{"id":100480,"date":"2018-11-02T17:11:00","date_gmt":"2018-11-02T20:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100480"},"modified":"2018-11-02T17:11:00","modified_gmt":"2018-11-02T20:11:00","slug":"um-guia-pratico-nacionalista-para-o-momento-pos-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100480","title":{"rendered":"Um guia pr\u00e1tico nacionalista para o momento p\u00f3s-eleitoral"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Samuel Gomes, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>O momento p\u00f3s-eleitoral virou uma lavanderia. A melhor forma de autocr\u00edtica \u00e9 andar para a frente em dire\u00e7\u00e3o um objetivo definido, ainda que com o retrovisor sempre dispon\u00edvel. Lanterna na popa, mas olho na b\u00fassola. A b\u00fassola \u00e9 o projeto nacional. Autocr\u00edtica para a a\u00e7\u00e3o \u00e9 autocr\u00edtica na a\u00e7\u00e3o. M\u00e3os em atividade construtiva mais que l\u00e1bios ansiosos e estressados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que o passado n\u00e3o conte. Conta muito. As a\u00e7\u00f5es passadas s\u00e3o o crit\u00e9rio legitimador da a\u00e7\u00e3o presente. A isso se d\u00e1 o nome de coer\u00eancia. Quem na campanha insinuou que Marcos Lisboa, do <em>think tank<\/em> (f\u00e1brica de ideias) neoliberal Insper (<a href=\"https:\/\/www.insper.edu.br\/\">https:\/\/www.insper.edu.br\/<\/a>), daria um bom Ministro da Fazenda ter\u00e1 imensas dificuldades para criticar os arroubos ultraliberais, e criminosamente desumanos do financista Paulo Guedes entronizado por Bolsonaro no super-minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>Quem colocou Bendini e uma trupe de bruxos do mercado na Petrobras para \u201csane\u00e1-la\u201d (governo Dilma) ter\u00e1 restrita legitimidade para criticar o prov\u00e1vel aprofundamento da pol\u00edtica de desmonte e destrui\u00e7\u00e3o da nossa mais importante empresa estrat\u00e9gica na \u00e1rea de energia durante o governo Bolsonaro. Um dos membros da equipe de Bendini e igualmente colocado por Dilma, Ivan Monteiro, foi entronizado por Temer na presid\u00eancia da companhia com a sa\u00edda de Parente. Pedag\u00f3gico. Agora, o guru econ\u00f4mico de Bolsonaro se apressa para colocar um <em>chicago boy<\/em> na presid\u00eancia da Petrobras. Trata-se de Roberto Castello Branco.<\/p>\n<p>O perfil dispensa coment\u00e1rios. T\u00edpico <em>chicago boy<\/em>. Era professor da FGV (ah! A FGV!), presidiu o IBMEC, <em>think tank<\/em> neoliberal, fundado por Guedes. E sabe o que fazer: atender \u201cao mercado\u201d (as petroleiras internacionais estatais e privadas), desossando a Petrobras, desverticalizando-a, retalhando-a em peda\u00e7os que n\u00e3o se comunicam, repassando para os seus competidores fatias fundamentais de sua atua\u00e7\u00e3o, desintegrando-a. Vendendo as suas refinarias e com isso, reduzindo-a da condi\u00e7\u00e3o de ativo estrat\u00e9gico do projeto nacional \u00e0 reles exploradora de petr\u00f3leo e vendedora de petr\u00f3leo bruto (ou nem isso, porque os melhores campos est\u00e3o sendo doados e continuariam a ser doados aos estrangeiros), quando em todo o mundo as empresas petrol\u00edferas, de olho no futuro, est\u00e3o sendo convertidas em empresas de energia, do que \u00e9 exemplo a norueguesa Statoil.<\/p>\n<p>O senhor Roberto Castello Branco sabe o que fazer. E por que sabe? Porque foi colocado no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras entre 2015 e 2016 (governo Dilma) para responder \u201cao mercado\u201d quando Moro (o ex-juiz Vi\u00fava Porcina, que foi sem nunca ter sido) destru\u00eda a cadeia de petr\u00f3leo e g\u00e1s brasileira enquanto recebia pr\u00eamios, honrarias e alguma grana verde por palestras nos EUA.