O fascismo é uma cadela que está sempre no cio

Não se trata de ficar chocado com o futuro que se avizinha, mas sim em entender o porque do passado vir lamber novamente nosso presente. Somente assim estaremos preparados. Na marcha da tradição, família e propriedade no século XXI não vemos mais as senhorinhas de tailleurs, terninhos ou vestidos de chita estampados e tiozões de pulover com chapéu panamá. Em 2018, o figurino de ambos os gêneros é modelo de corte único: a hipocrisia.

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Na minha terra tem palmeiras onde canta o eu sabia já

Os olhos do observador distante inspiram o antropólogo João de Athayde a ousar a composição de uma nova Canção do Exílio. Neste texto é estabelecido um paralelo entre os seus sentimentos – na condição de brasileiro residente no exterior – e a poesia romântica “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, escrita em 1843. No entanto, se com Gonçalves Dias houve uma clara demonstração de exaltação aos sentimentos nacionalistas, temos na intervenção de Athayde uma ácida crítica ao complexo de vira-latas que caracteriza o atual cenário político brasileiro.

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Pagar o Mico

No joguinho de cartas da família, aberta as urnas, não há mais grãozinhos de feijão ou palitinhos de fósforos a serem apostados. Acabou a brincadeira! A rolha está queimada, e espera aquele que ficará com o mico na mão.
Está louca para ser impressa na testa da sua tia, na bochecha da sua mãe, na ponta do nariz do seu pai. Você permitirá isso? Dessa vez, não terão água para limpar esta mácula por pelo menos quatro anos…

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Dissonância Cognitiva

A psicologia social é uma disciplina que estuda as relações e os processos da vida social sob a perspectiva das relações entre o individual e o coletivo. A disciplina é desenvolvida com o objetivo de se contrapor aos comportamentalistas que entendem que o comportamento social é uma resposta aos estímulos externos somente. a psicologia social argumenta que há uma interação entre os estímulos externos e o entendimento individual desses estímulos externos, a forma como cada um interpreta a realidade é individual.

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“Democracias” neoliberais infantilizam homens e mulheres ou O Medo como Estratégia de Gestão [1]

O capitalismo neoliberal precisa também de homens e mulheres aptos à servidão. Homens e mulheres que não pensam. Agem por reflexos. Gemem quando são chicoteados. Esboçam um sorriso e agradecem em voz baixa os afagos do patrão. Não é difícil encontra-los no Brasil, após cinco séculos de genocídio. Dizem até que um atual candidato tem filhos que são proprietários de escola de tiro. Atirar, matar bandidos e gente rebelde que ama a liberdade, como nós os brasileiros, é imprescindível ao exercício do poder.

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Banquete de Horrores

Você que ainda assiste boquiaberto as farpas entre os membros da banca togada suprema do país, poupe espanto e saliva. Eles estão apenas fazendo jogo de cena. “Hoje você diz A para que eu diga B, e amanhã fazemos o contrário”, sempre sob o verniz da Lei. Pense assim: assistimos a sucessivos blefes que não passam de um mero “…me passe o sal, por gentileza” enquanto mordem nossa carótida.

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Lula, a face do povo: “voltará para de onde nunca deveria ter saído”?

É com profunda tristeza e imenso estarrecimento que assisto às manifestações públicas de amigos íntimos e não tão próximos assim, às de ex-professores de graduação e pós-graduação de uma das universidades federais mais antigas do Brasil, de eleitores de esquerda, do PT. Em muitos momentos, buscava compreender os reais motivos de todos os que se dizem de esquerda e que, até há pouco tempo defendiam a liberdade de Lula, como em um passe de mágica, cegos, agarrarem-se à candidatura de Haddad como tábua de salvação. Talvez por ser doloroso demais compreender a gravidade da situação de nosso país? Ou talvez porque não consigam ter uma visão mais complexa da realidade mundial? Foram essas e tantas as perguntas que me fiz. Não deixam de ser, até certo nível, aceitáveis. Coube-me, como louca, bradar nas redes sociais: “É golpe ou não é golpe?”, “Rasgaram ou não a nossa Constituição?”. Daí, o mais perverso e cruel, entre os que me cercam, revelaram-se, nos inúmeros comentários, postagens dia a dia, e era eu quem não queria enxergar o que, de fato, está por trás da não luta por Lula. E, nesse caso especificamente, recai uma singularidade da construção histórica e sociocultural do Brasil.

