{"id":100745,"date":"2018-11-15T20:03:09","date_gmt":"2018-11-15T22:03:09","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100745"},"modified":"2018-11-16T11:38:31","modified_gmt":"2018-11-16T13:38:31","slug":"o-comunismo-chegou-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100745","title":{"rendered":"O Comunismo chegou ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Pedro Augusto Pinho*, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A partir do &#8220;Patrimonialismo corporativo e o fim do populismo no Brasil golpeado&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o pense o caro leitor que estou sendo ir\u00f4nico ou, muito menos ainda, euf\u00f3rico. Estou constatando uma realidade, conforme o que aprendi sobre este pensamento pol\u00edtico-econ\u00f4mico-social e o que constato em nossa P\u00e1tria, nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>A primeira e \u00f3bvia quest\u00e3o \u00e9: Quem manda no Brasil?<\/p>\n<p>Muitas das respostas para esta quest\u00e3o fundamental estou retirando da magn\u00edfica palestra do cientista pol\u00edtico Felipe Quintas, na ter\u00e7a-feira, 13 de novembro de 2018, no programa Duplo Expresso. Outras dos sites <em>Morning Star<\/em> e <em>Market Screener<\/em> sobre a composi\u00e7\u00e3o do capital de empresas internacionais. E, por \u00f3bvio, de autores marxistas, de historiadores brasileiros, que destaco Jo\u00e3o Fragoso e Sheila de Castro Faria, e da imprensa virtual e impressa.<\/p>\n<p>Comecemos pelo Estado Nacional Brasileiro. Quem o forma? Uma estrutura weberiana, ou seja, republicana, impessoal e de preenchimento meritocr\u00e1tico? Ou um acordo de classes? Ou seria um corporativismo de empresas? Ou de pol\u00edticos?<\/p>\n<p>Historicamente o Estado Brasileiro \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o privada que n\u00e3o deu certo \u2013 as capitanias heredit\u00e1rias \u2013 e foi substitu\u00edda por um acordo de interesses do Imp\u00e9rio, da Igreja Cat\u00f3lica e dos estamentos militares e jur\u00eddicos, com a nada desprez\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o dos senhores de escravos.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica surgiu dos descontentamentos com o rumo do Estado no sentido de contestar o modelo mais aberto e inclusivo. Mas a ignor\u00e2ncia impediu que se tornasse efetivamente rep\u00fablica e n\u00e3o atendeu aos escravistas. O modelo vigente era ent\u00e3o o financismo ingl\u00eas.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia sempre foi cultivada com o carinho que se d\u00e1 a uma tenra plantinha. N\u00e3o a liberdade ou a democracia, mas a escravid\u00e3o e o populismo, que Felipe Quintas, com propriedade, denomina a \u201cdegrada\u00e7\u00e3o da democracia\u201d.<\/p>\n<p>E a ignor\u00e2ncia n\u00e3o se constr\u00f3i apenas com a aus\u00eancia das escolas p\u00fablicas, uma constante em nosso Pa\u00eds, ou de escolas sem partido. Tamb\u00e9m \u00e9 alcan\u00e7ada com a permanente e competente publicidade, com a propaganda enganosa, abundante nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa e em declara\u00e7\u00f5es e estudos acad\u00eamicos, para os quais nunca faltam \u201cfinanciamentos\u201d.<\/p>\n<p>O Estado Nacional \u2013 constitu\u00eddo por uma burocracia especializada, meritocraticamente selecionada, mas igualmente, inclusiva para ter representatividade e capacidade de agir em proveito de toda popula\u00e7\u00e3o \u2013, come\u00e7ou a ser tentado com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930. Era das mais not\u00e1veis e profundas exig\u00eancias dos tenentes.