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7amos a ex\u00edgua legitimidade pol\u00edtica para criticar a eventual escolha de Bolsonaro por Castello Branco por parte de quem colocou o <em>chicago boy<\/em> no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras e disse na campanha que Moro fez \u201cum bem para o pa\u00eds\u201d, embora tenha \u201cerrado\u201d no julgamento de Lula e vaticinando, como um invenc\u00edvel Doutor Pangloss, que \u201cos tribunais superiores reparar\u00e3o o erro\u201d.<\/p>\n<p>O passado serve, neste sentido, como balizador da coer\u00eancia entre a palavra (de oposi\u00e7\u00e3o p\u00f3s eleitoral) e a pr\u00e1tica (no governo pret\u00e9rito e no discurso eleitoral).<\/p>\n<p>Mas o povo brasileiro n\u00e3o est\u00e1 interessado em lavagem de roupa suja. O povo est\u00e1 interessado em sobreviver. Por isso, mais \u00fatil e patri\u00f3tico do que fazer uma improdutiva guerra de bugios as redes sociais \u00e9, desde j\u00e1, acompanhar no detalhe, com rel\u00f3gio e lupa, os movimentos do proto-governo de Bolsonaro e sua simbi\u00f3tica rela\u00e7\u00e3o com o \u201cgoverno&#8221; Temer, como mostra o esfor\u00e7o comum de ambos para destruir a previd\u00eancia p\u00fablica (ajuste fiscal) e internacionalizar definitivamente o sistema financeiro j\u00e1 antes da posse de Bolsonaro. S\u00f3 assim cumpriremos o dever nacionalista e democr\u00e1tico de defender o povo brasileiro das medidas ultraliberais que aumentar\u00e3o a depend\u00eancia do Brasil aos interesses dos EUA e das corpora\u00e7\u00f5es do capital financeiro internacional e sujeitam jogar o Brasil ao caos econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o cair em simplismos<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se confunda simples com simplista. Simples \u00e9 ci\u00eancia e arte. O simples contem o complexo. Simples n\u00e3o \u00e9 oposto de complexo, mas de complicado. Simplismo \u00e9 ignor\u00e2ncia descuidada, pregui\u00e7osa e arrogante.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 complexa o suficiente para n\u00e3o caber em f\u00f3rmulas simplistas do tipo &#8220;os militares sempre est\u00e3o errados&#8221;. Se um ou outro general resistir realmente ao entreguismo comandado pelo especulador Paulo Guedes, como agora no caso da Petrobras e da Embraer, n\u00e3o fazer coro com a imprensa venal, financiada pelo \u201cmercado\u201d, que critica a &#8220;fome de poder dos militares&#8221; ser\u00e1 um ato inteligente.<\/p>\n<p>Se um ou outro general recusar a ideia idiota de o Brasil violar a Constitui\u00e7\u00e3o para ingerir-se em assuntos internos de outro pa\u00eds, como \u00e9 o caso do general Augusto Heleno a respeito da Venezuela, n\u00e3o critic\u00e1-lo, mas apoiar a sua advert\u00eancia, \u00e9 uma atitude inteligente.<\/p>\n<p><strong>Anti-militarismo<\/strong><\/p>\n<p>O simplismo \u00e9 filho da ignor\u00e2ncia. O anti-militarismo raso que grassa entre n\u00f3s n\u00e3o nasceu por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Foi introduzido na cultura pol\u00edtica brasileira pelo aparato de propaganda ideol\u00f3gica estadunidense quando os militares j\u00e1 n\u00e3o serviam aos interesses norte-americanos patrocinados pelo golpe de 64.<\/p>\n<p>Fiquemos num exemplo: o general Geisel. O presidente Geisel reorientou a pol\u00edtica externa brasileira, que era de alinhamento autom\u00e1tico com os EUA desde o golpe de 1964, passando a priorizar as rela\u00e7\u00f5es com o terceiro-mundo, especialmente com a Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica. Ele dizia que o Brasil tem vizinhos de aqu\u00e9m-mar (os latino-americanos) e de al\u00e9m-mar (os africanos). Reorientou a pol\u00edtica externa e para isso contou com a expertise mundialmente respeitada do Itamaraty.