Rejeição a Haddad provoca debandada pró-Ciro e “racha” do PT na reta final

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Esqueça as pesquisas! O que está a ser revelado nos bastidores nesta contagem regressiva para o dia do voto é que “colar” em Haddad parece mesmo ser uma “queimação de filme”. Prova disso é que agora, na reta final (será que ainda há tempo para mudar?), candidatos e intelectuais começam a piscar para o candidato do PDT, Ciro Gomes, como o único nome capaz de barrar o fascismo, sem mi mi mi.

De olho na sabedoria dos baianos, o candidato ao senado pelo PT Jaques Wagner disse num debate (dia 3), segundo o Estadão, que “Ciro contempla expectativa de eleitores que querem presidente ‘retado que bata na mesa’”.
Esta declaração de Jaques Wagner não é um fato isolado. O petista também declarou que Lula preferia que ele (JW) fosse o candidato, que Ciro era o preferido de JW, mas que ele foi voto vencido. Falar isso quando o eleitor está praticamente diante da urna é a senha para descolar da imagem de um Haddad incapaz de convencer o eleitor de que é “o candidato de Lula”.

O ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) afirmou que o perfil do presidenciável do PDT, Ciro Gomes “por ser um cara mais aguerrido, mais intempestivo”, poderia contemplar melhor a expectativa dos eleitores que preferem um candidato à Presidência da República com “um perfil retado, que bata na mesa”. Ele disse num debate ontem. https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,ciro-poderia-contemplar-expectativa-dos-eleitores-diz-jaques-wagner,70002531388

Será que o petista fez isso como quem “joga a toalha”? Na minha humilde opinião, as únicas certezas neste momento são as de que os candidatos do Nordeste que dependiam do êxito do marketing “Haddad é Lula” correm risco de derrota por conta da rejeição ao “petismo”, por Haddad não conseguir ser firme nem mesmo em debates de televisão, etc.

E a “transposição dos votos” para “o combate ao fascismo” fortalece Ciro nesta reta final. Segundo pesquisas divulgadas recentemente, o pedetista é o único que pode livrar – sem susto – o Brasil da ameaça fascista.
A propósito desta leitura do assunto, o jurista Luiz Moreira, comentarista deste Duplo Expresso, em conversa reservada comigo fez algumas interessantes afirmações sobre o resgate democrático:

“Ciro é a única certeza de vitória contra a ameaça fascista”

“A teimosia de Haddad levará não apenas ele e o PT a uma derrota humilhante, mas também o fio de diálogo com todos os espectros da política que era a base de centro. Somente os radicais fascistas terão voz. Por isso é que Ciro é indispensável nesta luta pela reconstrução do nosso país”.

Entre o que dizem Luiz Moreira, Jaques Wagner, Gonzaga Belluzo e o que anda a propagar a turma do PT jurídico, certamente são aqueles que fazem uma leitura menos apaixonada e mais pragmática que merecerão o nosso respeito. Por isso, estou convencido de que a candidatura Haddad foi uma imposição do PT Jurídico, ala do PT que destrói a soberania popular em defesa dos “super poderes” dos togados.

Todos os ingredientes da festa do fascismo estão expostos. Para o desespero de muitos que amam a democracia, a rejeição ao nome de Haddad é maior ou igual à rejeição do próprio fascismo brasileiro, personificado na figura (bizarra) de Bolsonaro. Como evitar esta catástrofe? Como furar a “bolha vermelha”? Encontrar essas respostas pode ser um bom caminho a seguir nas próximas horas.

O PT virou uma caricatura dele mesmo. Este partido que teve tudo para ser um exemplo a ser seguido, se deixou levar por uma ala que abomina a política. Agora, como em 1989, mais uma vez teve o candidato a presidente escolhido pela direita como o adversário ideal no segundo turno. Bolsonaro é o Collor sem aparências e Haddad aquele Lula despreparado (segundo o próprio Lula) de 1989.

Promovido pela Globo, pesquisas e pelo mercado financeiro para ser presa fácil no segundo turno, Haddad terá dois adversários: o fascismo e o antipetismo. Daí a certeza dos adversários que preferem a radicalização fascista para que seja Haddad o alvo perfeito.

Este cenário é também o fruto colhido pelo PT por ter abandonado as bases, não ter politizado o povo e ter trocado a luta por Lula Livre por uma rendição ao mercado, indultando o golpe e salvando o STF das garras da ONU.

Esta é a vitória do PT Jurídico que sequestrou o partido através das pautas identitárias, esquecendo as lutas pelos direitos trabalhistas, desigualdade social, etc. As leis que darão legitimidade ao fascismo são também o impulso para o assanhamento do moralismo e do conservadorismo crescente na nossa sociedade.

A impossibilidade de transferir votos de Lula para Haddad e o crescimento do pobre de direita, eleitor de Bolsonaro, na população pobre nos permite afirmar que sem Lula o pobre migra o seu voto. Dessa forma, Bolsonaro, mesmo escondido para não abrir a boca e botar tudo a perder, é visto como alguém que assumirá a pauta moralista e conservadora.
Com Haddad o PT não tem chance! A turma do penduricalho e dos cargos já sabe que foi um erro essa candidatura imposta, as consequências futuras disto não são animadoras.

De quem será a culpa? De Lula? Não! A culpa é do PT jurídico, pois permitiu que Lula fosse aleijado tanto pela justiça como pelo próprio PT (ou o que ainda resta dele). É correto dizer que o PT deveria ter a grandeza de propor um pacto pela democracia. O debate interno isolou o partido. Sem ouvir o povo, o PT burocratizou a luta. Tomou decisões a partir de gabinetes, totalmente desconectado da realidade, do tenho do inimigo e da própria rejeição. Ainda há tempo de mudar?

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.