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 por acaso que a vemos surgir com for\u00e7a nos governos que mais implementaram estes ideais tenentistas dos anos 1920: M\u00e9dici e Geisel. As \u201cesquerdas\u201d parecem s\u00f3 ver, ou s\u00f3 querem ver, os aspectos da trucul\u00eancia autorit\u00e1ria. N\u00e3o identificam a constru\u00e7\u00e3o, com erros e acertos, idas e vindas, de uma burocracia indispens\u00e1vel \u00e0 Na\u00e7\u00e3o Soberana e Cidad\u00e3<sup>[DE1]<\/sup>. Bem como a cria\u00e7\u00e3o de estruturas para desenvolver e apropriar para o Pa\u00eds as tecnologias de ponta, indispens\u00e1veis para a autonomia nacional.<\/p>\n<p>Venho dedicando-me, nesta \u00faltima d\u00e9cada, a demonstrar a avassaladora e devastadora presen\u00e7a do capital financeiro em nossa vida cotidiana, na apropria\u00e7\u00e3o e aparelhamento dos Estados Nacionais, em quaisquer est\u00e1gios econ\u00f4mico, pol\u00edtico ou cultural. Denomino, por abrevia\u00e7\u00e3o, &#8220;banca&#8221; \u2013 o sistema financeiro internacional.<\/p>\n<p>Desde o fim da I Guerra Mundial, o mundo passa por aceleradas transforma\u00e7\u00f5es. Ideias, conceitos e at\u00e9 o significado de palavras mudam. Seriam M\u00e9dici e Geisel de esquerda ou socialistas? Pois de 1971 (PRORURAL) a 1976, todos os brasileiros trabalhadores e seus dependentes, na cidade e no campo, passaram a ter direito \u00e0 assist\u00eancia e previd\u00eancia social, que agora se lhes quer tirar. Tamb\u00e9m foi neste per\u00edodo que o Estado, de forma republicana, mais investiu no desenvolvimento tecnol\u00f3gico e econ\u00f4mico brasileiro. J\u00e1, em 2014, Dilma Rousseff nomeia Joaquim Levy (Bradesco, Banco Mundial, BNDES de Bolsonaro) e Nelson Barbosa (<em>New School for Social Research<\/em>, onde atua o <em>think tank<\/em> <em>\u201cThe World Policy Institute\u201d<\/em>), respectivamente, para o Minist\u00e9rio da Fazenda e do Planejamento. Seria Dilma direitista ou esquerdista a servi\u00e7o da banca?<\/p>\n<p>No rol da ignor\u00e2ncia planejada temos o desenvolvimento dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA). Um m\u00ednimo de conhecimento da hist\u00f3ria estadunidense revela a intensa e fundamental participa\u00e7\u00e3o do Estado para o desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico daquele pa\u00eds. N\u00e3o s\u00f3 empreendendo diretamente obras de infraestrutura, financiando empres\u00e1rios privados, que se transformaram nas grandes fortunas e nas maiores influ\u00eancias pol\u00edticas durante v\u00e1rios anos, mas com todo suporte indispens\u00e1vel para construir uma na\u00e7\u00e3o de consumidores e oper\u00e1rios: escolas, hospitais, saneamento urbano etc. E sempre muita propaganda ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O liberalismo, como o livre com\u00e9rcio, s\u00f3 chega quando a empresa ou o pa\u00eds det\u00e9m o monop\u00f3lio ou participa do oligop\u00f3lio ou do oligops\u00f4nio (entre tantos trabalhos: \u201cHist\u00f3ria dos Estados Unidos desde 1865\u201d de Pierre Melandri, \u201cUma nova hist\u00f3ria dos Estados Unidos: A era colonial\u201d de Herbert Aptheker, \u201cUma breve hist\u00f3ria dos Estados Unidos\u201d de James West Davidson, \u201cA hist\u00f3ria da Constitui\u00e7\u00e3o Americana\u201d de Charles L. Mee, Jr., e os sempre \u00fateis \u201cRelat\u00f3rio sobre as Manufaturas\u201d de Alexander Hamilton, e as \u201cCartas ao London Times\u201d de Henry C. Carey).