<\/p>\n<p>O reconhecimento da independ\u00eancia de Angola \u00e9 um caso exemplar da compet\u00eancia da diplomacia brasileira. Quando Angola declarou independ\u00eancia de Portugal e se tornou uma rep\u00fablica socialista, o primeiro pa\u00eds do mundo a reconhecer o novo Estado foi o Brasil, presidido pelo general Geisel. O reconhecimento foi dado no mesmo dia da proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, 11 de novembro de 1975.<\/p>\n<p>O reconhecimento de Angola n\u00e3o era um caso isolado, mas uma express\u00e3o concreta da orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o-alinhada e terceiro-mundista de Geisel. No mesmo 11 de novembro, o delegado brasileiro nas Na\u00e7\u00f5es Unidas deu voto favor\u00e1vel \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o 3379\/XXXX, que definia o sionismo como uma forma de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o racial, marcando ainda mais fortemente a autonomia da pol\u00edtica externa brasileira em rela\u00e7\u00e3o aos EUA. No mesmo ano de 1975, sob o comando de Geisel, o Brasil celebrou um acordo nuclear com a Alemanha. Em 1977, rompeu o acordo militar com os EUA. Lula, pela m\u00e3o de Nelson Jobim, retomou o acordo com os EUA em 2010. Dilma aprofundou-o em 2015, incluindo prote\u00e7\u00e3o comum de segredos militares (!), em visita a Obama depois da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional estadunidense ter grampeado o seu telefone.<\/p>\n<p><strong>Os Estados Unidos passam a &#8220;defender os direitos humanos&#8221; no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Quando os militares j\u00e1 n\u00e3o serviam aos seus interesses estrat\u00e9gicos, os EUA passaram a preocupar-se &#8220;sinceramente&#8221; com a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Brasil. A forma como essa sincera e piedosa miseric\u00f3rdia se manifesta \u00e9 conhecida. Grana, para come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Um exemplo sintom\u00e1tico e pedag\u00f3gico \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o de volumosos recursos, j\u00e1 em 1969, para o Cebrap, do &#8220;pr\u00edncipe dos soci\u00f3logos\u201d, Fernando Henrique, depois agraciado pelos norte-americanos com o Pr\u00eamio Kluge, o Nobel das ci\u00eancias sociais. FHC diz que n\u00e3o lembra quanto foi doado, s\u00f3 lembra que foi muita grana. Sobre a doa\u00e7\u00e3o, Peter Bell, o homem forte da Funda\u00e7\u00e3o Ford no Brasil \u00e0 \u00e9poca disse recentemente: \u201cEu n\u00e3o consigo lembrar a quantia exata, mas eu realmente considero-a uma das verbas mais importantes e gratificantes concedidas durante minha atua\u00e7\u00e3o na funda\u00e7\u00e3o. O Cebrap n\u00e3o somente ajudou a manter Fernando Henrique e seus colegas produtivamente engajados no Brasil, como tamb\u00e9m se tornou um centro l\u00edder de pesquisa e an\u00e1lise social no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina.\u201d<\/p>\n<p>A \u201csolidariedade\u201d dos EUA com a \u201csociedade civil\u201d brasileira era express\u00e3o tupiniquim da a\u00e7\u00e3o do <em>soft power<\/em> estadunidense em todo o mundo durante a guerra fria. O \u201cmecenato\u201d gringo nas ci\u00eancias, cultura e arte foi devidamente retratada no livro \u201cQuem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura\u201d (Frances Stonor Saunders), que mostra como a CIA, convertida em verdadeiro Minist\u00e9rio da Cultura dos EUA, seduziu (e corrompeu) intelectuais e artistas de \u201cesquerda\u201d em todo o mundo ocidental para a defesa das teses norte-americanas. O cach\u00ea do Cebrap de FHC est\u00e1 retratado no livro. Teria sido algo entre 800 mil e 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares, sem necessidade de prestar contas.