Tensão entre Generais e “empreendedores” de Bolsonaro? – a semana em análise

No Brasil atual, os insights do antropólogo Piero Leirner, professor da UFSCar, tornaram-se incontornáveis para quem quer decifrar o subtexto do noticiário político, especialmente quando esse tangencia a lógica e o ethos militares. Aliás, não apenas para quem está dentro do Brasil, como atesta citação do analista de política internacional Pepe Escobar, em artigo seu recente.
Por isso, além de termos Leirner comentando no Duplo Expresso de Domingo logo mais, juntamente com o jurista Luiz Moreira, reunimos a seguir alguns apontamentos do antropólogo diante das ações – e reações – nesta primeira semana pós-resultado eleitoral.

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Bem-vindo à Selva

O Brasil é terra dilacerada. O ex-paraquedista Jair Bolsonaro foi eleito com 55,63% dos votos. Número recorde de 31 milhões de votos nulos ou ausentes. Nada menos de 46 milhões de brasileiros votaram no candidato do Partido dos Trabalhadores, PT, Fernando Haddad; professor e ex-prefeito de São Paulo, uma das megalópoles cruciais do Sul Global. O fato impressionante é que mais de 76 milhões de brasileiros não votaram em Bolsonaro.

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Guerra híbrida: como Bolsonaro enganou Haddad ontem (de novo!)

Piero Leirner, antropólogo e professor da UFSCar, vem advertindo, há tempos, que a tática de comunicação empregada pelo staff militar que circunda Jair Bolsonaro é, ela também, militar. Mais que isso, advinda dos manuais de guerra de terceira e quarta gerações (assimétrica e híbrida, respectivamente). E que, portanto, não obedece à lógica das campanhas de marketing político tradicionais. Embora a campanha de Fernando Haddad o tenha procurado para se aconselhar, certamente a lição segue não tendo sido aprendida até aqui. Como resultado ontem, mais uma vez, o staff do ex-Prefeito caiu em uma pegadinha preparada pelos – militares – do outro lado.
Eis o resumo das lições a tirar do episódio – se é que ainda há tempo para isso – reunidas por Leirner, seguida de vídeo com o resumo do episódio apresentado por Romulus Maya.

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Sobre militares no Brasil | A fala do professor Piero Leirner

“A fala do professor Piero Leirner é o que de mais interessante e importante encontramos até hoje sobre militares. Deve ser ouvido, visto, transcrito, impresso, lido, discutido, de cabo a rabo, em todo o Brasil, em todas as frentes. Principalmente a parte sobre o projeto do golpe militar já estar em construção há muito tempo”.

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Plano B: há estratégia? Ou é a capitulação exigida pelo Golpe?

Não ganhamos nada e perdemos tudo ao continuar adiando – como vimos fazendo até aqui – um enfrentamento incontornável com o Judiciário.
Se é para perder, em ambos os casos, que seja pelo menor número de gols. Tática do empate.
Mas não… esse “Deus proverá” continuará sendo o álibi para quem não quer lutar (por “n” razões, inclusive a cooptação, mas não apenas) e/ ou acha que vai sobreviver à continuação do expurgo do PT.
Com Plano B não só deixamos entrar a goleada como concordamos com a amputação das nossas pernas.
Que militantes rasos já tenham esquecido os padrões de tudo o que aconteceu até 2 semanas atrás – afinal, é Golpe ou não é? – e já tenham entrado no frenesi de “Fla-Flu” eleitoral, entre vermelhos e azuis, eu compreendo. E condoo-me até. Imaginar uma “eleição”, totalmente controlada pelo Golpe, em que o Golpe sairia derrotado…
Mas numa discussão estratégica, em que se tenta ultrapassar as armadilhas dos (reconfortantes) vieses cognitivos, não há como não reconhecer que o Plano B é a capitulação que o Golpe há muito esperava.

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Os “5 pontos” do programa Haddad: apertem os cintos, o piloto sumiu

Sexta-feira passada nos deparamos com os tais “5 pontos”, lançados por Fernando Haddad e, pelo que diz o site do PT, aprovados por unanimidade na reunião da executiva nacional do PT. “Também participam da elaboração Sergio Gabrielli (coordenador-geral-executivo), os ex-ministros Ricardo Berzoini (coordenador de finanças), Luiz Dulci e Gilberto Carvalho, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, além de Renato Simões e Márcio Pochmann”. Gente pensante: só queria saber por que essas cabeças resolveram elaborar o “plano Al-Qaeda” de governabilidade, colocando Lula dentro do avião que está em rota de colisão com o WTC.

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Mercado vs. Lula vs. Bolsonaro: sinais trocando?

É possível que a Folha finalmente tenha detectado que o antes “espantalho de Lula” chamado Bolsonaro agora tem o interesse direto da Casa Branca. Podemos suspeitar também que para a Finança Internacional é interessante esse tipo de gente governando em pontos localizados, assim cada Macron que aparece por aí se torna uma espécie de miragem de esquerda, sem sê-lo. Trata-se de controlar criando frações, estratégia tão antiga quanto aquela dos imperadores romanos que dividiam o senado de propósito. Está cada vez mais claro que Trump agora vê no Brasil uma possibilidade de ter um espelho, o que não é pouca coisa. De maneira bastante sutil, o embaixador chinês deu o sinal para que o povo acorde por aqui. Talvez a Folha tenha começado.