<\/p>\n<p>O fim da II Guerra trouxe para o mundo, j\u00e1 dividido em uma parte capitalista e outra socialista, um per\u00edodo de desenvolvimento econ\u00f4mico e social que economistas franceses denominam \u201cos 30 gloriosos\u201d (Associa\u00e7\u00e3o Francesa de Economia Pol\u00edtica \u2013 AFEP). Este per\u00edodo se encerra com as crises que a banca detona contra o industrialismo, tendo por mote o petr\u00f3leo, a partir de 1968 at\u00e9 1980. Mas n\u00e3o ficou s\u00f3 nestas a\u00e7\u00f5es. Foi importante extinguir o \u201cAcordo de Bretton Woods\u201d (1971-1973).<\/p>\n<p>Os lemas conduziam para liberdade absoluta do capital &#8211; este apenas financeiro &#8211; e traziam como suporte ide\u00f3logos austr\u00edacos que n\u00e3o sobreviver\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria, diferentemente de Friedrich List, cada vez mais procurado e lido como capaz de reverter esta queda vertiginosa da humanidade no abismo do neoliberalismo.<\/p>\n<p>A partir de 1990 uma nova era se inicia: o dom\u00ednio da banca. Ela se apropria da economia, das comunica\u00e7\u00f5es, da pol\u00edtica, das manifesta\u00e7\u00f5es culturais e aparelha os Estados Nacionais ou os destr\u00f3i.<\/p>\n<p>Vamos exemplificar, inicialmente com quatro empresas: duas europeias e duas estadunidenses, como domic\u00edlio das sedes, pois suas propriedades j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais identific\u00e1veis: Unilever e Royal Dutch Shell e General Electric e Bank of America (BofA), este amea\u00e7ando tornar-se dono do Banco do Brasil sem um centavo de custo.<\/p>\n<p>S\u00e3o acionistas (com o respectivo percentual capital) da <strong>UNILEVER<\/strong>:<br \/>\n01) The Vanguard Group Inc (doravante Vanguard), com 15,12%;<br \/>\n02) a pr\u00f3pria Unilever NV (tesouraria), com 14,50%;<br \/>\n03) BlackRock Fund Advisors (BlackRock), com 4,78%;<br \/>\n04) Norges Bank Investment Management (Norges), com 1,82%;<br \/>\n05) Amundi Asset Management (Amundi), com 1,60%;<br \/>\n06) DWS Investment GmbH (DWS), com 1,24%;<br \/>\n07) Wellington Management (Wellington), com 1,22%;<br \/>\n08) Fidelity Management &amp; Research (Fidelity), com 0,76%;<br \/>\n09) Oakmark Fund (Oakmark), com 0,27%;<br \/>\n10) FMI Large Cap Fund, com 0,12%;<br \/>\n11) Artisan International, com 0,07%;<br \/>\n12) American Funds, com 0,04%;<br \/>\n13) Manning &amp; Napier Overseas, com 0,03%;<br \/>\n14) Diversos fundos financeiros com 0,02% e 0,01%, totalizando 0,18%.<\/p>\n<p>Estes fundos financeiros possuem 41,68% desta multinacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas dificuldades na coleta destas informa\u00e7\u00f5es. Muitos fundos aparecem com diversas designa\u00e7\u00f5es, nem sempre identific\u00e1veis, como o Vanguard\/Wellington Fund Inc. e Vanguard Fenway Funds-Equity Income Fund. Adicionando um fundo da Univeler, que det\u00e9m 18,40% das a\u00e7\u00f5es, este conjunto financeiro \u00e9 propriet\u00e1rio, entre outras, da Unilever UK Ltd., Boyu Capital Advisory Co. Ltd., Ingleby Farms &amp; Forests ApS, Majid Al Futtaim Properties LLC,\u00a0\u00a0Salling Holding A\/S, Catalyst, Inc., R. F\u00e6rch Plast A\/S, Electrabel SA, The Leverhulme Trust, Unifeeder A\/S, Rederiet A.P. M\u00f8ller A\/S, etc etc etc.<\/p>\n<p>Vejamos agora a <strong>Shell<\/strong>.<\/p>\n<p>O grande acionista \u00e9 um organismo de investimento holand\u00eas denominado Nederlands Centraal Instituut Voor Giraad Effectenverkeer BV (Instituto Central Holand\u00eas de Circula\u00e7\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios) com 41,20% do capital.\u00a0Seguem-se:<br \/>\n01) BlackRock, com 4,70%;<br \/>\n02) Vanguard, com 3,26%;<br \/>\n03) Franklin Advisors (Franklin), com 2,93%;<br \/>\n04) Legal &amp; General Investments Management, com 2,76%;<br \/>\n05) Norges, com 2,52%;<br \/>\n06) State Street Global Advisors (SsgA), com 2,39%;<br \/>\n07) FIL Investment Advisers UK, com 1,84%;<br \/>\n08) Clearstream Banking, com 1,60%;<br \/>\n09) Invesco Advisers, com 1,26%, totalizando 64,46% do capital.