<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o fique qualquer d\u00favida de que o apego aos direitos humanos pelos EUA sempre foi, e ainda \u00e9, t\u00e3o seletivo como o peso da caneta justiceira do suposto juiz S\u00e9rgio Moro (a Vi\u00fava Porcina do Judici\u00e1rio nativo) basta dizer que a tirania teocr\u00e1tica da Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 apoiada de todas as formas pelos norte-americanos. Que seja uma das piores tiranias do mundo &#8220;n\u00e3o vem ao caso\u201d. Afinal, trata-se de uma tirania amiga dos EUA.<\/p>\n<p><strong>Ideologiza\u00e7\u00e3o da nossa pol\u00edtica externa: o risco Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>\u201c Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das rela\u00e7\u00f5es internacionais com vi\u00e9s ideol\u00f3gico a que foram submetidos nos \u00faltimos anos. O Brasil deixar\u00e1 de estar apartado das na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas. Buscaremos rela\u00e7\u00f5es bilaterais com pa\u00edses que possam agregar valor econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil.\u201d (Bolsonaro, no discurso, lido!, em seguida ao resultado da apura\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, em 7 de outubro)<\/p>\n<p>O general Presidente Geisel, com o Itamaraty comandado por Azeredo da Silveira e Saraiva Guerreiro, n\u00e3o pautava a nossa pol\u00edtica externa por imperativos ideol\u00f3gicos. Ao contr\u00e1rio, seguia corajosa e disciplinadamente os objetivos nacionais permanentes. Lula, com Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es \u00e0 frente do Itamaraty, tamb\u00e9m n\u00e3o eram movidos por ideologia, mas pela busca da realiza\u00e7\u00e3o do projeto nacional brasileiro.<\/p>\n<p>Perseguir os seus pr\u00f3prios objetivos \u00e9 o que fazem todas as grandes na\u00e7\u00f5es. E o Brasil \u00e9 uma grande na\u00e7\u00e3o. H\u00e1 algum tempo, o general Villas-B\u00f4as disse na Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado ao senador Requi\u00e3o, na minha presen\u00e7a, que o Brasil \u00e9 grande demais para n\u00e3o ter projeto nacional aut\u00f4nomo. Um pa\u00eds pequeno pode acomodar-se confortavelmente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lite de uma na\u00e7\u00e3o maior e mais poderosa. N\u00e3o \u00e9 o nosso caso. Se n\u00e3o quisermos ser retalhados entre na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas econ\u00f4mica e militarmente ou ser humilhante e perigosamente incorporados aos Estados Unidos, como um quintal ou uma dispon\u00edvel Disneyl\u00e2ndia agro-mineral, precisamos lutar pela realiza\u00e7\u00e3o do nosso projeto nacional. \u00c9 isso o que importa. Tudo o mais \u00e9 secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando Bolsonaro anuncia que libertar\u00e1 o Itamaraty dos condicionantes ideol\u00f3gicos para desenvolver rela\u00e7\u00f5es bilaterais, o que est\u00e1 dizendo \u00e9: (i) vamos abandonar os nossos vizinhos sul-americanos (\u00fanicos compradores dos nossos produtos manufaturados) e (ii) vamos atrelar o nosso destino aos s\u00e1bios e iluminados des\u00edgnios dos EUA (que compete conosco na agricultura na Europa e China e n\u00e3o compra os nossos produtos industriais).<\/p>\n<p>Os fundamentos \u00e9ticos, econ\u00f4micos e pol\u00edticos da vis\u00e3o do Bolsonaro para a nossa pol\u00edtica externa s\u00e3o terrivelmente claros:<br \/>\na) Somos vira-latas. O que \u00e9 bom para os EUA \u00e9 bom para n\u00f3s.<br \/>\nb) Conselho de Seguran\u00e7a da ONU n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s, vira-latas mesti\u00e7os.<br \/>\nc) A nossa industrializa\u00e7\u00e3o, base de um desenvolvimento aut\u00f4nomo, n\u00e3o ser\u00e1 obra de um projeto nacional brasileiro &#8211; como foi o de todas as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas (a come\u00e7ar pelos EUA com a lei das manufaturas de Hamilton), Alemanha, Jap\u00e3o, Coreia, China &#8211; , mas obra e gra\u00e7a da conhecida miseric\u00f3rdia estadunidense com a Na\u00e7\u00e3o brasileira.