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Pássaro Barroso

Nos salões da justiciaria nacional há uma fauna complexa desfilando incólume entre holofotes, refletores, câmeras e microfones. Nela, há uma ave narcísica e berbigada muito espaçosa. Sozinha, ela ocupa uma área equivalente de quase três milhões e meio de eleitores. Você sabe quem é. Todos sabem quem é. Mas ninguém faz nada por medo do maior de todos os crimes inafiançáveis: o da interpretação subjetiva da Constituição Federal.

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La Jetée a Rio…

Em tempos de bilhetes (e “biletes”) para lá e para cá, na maravilhosa ciranda encantada das eleições vermelhas, segue uma micro-crõnica-sci-fi de autoria do ativista Sama. Ela trata de uma carta escrita no passado que poderia ser escrita hoje. Ou que foi escrita hoje para ser lida naquela época.

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As violações do Regime Temer (Parte III) – O avanço da violência cultural

Graças à concentração da comunicação social entre famílias de brancos ricos, no Brasil sabemos menos sobre Martin Luther King do que sobre as práticas da organização racista Ku Klux Klan. Numa realidade mais “brasileira”, ignorar o percentual de afrodescendentes assassinados e presos é também uma maneira de consolidar o estereótipo a eles atribuído. É necessário, portanto, que tenhamos mais atenção quando formos avaliar a origem e o combate à violência. Como vimos na Parte II desta série, a “Segurança Pública” é parte da engrenagem de criminalização dos afrodescendentes, na sua maioria nordestinos pobres (mesmo em periferias dos grandes centro urbanos de outras regiões mais ao Sul).

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O papel do Egito na geopolítica do Oriente Médio

O Egito é o maior país árabe – arabizado na verdade – de todo o Oriente Médio. Jogou grande papel nas décadas de 1950 e 1960, quando sob o comando do lendário Gamal Abdel Nasser, considerado o maior líder dos povos árabes. Foi do Egito a única – e breve – experiência de unificação de países árabes, quando da existência da República Árabe Unida. Pretende-se com este artigo abordar a história recente desse grande país, de seu canal estratégico do Suez. O artigo abordará uma das mais importantes guerras movidas por Israel contra um país árabe, que foi a Guerra dos Seis Dias de 1967. Por fim, serão tratados temas da política do Egito pós-2011, quando a ditadura Mubarak foi posta abaixo. Para onde vai o Egito na atualidade? É o que se pretende tratar na sua conclusão.

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Evidências de Demônios nas Costas Brasileiras

Nesta sequência do texto da semana passada (Demonologia – A ciência que o Brasil explica e exemplifica), tratarei de aspectos da Etnodemonologia, a ciência dos demônios longínquos. Como o título desta subdisciplina foi dado por Europeus, trata-se, claro, da ciência dos demônios longínquos da Europa e… próximos do Brasil, caros meus.
A demonologia ganhou uma preponderância especial na área dos conhecimentos durante o período do renascimento e das grandes navegações. Jean Delumeau, em O Medo No Ocidente, fala do mar como “O Império do Diabo” e menciona os “diabos naufragadores” de embarcações que se aproximavam da costa.

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Síria milenar: líder da resistência anti-imperialista

A Síria é país milenar. Provavelmente, o mais antigo de todos os países árabes, ao lado da Palestina, Egito e Iraque. Sua Capital, Damasco, tem pelo menos cinco mil anos de vida continuada comprovada. Desde 2011, quando da chamada Primavera Árabe (sic), vem sendo agredida por terroristas mercenários, à soldo da Arábia Saudita e outros países pró-EUA. Mas, após sete longos anos de sofrimento ao seu povo, o governo sírio junto com seu exército árabe sírio, praticamente venceram a guerra. Vamos abordar neste artigo um pouco da história antiga da Síria, seu processo de arabização, a Síria moderna e seu Partido Socialista Árabe Sírio Baath e os dias atuais e suas perspectivas.

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Demonologia – A ciência que o Brasil explica e exemplifica

Demonologia é disciplina velha, anterior a física newtoniana e o racionalismo cartesiano : persas já tratavam do assunto nas priscas eras da Antiguidade. A sabedoria milenar do Zoroastrismo ensina que a ociosidade, a « mãe da vergonha », invoca os demônios da fome, os demônios da sede, os demônios da sujeição, os demônios da doença e demônio da miséria. Contra eles, principal a arma é o trabalho agrícola. Mas a ociosidade no século XXI é… o diabo ressurgente do desemprego!