<\/p>\n<p>Passando para os EUA, nem podemos metaforicamente escrever \u201catravessando o Atl\u00e2ntico\u201d pois o controle pelos fundos significa que o dinheiro l\u00edcito e o il\u00edcito, em para\u00edsos fiscais ou pertencente a fam\u00edlias da nobreza europeia, misturam-se neste controle de conglomerados e empresas.<\/p>\n<p>Uma afirmativa podemos fazer. N\u00e3o h\u00e1 competitividade ou concorr\u00eancia pois estes grandes conglomerados financeiros, com trilh\u00f5es de d\u00f3lares, v\u00e1rios PIBs brasileiros em suas contas, articulam a rentabilidade m\u00e1xima dos neg\u00f3cios. Ao destratar a Argentina, o Mercosul, os latinoamericanos, apenas foi revelada a\u00a0\u00a0enorme ignor\u00e2ncia do mundo da banca. Sentam-se Volkswagen, Ford, General Motors, Fiat, todas com BlackRock, Vanguard, SSgA, Fidelity em seus conselhos de administra\u00e7\u00e3o e concluem que o modelo X ser\u00e1 fabricado no M\u00e9xico e exportado para a Am\u00e9rica Latina e Caribe, os modelos Y e Z aproveitar\u00e3o as facilidades do Mercosul e ser\u00e3o fabricados um no Brasil e outro na Argentina, e assim por diante.<\/p>\n<p>Composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria da <strong>General Electric<\/strong> (GE), onde a pr\u00f3pria <strong>GE<\/strong> tem em tesouraria 25,7% do capital:<br \/>\n01) Vanguard,com 7,1%;<br \/>\n02) BlackRock, com 4,1%;<br \/>\n03) SsgA, com 3,88%;<br \/>\n04) Fidelity, com 2,14%;<br \/>\n05) Capital Research &amp;\u00a0\u00a0Management, com 1,45%;<br \/>\n06) Franklin, com 1,22%;<br \/>\n07) Northern Trust Investment, com 1,19%;<br \/>\n08) Geode Capital Management (Geode), com 1,09%;<br \/>\n09) Harris Associates, com 1,02%;<br \/>\n10) Manulife Asset Management, com 0,97%;<br \/>\n11) Oakmark, com 0,55%;<br \/>\n12) J Hancock Fundamental Large CapCore Fund, com 0,29%.<\/p>\n<p>Agora o <strong>Bank of America<\/strong>, que tem entre os acionistas a Berkshire Hathaway, de Warren Edward Buffett e sua fortuna pessoal de US$ 84 bilh\u00f5es. Algu\u00e9m duvida que receber\u00e1 por acordos de coopera\u00e7\u00e3o, atua\u00e7\u00f5es compartilhadas e mais uma s\u00e9rie de esquemas legais e imorais, o Banco do Brasil sem gastar um centavo a mais do que o suborno, j\u00e1 inclu\u00eddo no custo?<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o dom\u00ednio de um mesmo sistema sobre todo Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Vejamos a composi\u00e7\u00e3o do capital do <strong>BofA<\/strong>:<br \/>\n01) Berkshire Hathaway, com 6,8%;<br \/>\n02) Vanguard, com 6,74%;<br \/>\n03) BlackRock, com 6,39%;<br \/>\n04) SsgA, com 4,09%;<br \/>\n05) Fidelity, com 3,52%;<br \/>\n06) Wellington, com 2,01%;<br \/>\n07) JP Morgan, com 1,77%;<br \/>\n08) Dodge &amp; Cox, com 1,33%;<br \/>\n09) Norges, com 1,12%;<br \/>\n10) Geode, com 1,11%. Totalizando 34,88% do total.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 e continuar\u00e1 subordinado a um \u201cpatrimonialismo corporativo\u201d como se expressou Felipe Quintas. Pelo patrimonialismo estar\u00e1 usando os recursos p\u00fablicos, de toda natureza \u2013 patrimonial, financeiro, estamental, funcion\u00e1rios \u2013, como se fossem privados, por estas corpora\u00e7\u00f5es. Como j\u00e1 vimos que estas corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o propriedades de fundos de investimentos, poderemos concluir que nossa P\u00e1tria \u00e9 propriedade do capital financeiro.