<br \/>\nd) Afinal, como dizem que creem entreguistas de todas as matizes, \u00e9 parte do sonho norte-americano o surgimento na Am\u00e9rica do Sul uma pot\u00eancia regional que lidere a constru\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio de soberania, liberdade, desenvolvimento, paz e justi\u00e7a social.<br \/>\ne) Os EUA n\u00e3o descansar\u00e3o enquanto n\u00e3o realizarem esse sonho. Dois livros mostram bem a obsess\u00e3o estadunidense em realizar esse sonho: \u201cAs veias abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d, do uruguaio Eduardo Galeano, e \u201cConfiss\u00f5es de um assassino econ\u00f4mico\u201d, do norte-americano John Perkins. ) Bolsonaro \u00e9 mais nova arma norte-americana para realizar o seu sonho macabro. E o nosso pesadelo.<br \/>\nf) Bolsonaro quer libertar o Itamaraty da miss\u00e3o de construir as bases estrat\u00e9gicas do multilateralismo com as na\u00e7\u00f5es de caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s nossas (Russia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), o que levou no horr\u00edvel BRICS e no insuport\u00e1vel Banco dos BRICS, que objetiva financiar os projetos de desenvolvimento sem os condicionantes estabelecidos pelo Banco Mundial e FMI.<br \/>\ng) Bolsonaro quer tamb\u00e9m libertar o Itamaraty do dever hist\u00f3rico (e vital para a seguran\u00e7a das nossas fronteiras) de construir rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, de coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade, com os vizinhos da Am\u00e9rica do Sul, que resultou no Mercosul e na Unasul.<br \/>\nh) Bolsonaro n\u00e3o se guia por ideologia nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Por isso, resolveu que o Brasil vai virar col\u00f4nia diplom\u00e1tica do Estado de Israel. Como um tr\u00f4pego Trump tropical quer transferir a embaixada do Brasil de Telaviv para Jerusal\u00e9m, num ato desnecess\u00e1rio de viol\u00eancia simb\u00f3lica contra os \u00e1rabes. Talvez ficasse adequado nomear o Bispo Macedo como embaixador. Bolsonaro quer arrumar enfiar o Brasil numa briga nossa os povos \u00e1rabes, colocando-nos numa confus\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 nossa e desconsiderando a exist\u00eancia de uma populosa e antiga col\u00f4nia \u00e1rabe no Brasil. Tudo isso, porque Bolsonaro quer ideologia na pol\u00edtica externa brasileira.<br \/>\ng) Se dependermos da intelig\u00eancia estrat\u00e9gica de Bolsonaro, estamos pr\u00f3ximos do para\u00edso da depend\u00eancia total com os EUA e com o lobby sionista mundial. Sejam bem-vindos ao gigantesco Porto Rico tropical.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o de todo nacionalista hoje: estudar e agir, agir e estudar.<\/p>\n<p>O embaixador Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es tem dito que o Brasil sofre atualmente, dentre outras, das pragas da ignor\u00e2ncia e do simplismo, este filho leg\u00edtimo daquela. De fato. E, infelizmente, a ignor\u00e2ncia n\u00e3o tem limites ideol\u00f3gicos. Atinge com igual for\u00e7a \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Mas a boa not\u00edcia \u00e9 que o rem\u00e9dio \u00e9 conhecido e comprovadamente eficaz: reflex\u00e3o, pesquisa, trabalho \u00e1rduo e perseverante na busca do conhecimento; numa palavra, estudo diurturno e corajoso da realidade.<\/p>\n<p>Passadas as elei\u00e7\u00f5es e os seus subprodutos imbecilizadores da propaganda apressada como arma de manipula\u00e7\u00e3o eleitoral, \u00e9 hora de pensarmos no Brasil com denodo, determina\u00e7\u00e3o, coragem, amor e patriotismo.