem mais o que perder \u2013, a banca tem tamb\u00e9m o projeto de redu\u00e7\u00e3o populacional.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o chegava a 2 bilh\u00f5es de almas h\u00e1 um s\u00e9culo. Hoje, avizinha 8 bilh\u00f5es. Tenho lido, em diversas fontes, e apenas repito: a banca pretende reduzir a popula\u00e7\u00e3o a 10% da atual. Mas faz sentido para evitar a press\u00e3o demogr\u00e1fica, que desencadearia outras press\u00f5es em oposi\u00e7\u00e3o ao sistema financeiro.<\/p>\n<p>E, para isso, al\u00e9m do recurso das guerras j\u00e1 em vigor, seriam acrescentados desastres ecol\u00f3gicos, uso de inseticidas e pesticidas inibidores de fertilidade e at\u00e9 assassinos. Ou a dissemina\u00e7\u00e3o de pestes e doen\u00e7as, como ebola e outras produzidas em seus laborat\u00f3rios, ou as migra\u00e7\u00f5es recebidas com tiros. Entenda, caro leitor, que n\u00e3o pretendo escrever outra distopia. Elas j\u00e1 est\u00e3o nas redes virtuais e nos canais de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea estar\u00e1 recebendo, pessoal e gratuitamente, as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para apoiar a banca. E isto porque ela estuda voc\u00ea, sua fam\u00edlia, seus amigos, seus correspondentes nos <em>Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp<\/em> e em todos estes sistemas de comunica\u00e7\u00e3o. Os fluxos e manifesta\u00e7\u00f5es das pessoas s\u00e3o processados por institutos especializados e, os pesquisadores de mercado n\u00e3o pretendem lhe vender apenas produtos, mas ideias, rea\u00e7\u00f5es, e tudo aquilo que voc\u00ea ter\u00e1 como algo \u201cespont\u00e2neo\u201d. E voc\u00ea ser\u00e1 um militante da banca, com a confian\u00e7a e entusiasmo de um pobre faxineiro analfabeto na igreja neopentecostal, cujo pastor (como um bispo Macedo) fica com toda remunera\u00e7\u00e3o de seu trabalho sem qualquer resqu\u00edcio de escr\u00fapulo.<\/p>\n<p>Que bom! Sou agora um imbecil diplomado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022\u00a0\u2022\u00a0\u2022\u00a0\u2022 \u2022<\/p>\n<p>* Pedro Augusto Pinho \u00e9 av\u00f4 e administrador aposentado.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A <em>\u201cAbbaye de Royaumont\u201d<\/em>, mosteiro cisterciense (ordem religiosa mon\u00e1stica cat\u00f3lica beneditina reformada) do s\u00e9culo XIII, a cerca de 30 km de Paris, acolheu in\u00fameros semin\u00e1rios, confer\u00eancias, debates e col\u00f3quios entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1970. Esta atividade foi retomada, em 2003, sob o t\u00edtulo <em>\u201cEntretiens de Royaumont\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Augusto Pinho explica como a &#8220;banca&#8221; faz uso de sua expertise para que todos n\u00f3s, de forma volunt\u00e1ria e engajada, trabalhemos como verdadeiros militantes para que ela amplie a concentra\u00e7\u00e3o de renda no mundo. Replicamos a vontade dela e ampliamos seu poder de convencimento cada vez que a alimentamos com nossos metadados. Para isso, a banca precisa apenas daquele instrumento de domina\u00e7\u00e3o que carregamos no bolso: o nosso pr\u00f3prio celular\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":100894,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[773,977,1995,1599,6],"tags":[2063,1842,2067,2068,2062,2064,2065,2066],"class_list":["post-100892","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-economia","category-globalismo-financista-vs-soberanismo","category-pedro-augusto-pinho","category-redacao","tag-atos-ilicitos","tag-banca","tag-idiota","tag-imbecil","tag-inimigo-comunista","tag-nwo","tag-sistemas-virtuais","tag-trilionarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=100892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100892\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/100894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=100892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=100892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=100892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}