<\/p>\n<p>O capital financeiro n\u00e3o pode assumir publicamente esta situa\u00e7\u00e3o. Criar\u00e1 diversos inconvenientes, para sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e para os que atuam em seu proveito. Logo \u00e9 necess\u00e1rio a difus\u00e3o da ignor\u00e2ncia e a farsa nos prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Exemplo, estaria a banca interessada no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o? \u00d3bvio que n\u00e3o. Apenas nos controles que evitem que seus agentes a roubem. Mas corromper pol\u00edticos e estamentos inteiros, como o judici\u00e1rio, faz parte de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Evitar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 fundamental. Assim tratar\u00e1 de cobrar mensalidade nas universidades p\u00fablicas, inventar\u00e1 conv\u00eanios que transformem instala\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablico em de uso privado, e, cerejas nos bolos, entregar\u00e1 para estes fundos todo investimento rent\u00e1vel brasileiro: Petrobr\u00e1s, Embraer, Eletrobr\u00e1s, do modo mais barato para estes \u201ccompradores\u201d.<\/p>\n<p>Livre mercado \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, pois faz abstra\u00e7\u00e3o das infinitas motiva\u00e7\u00f5es e desejos humanos. Como se expressou Quintas, ignora as assimetrias.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 \u00f3timo aproveitar o \u201clivre\u201d para discutir quest\u00f5es morais e identit\u00e1rias, fugindo das quest\u00f5es mais relevantes e profundas do emprego, renda e seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p>O Estado M\u00ednimo \u00e9 o modo de evitar o surgimento de outros Vargas, M\u00e9dici, Geisel. No limite do empoderamento da banca, as For\u00e7as Armadas que j\u00e1 est\u00e3o sendo usadas para seguran\u00e7a p\u00fablica, ficar\u00e3o restritas a estas atividades. O que evitar\u00e1 tamb\u00e9m os onerosos investimentos em defesa nacional. Mas sempre ficar\u00e1 uma porta aberta para os tecnologicamente dispens\u00e1veis renderem algum trocado extra, antes da aposentadoria definitiva destes equipamentos: a\u00e9reos, terrestres e mar\u00edtimos.<\/p>\n<p>Um presidente popular ser\u00e1 sempre desej\u00e1vel para o populismo da banca, mas ficar\u00e1 cada vez menos necess\u00e1rio, na medida em que ignor\u00e2ncia, desemprego, inseguran\u00e7a social e patrimonial, e a repress\u00e3o seguirem cumprindo seus pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Concluindo, em uma interven\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de Felipe Quintas, Carlos Krebs (do Duplo Expresso) recomendou o document\u00e1rio de 2003, dirigido e produzido por Mark Achbar e Jennifer Abbott, <strong><em>The Corporation<\/em><\/strong> (&#8220;A Corpora\u00e7\u00e3o&#8221;).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zx0f_8FKMrY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00d3tima sugest\u00e3o, a qual gostaria de acrescentar <strong><em>Inside Job<\/em><\/strong> (&#8220;Trabalho Interno&#8221;), dirigido por Charles H. Ferguson (2010), focado na \u201ccrise\u201d de 2008,<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/46978271?app_id=122963\" width=\"640\" height=\"272\" frameborder=\"0\" title=\"Inside Job - A verdade da crise\" allow=\"autoplay; fullscreen\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E acrescento <strong><em>Four Horsemen<\/em><\/strong>, dirigido por Ross Ashcroft (2012).