<\/p>\n<p>Brecht:<\/p>\n<blockquote><p>Nossos inimigos dizem: A luta terminou.<br \/>\nMas n\u00f3s dizemos: ela come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Nossos inimigos dizem: A verdade est\u00e1 liquidada.<br \/>\nMas n\u00f3s dizemos: N\u00f3s a sabemos ainda.<\/p>\n<p>Nossos inimigos dizem: Mesmo que ainda se conhe\u00e7a a verdade<br \/>\nEla n\u00e3o pode mais ser divulgada.<br \/>\nMas n\u00f3s a divulgamos.<\/p>\n<p>\u00c9 a v\u00e9spera da batalha.<br \/>\n\u00c9 a prepara\u00e7\u00e3o de nossos quadros.<br \/>\n\u00c9 o estudo do plano de luta.<br \/>\n\u00c9 o dia antes da queda<br \/>\nDe nossos inimigos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ajeitemos a mochila \u00e0s costas e coloquemos esparadrapos nos dedos dos p\u00e9s. A Grande Caminhada ser\u00e1 longa. E come\u00e7a com o primeiro passo, ensinou e provou Mao Ts\u00e9 Tung. Para tanto proponho modestamente guia axiol\u00f3gico, uma b\u00fassola \u00e9tica, um credo nacionalista, um &#8220;Dec\u00e1logo Deontol\u00f3gico do Brasileiro em Tempos Sombrios&#8221;: <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100456\">https:\/\/duploexpresso.com\/?p=100456<\/a><\/p>\n<p>Samuel Gomes<br \/>\nParan\u00e1, um estado de amor pelo Brasil (01\/11\/2018)<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>Fala do Embaixador Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es no Duplo Expresso de 01\/nov\/2018 (come\u00e7a em 50:50)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SyncSz0_skk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/10\/paulo-guedes-disputa-com-ala-militar-comando-da-petrobras.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/10\/paulo-guedes-disputa-com-ala-militar-comando-da-petrobras.shtml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc0304200229.htm\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc0304200229.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/5\/14\/brasil\/26.html\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/5\/14\/brasil\/26.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/reh\/article\/viewFile\/2562\/1521\">http:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/reh\/article\/viewFile\/2562\/1521<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O momento p\u00f3s-eleitoral virou uma lavanderia. A melhor forma de autocr\u00edtica \u00e9 andar para a frente em dire\u00e7\u00e3o um objetivo definido, ainda que com o retrovisor sempre dispon\u00edvel. Lanterna na popa, mas olho na b\u00fassola. A b\u00fassola \u00e9 o projeto nacional. Autocr\u00edtica para a a\u00e7\u00e3o \u00e9 autocr\u00edtica na a\u00e7\u00e3o. M\u00e3os em atividade construtiva mais que l\u00e1bios ansiosos e estressados.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que o passado n\u00e3o conte. Conta muito. As a\u00e7\u00f5es passadas s\u00e3o o crit\u00e9rio legitimador da a\u00e7\u00e3o presente. A isso se d\u00e1 o nome de coer\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":100487,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,1099,2,14,6,644,611],"tags":[1977,1975,1042,1973,1974,1976],"class_list":["post-100480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-direito-justica","category-home","category-politica-2","category-redacao","category-samuel-gomes","category-samuel-pinheiro-guimaraes","tag-anti-militarismo","tag-chicago-boy","tag-neoliberalismo","tag-pos-eleicao","tag-projeto-nacional","tag-simplismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=100480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/100487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=100480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=100480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=100480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}