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O árabe foi idioma oficial do Estado de Israel por 70 anos, dois meses e cinco dias. Dia 19/7/2018, deixou de ser

Não há razão prática para a mudança e, de fato, a “Lei do Estado Nacional Judeu,” que aboliu o árabe como idioma oficial, garante basicamente que o árabe conservará todas as vantagens de idioma oficial, apesar de o título ter-lhe sido usurpado.
Assim sendo, por que alterar o status quo do idioma árabe nos últimos mais de 70 anos? Porque, como muitas vezes acontece, o que a lei diz e o fato de ela dizer são mais importantes do que o que a lei faz.
Pode-se considerar a Lei do Estado Nacional Judeu a partir de dois pontos de vista. Há a mensagem que a lei envia aos judeus: uma afirmação positiva de Israel como o estado-nação judeu; como pátria dos judeus; como estado dos judeus; uma mensagem nacionalista de autoafirmação que diz ‘esse país é de vocês, judeus, e só de vocês’.

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O Geógrafo Errante – Uma crônica sobre o Existir

Existia um certo geógrafo que estudava muito. Ele era o mais renomado e brilhante geógrafo de sua época. Da sua escrivaninha de mogno ocre e rodeado por uma muralha de livros, o geógrafo conhecia detalhadamente cada vegetação, cada clima, os oceanos, os rios, os mares, as rochas, as montanhas, os desertos, as cidades… Através de páginas e mais páginas, muitas delas amareladas e toldadas por poeira e mofo, algumas mais que outras, por certo, sacudidas por muitas leituras, ele conheceu o planeta inteiro!

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Minka: Trabalho Coletivo em Favor da Comunidade – Entrevista com Nathalia Molina, integrante do Coletivo Cultural Minka de Caracas (Parte II)

O nosso correspondente Caio Clímaco foi buscar mais informações sobre as propostas e ações inovadoras da Casa de Movimentos Culturais La Minka que vem buscando através de experiências práticas, concretizar as linhas políticas para construção de uma sociedade comunal, tal como foi proposto pelo comandante Hugo Chávez.
Leia a seguir a segunda parte da entrevista.

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Minka: Trabalho Coletivo em Favor da Comunidade – Entrevista com Nathalia Molina, integrante do Coletivo Cultural Minka de Caracas (Parte I)

O Duplo Expresso foi conhecer a experiência da Casa de Movimentos Culturais La Minka, localizada a 3 quarteirões do Palácio de Miraflores em Caracas, capital da Venezuela.
O nosso correspondente Caio Clímaco foi buscar mais informações sobre as propostas e ações inovadoras desse movimento que vem buscando através de experiências práticas, concretizar as linhas políticas para construção de uma sociedade comunal, tal como foi proposto pelo comandante Hugo Chávez.
A Casa de Movimentos Culturais La Minka era um armazém abandonado e foi recuperada pelos jovens do bairro La Pastora, a partir de 2012, que converteram o local em um espaço permanente de formação, através de oficinas de artesanato, dança, pintura, capoeira, aula de idiomas, dentre várias outras atividades.

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Para onde vai a Turquia de Erdogan?

Vamos falar neste artigo sobre a Turquia. Em nosso conceito de Oriente Médio expandido, onde estão todos os países árabes, incluindo os do Norte da África, nós incluímos ainda o Irã, que é um país persa e a Turquia. E não se pode confundir, jamais, esses três povos distintos. A Turquia fica na Eurásia ou em região que alguns geógrafos chamam de “euroasiática”. É país estratégico, como veremos, pela imensa base militar da OTAN chamada Incirlik. Por fim, é governada pela mesma pessoa – seja como primeiro ministro ou presidente – já há pelo menos 15 anos, tendo ganhado um mandato presidencial que o manterá no poder até pelo menos 2022.

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Sionismo, projeto neocolonial do imperialismo

O tema sionismo é dos mais controversos quando se aborda temas de geopolítica internacional. É comum os próprios sionistas e judeus de direita prontamente nos acusarem de sermos “antissemitas” (sic). Ainda mais quando relacionamos essa temática ao sistema neocolonial. Com este artigo pretendo abordar essa questão, falando sobre as origens do sionismo no século XIX proposta pelo controverso jornalista austríaco Theodor Herzl (1860-1904). Falarei de forma resumida da história da Palestina, tratado de dois fatos específicos e muito importantes, ocorridos no século XX, que foram os acordos de Sykes-Picot e a Declaração Balfour.

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Até um cego vê! #5 – Padre Antônio Vieira pensava à frente do seu tempo ou fomos nós que voltamos ao passado?

No quadro “Até um cego vê!” desta semana, Leonardo Lobo recita este poema com a propriedade de quem tem “lugar de fala”. É um alerta aos governantes, sobretudo no atual Regime Temer que, assim como na escola barroca, é caracterizado pelo contraste. No caso do Brasil, as visíveis diferenças entre os privilégios dos muito ricos e o abandono dos pobres.

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