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"c1ntAZ10BC\"><p><a href=\"https:\/\/renegadeinc.com\/four-horsemen-feature-documentary-official-version\/\">Four Horsemen &#8211; Official Version<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/renegadeinc.com\/four-horsemen-feature-documentary-official-version\/embed\/#?secret=c1ntAZ10BC\" data-secret=\"c1ntAZ10BC\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Four Horsemen &#8211; Official Version&#8221; &#8212; Renegade Inc\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022\u00a0\u2022\u00a0\u2022\u00a0\u2022 \u2022<\/p>\n<p>Pedro Augusto Pinho \u00e9 av\u00f4 e administrador aposentado.<\/p>\n<p>DE1 \u2013 Estranho o fato do presidente militar seguinte na sequ\u00eancia de Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici (1969-1974) e Ernesto Beckmann Geisel (1974-1979), o general da arma de Cavalaria \u2013 Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo (1979-1985) ter criado o Minist\u00e9rio da Desburocratiza\u00e7\u00e3o. Sob o comando inicial de H\u00e9lio Beltr\u00e3o, tinha por objetivo diminuir o impacto da estrutura burocr\u00e1tica na economia e vida social brasileiras.<\/p>\n<p><em>Post Scriptum<\/em> \u2013\u00a0A prop\u00f3sito da nota DE1, gostaria de manifestar meu entendimento dessa sucess\u00e3o Geisel &#8211; Figueiredo. Em alguns artigos, que trato da influ\u00eancia da banca no Brasil, digo que Geisel foi quem recebeu o primeiro golpe da banca. Assim, teve\u00a0 que indicar Figueiredo.<\/p>\n<div>Devo recordar a crise da d\u00edvida externa, constru\u00edda pela banca, Geisel a aproveitou para impulsionar a tecnologia nuclear, desenvolver a ind\u00fastria aeroespacial e criar a da inform\u00e1tica, que j\u00e1 Figueiredo come\u00e7a a destruir (veja Ivan da Costa Marques: &#8220;Minicomputadores brasileiros nos anos 1970: uma reserva democr\u00e1tica em meio ao autoritarismo&#8221; e &#8220;Revisitando o discurso mobilizador da &#8220;reserva de mercado&#8221; dos anos 1970 \u00e0 lus dos Estudos CTS&#8221;).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com Figueiredo come\u00e7a a discuss\u00e3o do tamanho do Estado. O per\u00edodo militar, para mim, \u00e9 dividido em tr\u00eas partes: 1964 a 1967 (domina\u00e7\u00e3o estadunidense), 1967-1979 (industrialismo nacional) e 1979-1985 (in\u00edcio da banca).<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas palavras do autor: &#8220;Este artigo \u00e9 dirigido para os expressonautas. Expande a not\u00e1vel palestra de ter\u00e7a-feira, 13\/11, deste genial Felipe Quintas, para a conforma\u00e7\u00e3o da banca \u2013 a dona do Brasil.&#8221; O que se coloca na mesa \u00e9 a discuss\u00e3o das velhas ordens internacionais travestidas como algo novo neste momento, com o incremento de que agora o que chega no Brasil de Bolsonaro \u00e9 o sistema financeiro transnacional, um ap\u00e1trida patrimonialista que chega dizendo &#8220;\u2026dane-se o Estado Nacional!&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":100747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[773,977,1995,1599,6],"tags":[1842,2028,1905,2027,158],"class_list":["post-100745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-economia","category-globalismo-financista-vs-soberanismo","category-pedro-augusto-pinho","category-redacao","tag-banca","tag-estado-nacional","tag-felipe-quintas","tag-patrimonialismo-corporativo","tag-populismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=100745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100745\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/100747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=100745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=100745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=100745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}