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Golpe (transnacional): é “com Bolsonaro, com tudo”

Está se copiando no Brasil um modelo já testado nos EUA, onde Trump é um bufão e quem governa mesmo é o Deep State.
Possivelmente, inclusive, a fórmula foi montada lá fora. Se bobear a estratégia de Bolsonaro está vindo exatamente desse mesmo lugar, que há alguns anos vem atuando no Brasil.
A via de entrada deles no jogo político no Brasil foi o Judiciário, mais especificamente feita sob o controle do TRF-4/ Moro.
Não é surpresa, portanto, que esses “operadores locais” – militares e Judiciário – estejam se aproximando.

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“Camisa da CBF vermelha”: militontos vestem Cavalo de Tróia e Golpe agradece

A tal “camisa da CBF vermelha” – não sendo resultado de infiltração – é o maior “presente involuntário”/ tiro no pé dado ao Golpe pela esquerda neste ano.
Sim, “de boas intenções o inferno está cheio”… mas ver profissionais da política/ militância impulsionando tal estupidez é de cortar os pulsos.
“Ah, então você quer que eu vista a camisa da CBF, tal qual um manifestoche?”
Não… vista-se como quiser. Eu, por exemplo, verei os jogos à paisana.
Mas – por favor – não ajude o Golpe a fazer o brasileiro engolir o desmonte que – ele! – promove do Brasil mesmerizando-o com o fantasma da tal “bolivarianização” do “Foro de São Paulo” fruto do “comunismo INTERNACIONAL” que quer “mudar nossa bandeirazzZZZzzzZzZZzzz…” .
Quem ataca o Brasil são eles – e não nós! Pois vamos vestir a carapuça? Passar recibo de “antinacionais”? Dureza!

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Caminhão de intervenções: a geleia ideológica dos caminhoneiros e os militares

O discurso mais à direita, de caminhoneiros clamando por “intervenção militar”, vem de áreas com grande contingente do Exército, acompanhado de um conjunto de institutos e associações que juntam principalmente professores, advogados e militares dessa Força. Note-se que a Marinha e a Aeronáutica não andam distribuindo tuítes à vontade por aí, como faz o Comandante do Exército. Não é difícil perceber por que a capilaridade que isso tudo gera vai de encontro e passa a andar de mãos dadas com o setor Agro – e agora com a adesão do setor Trans. Aliás, hoje não há dois setores mais dependentes um do outro que esses.
Essas coincidências se casam com uma noção ancestral de que, enfim, o Estado deve se resumir à segurança. “Contra os impostos altos e a roubalheira”. Trata-se de trocar a ideia de que o Estado possui o monopólio da violência legítima pela ideia de que o monopólio da violência legítima possui o Estado!
Às favas com a ideia de um domínio nacional sobre a cadeia do Petróleo, da Engenharia Pesada, da Energia, do Setor Nuclear, etc. Basta – apenas – descer o pau em “comunista” (sic). E, é claro, cobrar pouco dos ricos pelo serviço.

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O estupro do Brasil e a (ultra!) camuflagem: onde se esconde o último militar nacionalista?

“Guerra híbrida”: guerra baseada em operações de dissimulação, cujo objetivo máximo é produzir no inimigo um conjunto de ações divergentes para que este sempre esteja um passo atrás na leitura do “real”. Certos grupos de militares começaram a fabricar uma verdadeira guerra híbrida dizendo que o PT produz uma… “guerra híbrida” (!)
Nela, “o PT caminharia para um processo de ‘subversivação’”, com ligações com “as FARCs”, “setores militares da Venezuela”, “células terroristas” do Oriente Médio, “o PCC”, etc. Mais que isso, o pano de fundo seria um “novo comunismo internacional”, com novas “potências invasoras” – i.e., China e Rússia! – e suas ambições mineralistas e energéticas. Os aliados dos BRICS reavivariam assim, na cabeça dos que ainda vivem na Guerra Fria, um “comunismo 2.0”, disposto a colocar a ordem internacional de ponta-cabeça, com o Brasil numa posição de capacho sul-americano da Rússia.
E, então, por que as FFAA não reagem ao assalto que se faz ao pré-sal?
Ora, porque dizem “antes dar para os yankees (com duplo sentido mesmo!) a dar pra russo e chinês!”
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Bônus – Comissão Nacional da Verdade e revisão da Lei da Anistia: mais uma vez o que começa com a dupla Cardozo-Dilma termina com o… MPF!
E, sem surpresa, enfraquecendo a posição do PT!
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Veremos o desfecho dessa barafunda com a sucessão de Villas-Boas no Comando do Exército, já 2 meses atrasada?
Ou ela também está engasgada nas “eleições” (?) de outubro?

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Boas intenções no inferno: como o PT jogou militares no colo dos EUA

A depender do que acontecer hoje, podemos ter certeza de que vai ter muito militar pregando intervenção em SP, causada por desobediência civil conduzindo a estado de sítio. É hora de o PT explorar ao máximo estar fazendo resistência ao fato de que “PF/ MPF/ juízes querem sucatear as defesas brasileiras, inviabilizando o submarino e a construção dos caças Gripen NG”. Mais: o PT deve apelar ao Exército para que se mantenha longe dessa história, pois o problema não seria com ele: “pelo contrário”.

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